Correio do Povo

Correio do Povo

Porto Alegre, 3 de Setembro de 2010


Porto Alegre > Previsão para
Agora
22.3ºC
Amanhã
12º 17º Previsão do Tempo


Faça sua Busca


Encontrei meu mestre em Palomas

Fui a Livramento.
Passei pelo cerro de Palomas.
Era madrugada.
Nada vi.
Não vi com os olhos normais.
Dentro do ônibus, senti-me transportado.
Faz sentido.
Fiz uma caminhada virtual e espiritual até o alto do cerro.
Eu pretendia fazer o caminho de Livramento até o cerro a pé, quase 20 km.
Mas sou prático.
Fiquei só com os últimos 500 metros.
Havia uma luz que furava a escuridão de modo vertical.
Cheguei a pensar que era a eletrificação rural.
Percebi que a luz era diferente.
Avancei penosamente pela trilha.
No alto do morro, sentado num vasto pelego, que parecia ser de um animal sobrenatural, estava meu mestre.
Como todos sabem, ele se chama Guma, Gumercindo, mas é conhecido por G.
G. é o oráculo de Palomas.
Ao me ver, murmurou:
– Quem vai sempre pode voltar.
Fiquei abismado com a sua sabedoria.
Parei diante dele.
Falei:
– Mestre, preciso me abrir com o senhor.
– Faca, meu! – foi o seu único comentário.
– Mestre, preciso saber: algum dia serei patrono da Feira do Livro de Porto Alegre?
– Vai.
– Posso ficar tranquilo?
– Pode. Mas o caminho vai ser longo?
– Muito?
– Mais longo que laço de 12 braças.
– Quantos anos?
– Não sei. primeiro tu vais ganhar o Nobel.
– Ah, bom! – respirei aliviado. – Então nem é um caminho tão longo assim.
– Antes disso o Corinthians será campeão da Libertadores.
– Mestre, vou escrever novos livros.
– Isso pode atrapalhar um pouco.
– Mestre, indique-me o caminho.
– Só tem um.
– Só um.
– É, um só, essa estradinha por onde tu vieste, bagual.
– Devo temer alguma coisa.
– Temer, não sei. Tomar, sim. Vai um mate?
– É muito amargo. Mestre, quando eu estava subindo passei por uma tartaruga. O que isso significa?
– Um sinal.
– Um sinal!?
– Sim, um cágado.
– Cagado?
– Cágado.
– Que sinal é esse?
– Que deves evitar os prêmios e as honrarias. Teu maior prêmio é a maldição. Não deves tentar fugir do teu destino.
– Mestre, que seria de mim sem ti?
– Tchê, para de frescura.
– Posso voltar aqui?
– Te arranca, índio velho.
– Estou sentindo uma energia estranha. Posso sentir junto com o senhor no seu pelego?
– Sentir?
– Sentir e sentar.
– Tô te estranhando, vivente.
– Será que o aleph está no seu pelego?
– O aleph, não sei. Tinha percevejo, mas já tirei.
Postado por Juremir Machado da Silva - 03/09/2010 10:32

O povo da voz

Mestre, reli tua crônica "Bardot e o tempo". Belíssima!
Digo, reli, no jornal. É claro, pois já havia nos brindado (a crônica)
no Encontro: 'O tempo e a hipermodernidade'.
Realmente, não tínhamamos a noção do tempo (sou da mesma geração).
Bardot era um mistério. Imagino a percepção de mundo de um garotinho de 6 anos.
Nesta idade, também aprendi a ler. Nas páginas ("usadas") do Correio do Povo.
Encantava-me o tamanho das letras que compunha o seu nome (do jornal). Tudo era
mistério. Viajar a Porto Alegre no Expresso "Azul" (hehe) era o meu sonho.
Deveras empolgante. Ao ver os primeiros luminosos da Capital, meu coração disparou.
Parece que sinto até hoje a sensação... Cresci. O tempo é diferente. Como aproveitá-lo?
Ou melhor. Como vivê-lo? Segue o mistério... Fica a certeza: terei tempo para ler os textos
de meu dileto. Sei que terás tempo para os teus fãs. Mas reserve sempre um tempo especial
para a tua amada Cláudia. Um grande abraço. Nat.Oliveira.
Em tempo: Dubai nos espera...em tempo de festas vermelhas, é claro.
Nat Oliveira

Caro Amigo. Caro não de Carestia, mas Caro de respeitáel amigo Juremir. Acabei de encomendar seus livros " Trilogia de Palomas", como me enquadro nas idades de 17 a 87, sinto-me a vontade de pedir que seja autografado. Um abraço fraterno, Telma.


Oi Jur emir!!! Considero-me uma antiga leitora tua,sou grata pelos elogios gostosos que temos recebido. Tenho a primeira edição do teu" Cai a lua ( noite) sobre Palomas" com a seguinte dedicatória: para Adriana ,com muito carinho J.06.07.1995. Fui a Livraria Sulina do Praia de Belas Shoping com minha amiga ,hoje tão distante, Carmem Oliveira.Um momento histórico. Não tinha fila para autógrafos, na época.. Tenho mais tres livros teus : Getulio, Solo e Os Homens de 40. Confesso que, agora, ando tímida para as enormes filas dos teus lançamentos mas continuo lendo e admirando teu trabalho como sempre fiz. Gosto e sigo tuas dicas de livros e cinema e principalmente, tua grande e delicada visão do social. Abraços.Adriana.

Muito boa as dicas de livros Juremir, estes livros devem ser uma MERDA mesmo!!!
Eu me identifico contigo, sou intolerante com coisas ruins, mas respeito as limitações das pessoas. E, vou contra a hipocrisia, fico puto quando acontece coisas assim, prêmios por interesses de categorias.
muitas vezes eu te acho chato Juremir, mas entendo que não dá pra manter a qualidade sempre escrevendo todos os dias. Mas, adoro estes textos que tu chutas o balde. Tu fostes o único que escreveu do caso do filho do Sirotski no episódio do estupro. Enfim, admiro pessoas assim que nem vc.
este teu texto de hoje está muito bom. Vc selecionou trechos memoráveis. O resto do conteúdo, acredito deve ser muito ruim mesmo. Valeu, vc tem feito serviço de utilidade pública cultural, que ajuda a varrer a hipocrisia.
abraço
Henrique

tudo bem?
envio este email para fala daquela crônica que tu fizestes a um tempo (eu não lembro o dia) falando que só as mulheres acima dos 70 que gostam de ti...
pois bem, cá estou eu, um exemplo vivo de que isso não é 100% verdade, afinal tenho 23 anos, sou universitária e adoro teu trabalho, te acho um cara brilhante e formidável, há 2 semanas atrás meu professor de sociologia estava te elogiando muito, dizendo que teu trabalho é único aqui no estado e eu concordo plenamente.
Sendo assim fico por aqui, um grande abraço e até um próxima vez.
Gabby Santos http://caixadeeva.blogspot.com

Olá Juremir,
semanas atrás fui conhecer a sua cidade natal, Santana do Livramento,
fiquei encantado pela cidade, principalmente pelos prédios antigos e
pela sua história(uma parte, contada por um funcionário de hotel), só
não foi possível ir a Palomas por falta de tempo.
Abraços
Martin Rugard Wentz, Panambi


Postado por Juremir Machado da Silva - 01/09/2010 17:43 - Atualizado em 02/09/2010 14:05

A voz do povo

Juremir
As quartas-feiras levo meu filho para uma aula de guitarra. Enquanto espero vou olhando as edições da semana inteira do Correio, que a professora assina.Leio o jornal do dia e nos outros, apenas duas páginas: a das palavras cruzadas, um hábito imbecil que adquiri depois de deixar de dar aulas (nunca faça isso) e a tua coluna, que está cada vez melhor.
Abraços colorados
Marino Boeira

Olá Juremir!!!
Sou Extensionista Rural da Emater/RS.
Virei seu fã faz poucos dias (me emocionei c/ o seu texto sob o Celso Roth).
De lá p/ cá nao perco um texto seu no correio do povo.
Obrigado pelos ótimos textos. Críticos, inteligentes e bem humorados!!!
Parabéns pelos 10 anos!!!
Rafael Gomes

Oi Juremir,
Parabéns pelos dez anos como cronista do Correio do Povo.
Parabéns a nós todos, afinal, acredito que nós leitores, somos os maiores beneficiados com tua lucidez cínca e refinada...
No mínimo, mais dez!!!
Beijo carinhoso,
Jane


Prezado Juremir,
Parabéns pelos 10 anos de sua coluna, ou melhor
da nossa cachaça (aquela com butiá, bem curtida),
sim virou uma cachaça. Impossível não ir direto a
sua coluna diariamente. De tudo que és chamado
acrescento o de vício, mas um vício bom, instrutivo
e alegre.
Parabéns!
Flora

Sempre tiro um tempinho para apreciar tuas colunas. Sou seu crítico, mas devo ressaltar que já me curvei frente algumas de suas colocações. Elenco como primordiais suas observações com relação a educação, cultura, meio ambiente, política e questões financeiras. Dentre as que mais discordo, são as esportivas...
Parabéns!
Abraço e mais varias dezenas de anos.
Marco Antonio Haboski

Olá Juremir!
Parabéns pelos dez anos da sua coluna no Correio do Povo, mas parabéns principalmente pela coragem que tu tens já que estamos na era do politicamente correto e as coisas estão muito chatas.
Essa semana ainda discordei totalmente de uma coluna tua, que rotulou a Literatura de Caio Fernando Abreu de gay, pô sacanagem eu gosto do Caio mas sou heterosexual, pai de família e tudo, aí tu me escreve que é leitura de gay, rsrs. Mas tudo bem, tu está perdoado por ter indicado aos leitores o livro A Sociedade do Espetáculo, que eu li e considero um excelente livro, só lamento não ter lido antes.
Abraço.
Evandro Gomes Silva

Querido Mestre!
Eu sou leitora do Correio do Povo deste sempre, pois a minha alfabetização em parte, se deve a ele (correio).
Já te leio a dez? Puxa! É a passagem do tempo. Bah! Será que te compreendo? Tu, maldito? Escrever "como"o Sr. de cabelos brancos da Rede Baita Sol? Credo! Sobrevivente (como escritor)? Eeeeeh! São tantas perguntas, digo,
tantas emoções. Hehehehe. Gostei desta: "Sou como uma sanga funda de Palomas".Amei! E o e-mail de Aninha,11 anos. Lindo! Posso acrescentar isso? "O sol caía por trás dos eucaliptos, rasgando o potreiro com os últimos golpes
brandos das sombras das árvores, e uma aragem incomum para a época." Olho pela janela, observo o sol que vem nos brindar. Hoje é 1º de setembro de 2010. E agora, percebo o quanto tuas crônicas e livros me estimulam a viver cada dia,
como único, e mais, me animas a ler os teus e outros livros. Uau! Com carinho, Nat.Oliveira.

Oi Juremir
que linda crônica-Quatro Professores- você fez !!Eu adorei.
Um abraço
Mara Paulina/ www.mp-arruda.zip.net

Professor bom dia
Parabéns!
Obrigada pelos anos que enfeita e instiga meu imaginário com conhecimento, desenvoltura, alegria, uns sacodes e poesia.
Sempre o vejo despido e cheio de vida
Agora chegando aos 50 vai ficar ainda melhor.
Que venham outros mais dez
Um abraço
Marta (a fã carioca)

Boa Tarde Juremir! A tua vida é cheia de Marias. A Ana Maria, a Aninha, a Maria Luisa da Costa e assim ttas outras.
Como tua leitora e entre tantas Marias te desejo "Parabéns" pelos bem trabalhos 10 anos de colunista.Muita para ti.
Noeli Maria

O MENSALÃO VERDADEIRO, ORIGINAL, O QUENTE OCORREU EM MINAS GERAIS, NO PSDB, JUSTAMENTE QUANDO FHC ERA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA.
HÁ TAMBÉM O MENSALÃO DO DEM DO DF.
COMO SE DIZ NO INTERIOR ELES NÃO TEM ESPELHO EM CASA.
Luiz Claudio Silva

Pô Juremir,já troquei até o meu e-mail e tu nunca me responde,te leio desde o tempo que todo
mundo achava que tu era louco,briguei com a minha mulher te defendendo e com alguns que diziam que tu era louco e viado.
Gosto do teu estilo metralhadora embora que do Bispo Edir macedo tu amarelou (eu até entendo).a crônica sobre o Caio tava boa ,é gente que nunca comeu vergamota até doer a barriga e nunca jogou bola na chuva.
agora,se fores patrono da feira te domesticaram.
não vou te chatear mais,até porque sou gremista e não sou velhinha.
um braço.
Rogério.
vou te dar uma folga,não vou te chatear mais,sou gremista e

Boa tarde.
Li na semana que passou sua crônica sobre a Brigite Bardot, no CP
Realmente o tempo é carrasco. E soube ser linda.
Um abraço
Harry.


Parabéns, Juremir. por esta data marcante em tua vida e que sigas sempre dando "bola dentro", por muitos anos, ainda. Felicidade.
Rosangela Teixeira

Professor,
Adorei a expressão Eu a vi pela primeira vez num livro da Martha Medeiros e passei a verificar em quais quesitos eu ainda era virgem Sou virgem de tantas coisas e pretendo perder toda a minha virgindade, antes de morrer , apesar de ter três filhos Vou tentar conhecer Paris, pois sou virgem, ainda não a conheço Depois virão outras perdas e mais outras, até não restar mais nenhum vestígio de virgindade Quanta pretensão,não é? Mas, eu nem achava que seríamos Bi-Campeões pela Libertadores e fomos, Por que não sonhar alto ?
Gostei da foto de publicidade do Correio, para lançar a Trilogia Dois mil e dez está sendo generoso com o senhor Agora é torcer pela indicação de Patrono da Feira do Livro e para a Dilma não ganhar O senhor viu como o Zé Dirceu e o Palocci já estão brigando pelos cargos ? Uma crônica enfocando a disputa seria muito bem-vinda
I. Felix


BOA SEMANA !
PARABENS PELA EXPANSAO DE TUA LITERATURA. "GETULIO" É UMA OBRA PRIMA EM PESQUISA . QUE ACHARÃO OS JAPONESES? QUANDO NASCI, GETULIO JA ESTAVA
NO PODER. CRESCI OUVINDO FALAR NELE ( MESMO A COMUNICAÇÃO DIFICIL), E LI ALGUNS LIVROS SOBRE A PESSOA DELE. EM SENDO ELE DITADOR, ESTES LIVROS ,NÃO
TINHAM CONTEUDO POLICO ,E,LOGICO, TRATAVAM MAIS DE EPISODIOS PITORESCOS DA VIDA DO GETULIO. MAIS TARDE: ELEIÇÃO E...MORTE. PERIODO AINDA PRESENTES
EM MINHA MEMORIA. ADOREI TEU LIVRO E PRESENTIEI UM GENRO, QUE GOSTA DO TEMA, MAS COM OUTRO, CLARO. O APROVEITEI A PROMOÇÃO PASSADA, SO NÃO ENCONTREI,
AINDA, PARA QUEM DAR "SOLO"!... ESTOU ESTUDANDO MEUS AMIGOS... ABRAÇOS
Leda Dillman

Ouro é o que ouro vale. Ouro é raro, por isso vale muito. Será que tudo o que é raro vale muito?
Será que os gays ( TODOS, ou uma parcela significante -ou será significativa?-, quantos seriam...) gostam da Clarice e do Caio, não podendo ser só por identificação ( temperamento, personalidade, sexualidade...)?
Se verdadeiro, demandaria uma boa pesquisa sócio-antropo-psicoevolutiva!
Pessoas outonais, bovaristas, desencantadas, psicanalíticas, downfilosóficas, gays, todos seres bizarros... os gays, TODOS ou uma parte... também?
A crônica é boa. Faz pensar = indagar, querer saber mais, se é verossímil. Não é verossímil que tenha sido escrita por um gay, só se ele tem raiva de ser ou se for muito provocador, mas pode haver gays provocadores, etc... e então não seria tão inverossímil assim!
Ela está na fronteira com preconceito, mas não a atravessa.
Bem... vamos ver o que os gays têm a declarar. É como aquela pergunta das cotas raciais: - Você já sentiu preconceito alguma vez na vida?
Pedro Bon
Postado por Juremir Machado da Silva - 01/09/2010 17:37 - Atualizado em 02/09/2010 14:05

Paixão é o patrono

Deu Paixão Cortes.
Era carta jogada.
Favas contadas.
Foi merecido.
Paixão não tem livro importante.
Quem tem?
Talvez o seu melhor livro seja "Como dançar o pezinho".
Está muito bom.
Paixão vem dos CTGs.
Sabe ser patrão.
Vai dar um bom patrono.
O homem é uma estátua.
Estátua do laçador.
Não seria eu, que jamais aprendi a laçar, a sair por aí, ao crepúsculo, para lembrar Neruda, apagando estátuas.
Paixão é bom.
Ajudou a inventar o imaginário gauchesco.
É uma personalidade, um personagem, um ícone, um símbolo, como o mosqueteiro, o saci, o lobisomem, o negrinho do pastoreio, etc.
Durante muito tempo eu achava que ele era uma lenda, que nem existia, até que o encontrei na Rádio Guaíba.
Paixão é de Santana do Livramento, como eu, como Carlos Urbim, o atual patrono.
Santana do Livramento agora é bi.
É uma hegemonia devastadora.
Paixão está velhinho.
Eu sou a favor de que o patrono seja sempre o mais velho.
Não, nada de homenagem quase póstuma.
Homenagem a quem já fez mais.
Eu nada fiz.
Se um dia eu for escritor, quero ser patrono.
Venho publicando livros.
Não basta publicar livros para ser escritor.
É preciso que os livros estejam expostos nas vitrines das livrarias.
Eu não concorrerei mais a patrono.
Quer dizer, só depois que o prêmio for dado, sem eleição, a Sérgio Faraco, Tabajara Ruas, Sérgio da Costa Franco, Luis de Miranda, Airton Ortiz e Jane Tutikian.
Se eu fosse escolhido, renunciaria em favor de Luis de Miranda.
Sartre renunciou ao Nobel.
Eu renunciaria ao patronato.
Seriamos só dois no mundo a ter feito grandes renúncias: Sartre e eu.
Meus inimigos dirão: "As uvas estavam verdes mesmo".
É muito provável.
Ninguém precisa acreditar em mim.
Deu Paixão na cabeça.
Foi o resultado mais justo.
Postado por Juremir Machado da Silva - 01/09/2010 10:25 - Atualizado em 01/09/2010 10:27

O chocalate de Dilma

É isso aí: está pintando um chocolate.
Dilma Roussef deve vencer no primeiro turno. Tem muita gente desesperada. E mais gente ainda sem entender o que está acontecendo. Todas as previsões dos especialistas fracassaram.
Só o Everaldo acertou.
Everaldo é motorista de táxi. Tem ponto no HPS. Nas horas vagas, formou-se em História.
Enquanto Carlos Augusto Montenegro, o vidente do Ibope, previa uma vitória de José Serra no primeiro turno, Everaldo já anunciava um passeio da Dilma. Everaldo é de esquerda. Montenegro é de direita?
Por que mesmo está tão fácil para a candidata do PT? É simples.
O presidente Luiz Inácio fez três coisas estupendas pelo Brasil: o Bolsa-família, o Prouni e a manutenção da política de austeridade econômica.
Foram medidas de primeiro mundo.
Quem ainda não entendeu isso? A direita. E a extrema-esquerda.
A direita acha que é muito.
A esquerda sabe que é pouco.
O Brasil pode mais.
Mas não com esse José Serra aí.
Qual o critério de escolha política de um empresário? O interesse econômico. O povo pensa da mesma maneira.
O Brasil está melhor hoje do que ontem.
Previu-se que José Serra esmagaria Dilma nos debates? Qual o fundamento dessa previsão? Nada além do chamado nexo causal fantasioso e ideológico. Funciona assim: Serra é tucano, os tucanos são racionais, a racionalidade se expressa através de um discurso encadeado e demonstra uma competência especializada, que se consegue, em geral, com mestrado e doutorado nos Estados Unidos ou na Europa.
Acontece que nem sempre funciona assim.
Dilma e Serra não têm carisma.
Jamais se viu Serra brilhar num debate.
Nada permitia imaginar que ele tornasse um monstro da argumentação de um momento para outro.
Os dois mostram níveis de competência técnica semelhantes. Ambos têm pavio curto, personalidade forte e certa arrogância. Mas Dilma representa um governo nacional progressista que deu certo, apesar das suas alianças espúrias, ou graças a elas, e encarna uma perspectiva de avanço que Serra está muito longe de reconhecer.
Na hora da campanha, com as bandas nas ruas, o que se viu foi uma guinada de Serra para a extrema-direita. O PSDB, que se parecia com o melhor do PMDB na época da sua fundação, está cada vez mais semelhante ao pior do PFL, a turma que veio da Arena e acabou abrigada nessa sigla de nome esquisito, Dem.
Dilma vai ganhar por ser melhor para o Brasil.
O único argumento que restou para a direita é a crítica à corrupção, especialmente ao mensalão.
Não cola mais. É o roto falando do descosido.
No fundo, a direita se lixa para a corrupção, assim como já se lixou para a democracia. Se der dinheiro, aposta até em ditadura. Parece rasteiro? É rasteiro. A dor da direita é ter de ver um operário esperto, capaz de costurar alianças duvidosas, fazer mais pelo Brasil do que os doutos. Por quê? Porque a direita nunca quis dividir o bolo. Achava que sempre poderia enrolar os otários e manter o controle do fazendão.
Não imaginava que a plebe se atreveria a defender seus próprios interesses e a cair na folia.

Postado por Juremir Machado da Silva - 31/08/2010 11:03

Privada de John Lennon inaugura a hiper-pósmodernidade

Charles Jencks datou com precisão o começo da pós-modernidade: 15 de julho de 1972, às 15h32.
Momento exato da implosão, em St Louis, nos Estados Unidos, de um prédio tipicamento modernista, segundo David Harvey, "uma versão premiada da máquina para a vida moderna de Le Le Corbusier".
Uma gaiola insuportável para gente pobre.
A pós-modernidade acabou neste sábado, 28 de agosto de 2010, às 20h18, quando, segundo a mídia, "um vaso sanitário que pertenceu a John Lennon foi leiloado por 9.500 libras (cerca de R$ 25.750) em Liverpool, na Grã-Bretanha" .
O comprador poderá dizer aos amigos: "Aqui defecava um Beatles".
A imprensa está em delírio: "O vaso de porcelana foi usado pelo ex-Beatle durante os três anos em que ele viveu em Tittenhurst Park, no condado de Berkshire (centro-sul da Grã-Bretanha), entre 1969 e 1972.  Lennon havia dado a privada ao pedreiro John Hancock, após ele instalar um novo vaso em sua casa, sugerindo a ele que o usasse como "um vaso para plantas".
Saudável sugestão.
A privada de uma celebridade é sempre multiuso e tem uma uma história, uma "biografia":  "O vaso em porcelana branca, decorado com frisos e motivos florais azuis, foi usado pelo músico quando vivia em sua casa de Tittenhurst Park no condado de Berkshire (sudeste da Inglaterra), entre 1969 e 1972".
Moral da história: começa um novo tempo.
O feliz comprador poderá citar Karl Marx pensando no vaso de Lennon: "A cada um conforme as suas necessidades". Postado por Juremir Machado da Silva - 30/08/2010 11:37

O que estou fazendo aqui?

Sábado à tarde. Navego na internet. Paris Hilton foi presa em Las Vegas com cocaína na bolsa. Ele nega. Diz que a bolsa não era sua. E a cocaína? O que me importa a vida de Paris Hilton? Nadica. Juiz militar do caso envolvendo os policiais do caso do filho da atriz da Cissa Guimarães é pego roubando cabos de telefonia na praia de Botafogo. Olho pela janela. Está cinza lá fora. Fernando Gabeira é parado por traficantes armados durante campanha na favela Vila Cruzeiro. As autoridades cariocas garantem que a cidade do Rio de Janeiro está pacificada. Maravilhosa! A cidade? Não. Quer dizer, sim, isto é, o Rio de Janeiro é maravilhoso apesar de seus governantes.
Paris, a capital francesa, não a patricinha chata, tem manifestação contra a morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani. Foi aí que eu me perguntei: o que estou fazendo aqui? Crise dos 48 anos? Proximidade dos 50? Lembrei-me de uma vez em que estava lendo um livro de Carlos Castañeda. Sim, eu li tudo de Carlos Castañeda. Sim, eu usava cabelos compridos e tinha ideias curtas. Já me livrei dos cabelos. Eu me impressionava com o mestre Don Juan e com os seus ensinamentos. E não desprezava a ideia de usar peyote um dia. Nunca aconteceu. Numa tarde de domingo, muito quente e melancólica, olhando o crepúsculo num vasto estacionamento, deixei escapar em voz alta: “Onde estou?” Uma senhora muito gorda olhou-me de cima a baixo, balançou a pesada cabeça e exclamou: “Ora, no restaurante do Papagaio”. Enfiei Castañeda no saco (uma mochila) e fui dormir no ônibus da Ouro e Prata até Porto Alegre.
No banco do ônibus, porém, eu havia deixado outro livro: “O terceiro olho”, de Lobsang Rampa. Temi me ouvir perguntando: “Que terceiro olho é esse afinal?” Senti mais medo ainda de ouvir a resposta da senhora gorda. Sim, eu tive meus momentos místicos e esotéricos. Mas eles não prosperaram (em qualquer sentido). Pois neste sábado, lendo as notícias na internet, voltei a falar em voz alta: “Que estou fazendo aqui?” Felizmente eu estava sozinho. A Cláudia teria me dito: “Esperando a hora do jogo do Inter”. Continuei a navegar. Alguém de Oxalá previra que o Inter não seria campeão da Libertadores. Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, previra vitória de José Serra no primeiro turno da eleição para presidente.
O que estou fazendo aqui?
Prevendo meu futuro.

Postado por Juremir Machado da Silva - 28/08/2010 17:21 - Atualizado em 29/08/2010 11:05




Busca

EDIÇÕES ANTERIORES

Acervo desde 9 de junho de 1997