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  • 12/02/2018
  • 23:49
  • Atualização: 02:28

Tijuca homenageia Falabella e Portela conta história de judeus no Brasil

Primeiras duas escolas a desfilar são contraste entre busca pela recuperação e defesa do título

Primeiras duas escolas a desfilar são contraste entre busca pela recuperação e defesa do título | Foto: Mauro Pimentel / AFP / CP

Primeiras duas escolas a desfilar são contraste entre busca pela recuperação e defesa do título | Foto: Mauro Pimentel / AFP / CP

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Teatro, cinema, televisão; atuação, direção, dramaturgia. A Unidos da Tijuca abriu a noite na Sapucaí com uma ode aos talentos múltiplos de Miguel Falabella, deixando para trás "as lágrimas de outrora" cantadas em seu animado samba - uma alusão ao carnaval do ano passado, quando um carro da escola desabou na avenida, ferindo doze pessoas. Três vezes campeã desde 2010, a Azul e Amarela acabou em penúltimo lugar por conta do acidente, e agora quer voltar ao topo.

As referências às peças, novelas, humorísticos e filmes em que Falabella se envolveu estiveram por todo o desfile, aberto com uma viagem à sua infância, na Ilha da Governador, bairro da zona norte do Rio, e às suas leituras de então. O abre-alas foi um mergulho no reino das águas de Monteiro Lobato. Foi uma alegoria de visual impactante, ao contrário de outras, de resultado pouco atraente, como o que representava sua passagem pela crônica jornalística e o d'"O beijo da mulher aranha", que ele adaptou ao teatro brasileiro.

Atual campeã do carnaval carioca (em título dividido com a Mocidade Independente) e maior vencedora dos desfiles de escolas de samba, com 22 títulos, a Portela foi a segunda escola a desfilar. A agremiação de Madureira, na zona norte do Rio, contou a história de um grupo de judeus que, expulso de Portugal, primeiro viajou para Recife, mas acabou expulso novamente pelos portugueses em 1654 e, então, fugiu para a América do Norte e ajudou a fundar a futura cidade de Nova York.

O enredo foi desenvolvido por Rosa Magalhães, a carnavalesca mais vencedora dentre os profissionais em atividade, com sete títulos. Ela assumiu a responsabilidade de substituir Paulo Barros, que após vencer na Portela em 2017 se transferiu para a Vila Isabel. O desfile aliou luxo e didatismo à tradicional disposição da comunidade portelense - a escola tem uma das maiores torcidas no samba carioca e terminou o desfile aos gritos de "bicampeã". A história dos judeus começou a ser contada a partir do momento em que foram expulsos de Portugal e chegaram a Recife. Alas retrataram a paisagem nordestina, os animais e cultivos típicos da região - principalmente a cana-de-açúcar e bichos como caranguejos e bodes.

Em seguida, foi narrada a viagem do Brasil até a América do Norte, quando o grupo chegou a ser rendido por piratas. Ao final, o sucesso em Nova York, retratada no último carro alegórico - uma sequência de prédios suntuosos e um telão que reproduzia títulos de espetáculos de sucesso na Broadway eram parte da alegoria. O desfile credencia a Portela a brigar pelo título, embora não tenha empolgado tanto como a Mangueira fez na noite anterior.