PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 07 DE OUTUBRO DE 2003
CAPA


Ouro Preto é o puro Brasil Colônia
Cidade mineira mostra detalhes importantes da história do país em suas igrejas, casas e ladeiras
Adriana Androvandi

Caminhar pelas ruas de Ouro Preto é respirar parte da história do Brasil. Encravada no meio de montanhas, a cidade é repleta de ladeiras, igrejas e casas coloniais.
 Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) e classificada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, Ouro Preto mantém as características da velha Vila Rica (seu primeiro nome), apesar de hoje já ter sua parte nova, onde se destaca a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

A origem da localidade se deu com a chegada do bandeirante Antônio Dias de Oliveira em 1698. O nome Ouro Preto refere-se à forma como eram descobertas as pepitas de ouro do lugar: vinham misturadas a minério de ferro, o que dava ao ouro uma aparência escura, que veio a ser conhecida como 'ouro preto'. Grande parte do ouro descoberto nas redondezas foi enviada, por

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Ouro Preto revela riquezas arquitetônicas para os visitantes
  lei, à coroa portuguesa, cujos representantes chegaram à vila depois dos bandeirantes que desbravaram aquela região. 

A rivalidade dos dois grupos foi histórica, o que, inclusive, fez com que surgissem duas igrejas matrizes em Ouro Preto, cada uma no bairro dos respectivos grupos. As construções coloniais e a pavimentação das ruas do centro histórico, que atualmente ainda estão lá, foram resultado do trabalho dos escravos, que chegaram a ser 80% da população local na época da chamada Vila Rica. A herança étnica pode ser vista nas ruas, onde grande parte da população é negra, mulata ou cafusa. 

A hospitalidade é outra característica do povo mineiro, sempre gentil e disponível a dar informações ao turista. A grande quantidade de igrejas em Ouro Preto chama a atenção de quem visita a cidade. A explicação para isso é que a coroa portuguesa proibiu a presença de congregações religiosas naquela região (pois elas não tinham obrigação de obediência à coroa portuguesa, somente a seus superiores e ao Papa). Por isso, disseminaram-se as chamadas 'irmandades', grupos de leigos que se uniam pela devoção a determinado santo e a certas regras. Cada um desses grupos queria ter seu próprio templo. Reflexo da visão social da época, negros e escravos não freqüentavam as mesmas igrejas que os brancos e ricos. Por isso, existiam capelas destinadas somente aos escravos, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário, que tem o traçado circular, e podem ser visitadas até hoje.



01VACARI.jpgArquitetura e arte estão em todos os lugares

Ouro Preto é realmente uma atração à parte para quem aprecia história, arte e arquitetura. Ali se pode conferir preciosidades de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, como na Igreja São Francisco de Assis, que tem o projeto do artista, além de pinturas de outro grande nome da época, o pintor Manuel da Costa Ataíde. Estando em Ouro Preto, vale a pena conferir também a cidade vizinha, Mariana, que guarda igualmente esplendoroso acervo barroco em suas igrejas, além de casas coloniais, com direito a sacadas de pedra-sabão, material da região.

No meio do caminho entre Ouro Preto e Mariana, e a cinco minutos de Ouro Preto, pode-se conhecer a 'Mina da Passagem', uma genuína mina de ouro, hoje desativada. Por não estar mais sendo lucrativa (era preciso se tirar toneladas de minério e terra para se obter apenas algumas gramas de ouro), os proprietários descobriram outra 'mina de ouro'. Abriram o local para a visitação dos turistas, que têm de pagar R$ 15,00 por cabeça para entrar na mina. Mas vale a pena. Através de um carrinho preso por cabo de aço em um túnel de descida oblíqua, se desce o equivalente a 40 andares para o fundo da terra. Lá se conhece túneis e se tem idéia de como trabalhavam os mineradores. Desta forma, Ouro Preto nos lembra a riqueza de nosso país e a vastidão de nossa história.

E, por falar em história, assim como a revolução Farroupilha está para os gaúchos, está a Inconfidência Mineira para os mineiros. A praça central de Ouro Preto homenageia Tiradentes, o mártir daquela revolta política. Ali fica o Museu da Inconfidência, onde se pode conhecer um pouco mais dos homens que lutaram por seus ideais de libertação da corte portuguesa e são, até hoje, orgulho e motivo do estilo, da fama e da personalidade do povo de Minas.


SÃO LOURENÇO DO SUL

No próximo dia 19, o Projeto Conhecer e Preservar e a Rota Cultural promovem uma visita a São Lourenço do Sul. A cidade fica a 196 km da Capital e destaca-se por sua importância histórica. A viagem incluirá passeio de barco pelo rio São Lourenço, visita à Vila do Boqueirão, o mais antigo aldeamento do município (onde existe uma igreja com cúpula bizantina), e passagens por construções típicas das ocupações luso-açoriana e pomerana. Informações: (51) 3348-1649. 


Correio do Povo
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