CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 24 DE SETEMBRO DE 2005
O amor ao cinema em 'Sal de prata'

04O9AMOR.jpgMaria Fernanda Cândido protagoniza o filme
 
 

Marcos Santuario

Depois de receber o Kikito de Melhor Montagem (para Giba Assis Brasil) na edição deste ano do Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino, o novo filme do diretor gaúcho Carlos Gerbase, 'Sal de prata', estréia nas telas. Filmado em seis semanas, entre julho e setembro do ano passado, em Porto Alegre, 'Sal de prata' é o quarto longa-metragem de Gerbase, que acumula em seu curriculum cinematográfico as tramas dos longas 'Verdes anos' (1984); 'Tolerância' (2003); e 'Inverno' (longa em super 8). Na trama de 'Sal de prata', Kátia é uma mulher independente e bem-sucedida (vivida pela linda Maria Fernanda Cândido) que encontra alguns roteiros de seu namorado, Veronese, cineasta fracassado que acabou de morrer (Marcos Breda). Polêmico, Veronese sofre um ataque cardíaco, deixando um passado obscuro, uma loja de artigos fotográficos, alguns curtas realizados e muitos roteiros guardados no computador.

A curiosidade de Kátia, somada ao seu desejo de conhecer melhor o homem com quem mantinha a relação, a leva a ler os escritos. Incapaz de distinguir ficção e realidade, a moça decide conhecer melhor o mundo do cinema, encontrando personagens e situações que vão transformar sua vida para sempre. As atuações de Maria Fernanda e de Camila Pitanga se destacam em meio a um elenco que tem ainda a presença de Bruno Garcia. A atuação de Breda revela sua grande e inegável proximidade com as produções de televisão e de teatro. O universo do cinema ganha espaço na trama de Gerbase, que mostra, no seu trabalho de direção, sua própria paixão pela sétima arte. Mas a decisão do diretor faz de 'Sal de prata' uma produção que trata de conquistar outros universos. Quando fala de seu novo trabalho, o cineasta e doutor em Comunicação faz questão de destacar que sua proposta se enquadra na ambição que os filmes produzidos no Rio Grande do Sul devem ter. 'Fiz um filme com ambição nacional, que quer dialogar com todo o público', defende. E dialoga. Mesmo que a trama trate do mundo do cinema, as relações humanas, os universos masculino e feminino acabam tomando a tela e buscam uma interação com a dinâmica cinematográfica, levando o espectador a uma viagem pela vida. Um dos momentos mais marcantes é o início do filme. Gerbase decidiu impactar com uma cena que merece ser vista desde seu primeiro momento. Bem bolado, o momento cria uma cumplicidade com o espectador que vai além do discurso visual, que se mostra vigoroso, mas que também dá espaço para uma inteligente seqüência narrativa. Para isso contou com o talento, com a sensualidade e com a simpatia de Camila Pitanga. Até chegar a esta versão, o roteiro passou por 14 tratamentos e foi selecionado para a oficina do Sundance Institut.


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