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FOTOS CP MEMÓRIA
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Carnaval de rua de Porto Alegre em 1880

Os bons tempos do Carnaval da Porto Alegre antiga
A história do Carnaval em Porto Alegre funde-se com a origem da festa em todo o país. No início, as festas de Momo não tinham maiores pompas, mas não deixavam de ostentar um certo aparato para a sua realização. As festividades iniciavam quatro semanas antes da data do Carnaval, as quintas feiras eram chamadas de amigos e amigas, compadres e comadres, enquanto o sábado da última semana era denominado Sábado Gordo. Eram realizadas reuniões-dançantes em casas particulares e associações recreativas, a que os foliões compareciam com suas fantasias e saíam, depois, em ranchos mascarados. Aproveitavam a noite alta para visitarem pessoas amigas, sem que essas pudessem reconhecê-las e nas ruas da cidade, apenas durante os três dias, existia maior rumor e colorido de Carnaval. O Carnaval de rua, como o de salão, tomou impulso e caiu na graça do povo. Nessa altura, toda a população se sensibilizou com o Carnaval e as ruas por onde passariam os automóveis foram decoradas com muito luxo pelos moradores, participando ativamente dos festejos. Não alheios a toda a festa, os arrendatários do Theatro São Pedro organizaram bailes públicos de Carnaval no casarão da Praça da Matriz e em cujo palco, antecedendo as danças, eram encenadas peças de acordo com a data. O sucesso e a fama do Carnaval de Porto Alegre ultrapassam as fronteiras regionais e por toda a província vinham pessoas para apreciar os desfiles, bem como brincar animadamente nos diversos bailes da cidade. Algumas brincadeiras de esguichos continuavam e o povo e a aristrocracia, cada um a seu modo, caíam nas folias de Momo, sem limites e sem tristeza, porque era Carnaval. Porto Alegre não era mais a mesma em 1900, início do novo século, pois todas as sociedades haviam desaparecido, restando apenas lembranças de grandes desfiles de Carnaval.

HÁ UM SÉCULO NO CORREIO DO POVO

Pesquisa e edição: RENATO BOHUSCH | renatobohusch@correiodopovo.com.br
No dia 15 de fevereiro de 1909, não houve edição do Correio do Povo. Na época, o jornal não circulava às segundas-feiras:


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Em 1912, a moda de Carnaval já estava mais arejada. Os turbantes e as plumas deram lugar ao picareta. O smoking e a gravata borboleta substituíram a túnica fechada. A folia era bem maior

NA RUA DOS ANDRADAS
Em consequencia da explosão de um tubo de lança-perfume seis pessoas sairam feridas, ante-hontem, á noite, à rua dos Andradas. Como se verificou na ocorrencia:

Terça-feira ultima, como noticiámos, em virtude de explosão de um tubo de lança-perfume, tres menores, de nomes Ruben Feijó, Joel Alves e Jayme Cardoso, receberam queimaduras e ferimentos. Identico facto, mas de maiores consequencias, occorreu terça-feira, á noite, em plena rua dos Andradas. O sr. Spolidori, como nos annos anteriores, installou á praça da Alfandega, em frente ao Cinema Central, uma mesa para a venda de lança-perfume. No ultimo dia dos folguedos carnavalescos, como sóe acontecer, foi intenso o movimento na nossa principal arteria. Cerca das 21 horas, algumas pessoas se achavam em redor da mesa do sr. Spolidori adquirindo tubos de lança-perfume. Um seu filho, de nome Angelo Raphael Spolidori, de 19 annos de idade, ajudava seu progenitor na venda desse producto. Em dado momento, tendo entupido um tubo de lança-perfume, o referido menor, para desentupilo, accendeu um fosforo, queimando a ponta do recipiente. Foi nesse momento que se verificou a explosão. Com um forte estampido, o tubo arrebentou, ao mesmo tempo que se inflammava seu conteudo. Estabeleceu-se o panico. O povo que se achava aglomerado nas immediações da praça da Alfandega, começou a correr em todas as direcções, ignorando do que se tratava. Afinal, restabelecida relativa calma, verificou-se acharam-se feridas seis pessoas. A Assistencia publica avisada, compareceu immediatamente ao local, transportando as victimas para o posto central. O agente do 1º districto de serviço no local e de nome João Antonio C. de Mattos, procurando dominar o fogo, recebeu queimaduras de 1º e 2º graos nos braços, mãos e punhos. Em virtude da correria, a mesa de lança-perfume virou, inutilisando-se quasi todos os vidros. O sr. Spolidori soffreu prejuizo calculado em um conto de réis. Todos os feridos com excepção do sr. Spolidori, foram convenientemente medicados na Assistencia Publica pelo dr. Antonio P. Louzada, auxiliado pelo academico de medicina Baptista Hoffmeister. O operario Francisco Marino, de 61 annos de idade e morador á rua Sant’Anna n. 804, foi atirado ao solo, recebendo escoriações na face interna do terço superior do ante-braço esquerdo e contuno no mesmo braço. A senhora d. Maria Amaral, casada 39 annos de idade e residente á rua dos Andradas n. 788, atirada ao solo pela massa de povo, que corria em todos os sentidos, soffreu escoriações no joelho esquerdo. Juracy Musso, residente á rua Demetrio Ribeiro n. 126, foi acommettida de crises nervosas e, pisoteada pelos populares, recebeu escoriações, nos braços, mãos e pernas e a torção da articulação da 1ª phalange do pollegar direito. As victimas, em seguida aos necessarios curativos, recolheram-se ás suas residencias.
Matéria publicada na edição do Correio do Povo de 23 de fevereiro de 1928.

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Baile de Carnaval na Confeitaria Rocco