| PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA,
07 DE OUTUBRO DE 2003
CAPA
Ouro Preto é o puro Brasil Colônia Cidade mineira mostra detalhes importantes da história do país em suas igrejas, casas e ladeiras Adriana Androvandi Caminhar pelas ruas de Ouro Preto é respirar parte da história do Brasil. Encravada no meio de montanhas, a cidade é repleta de ladeiras, igrejas e casas coloniais.
A rivalidade dos dois grupos foi histórica, o que, inclusive, fez com que surgissem duas igrejas matrizes em Ouro Preto, cada uma no bairro dos respectivos grupos. As construções coloniais e a pavimentação das ruas do centro histórico, que atualmente ainda estão lá, foram resultado do trabalho dos escravos, que chegaram a ser 80% da população local na época da chamada Vila Rica. A herança étnica pode ser vista nas ruas, onde grande parte da população é negra, mulata ou cafusa. A hospitalidade é outra característica do povo mineiro, sempre gentil e disponível a dar informações ao turista. A grande quantidade de igrejas em Ouro Preto chama a atenção de quem visita a cidade. A explicação para isso é que a coroa portuguesa proibiu a presença de congregações religiosas naquela região (pois elas não tinham obrigação de obediência à coroa portuguesa, somente a seus superiores e ao Papa). Por isso, disseminaram-se as chamadas 'irmandades', grupos de leigos que se uniam pela devoção a determinado santo e a certas regras. Cada um desses grupos queria ter seu próprio templo. Reflexo da visão social da época, negros e escravos não freqüentavam as mesmas igrejas que os brancos e ricos. Por isso, existiam capelas destinadas somente aos escravos, como a Igreja Nossa Senhora do Rosário, que tem o traçado circular, e podem ser visitadas até hoje.
Arquitetura
e arte estão em todos os lugares
Ouro Preto é realmente uma atração à parte para quem aprecia história, arte e arquitetura. Ali se pode conferir preciosidades de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, como na Igreja São Francisco de Assis, que tem o projeto do artista, além de pinturas de outro grande nome da época, o pintor Manuel da Costa Ataíde. Estando em Ouro Preto, vale a pena conferir também a cidade vizinha, Mariana, que guarda igualmente esplendoroso acervo barroco em suas igrejas, além de casas coloniais, com direito a sacadas de pedra-sabão, material da região. No meio do caminho entre Ouro Preto e Mariana, e a cinco minutos de Ouro Preto, pode-se conhecer a 'Mina da Passagem', uma genuína mina de ouro, hoje desativada. Por não estar mais sendo lucrativa (era preciso se tirar toneladas de minério e terra para se obter apenas algumas gramas de ouro), os proprietários descobriram outra 'mina de ouro'. Abriram o local para a visitação dos turistas, que têm de pagar R$ 15,00 por cabeça para entrar na mina. Mas vale a pena. Através de um carrinho preso por cabo de aço em um túnel de descida oblíqua, se desce o equivalente a 40 andares para o fundo da terra. Lá se conhece túneis e se tem idéia de como trabalhavam os mineradores. Desta forma, Ouro Preto nos lembra a riqueza de nosso país e a vastidão de nossa história. E, por falar em história, assim como a revolução Farroupilha está para os gaúchos, está a Inconfidência Mineira para os mineiros. A praça central de Ouro Preto homenageia Tiradentes, o mártir daquela revolta política. Ali fica o Museu da Inconfidência, onde se pode conhecer um pouco mais dos homens que lutaram por seus ideais de libertação da corte portuguesa e são, até hoje, orgulho e motivo do estilo, da fama e da personalidade do povo de Minas. SÃO LOURENÇO DO SUL No próximo dia 19,
o Projeto Conhecer e Preservar e a Rota Cultural promovem uma visita a
São Lourenço do Sul. A cidade fica a 196 km da Capital e
destaca-se por sua importância histórica. A viagem incluirá
passeio de barco pelo rio São Lourenço, visita à Vila
do Boqueirão, o mais antigo aldeamento do município (onde
existe uma igreja com cúpula bizantina), e passagens por construções
típicas das ocupações luso-açoriana e pomerana.
Informações: (51) 3348-1649.
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