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Porto Alegre, terça-feira, 23 de Outubro de 2018

  • 03/09/2018
  • 18:31
  • Atualização: 19:47

Após incêndio no Rio, governo do RS avalia situação dos museus gaúchos

Secretaria de Cultura divulgou plano de ações para prédios públicos e históricos

Margs é um dos museus públicos estaduais | Foto: Ricardo Giusti / CP Memória

Margs é um dos museus públicos estaduais | Foto: Ricardo Giusti / CP Memória

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*Com informações de Júlia Endress e Luiz Gonzaga Lopes 

Depois do incêndio que consumiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, na noite de domingo, destruindo 90% do seu acervo, a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (Sedactel) avalia a situação dos museus públicos gaúchos. Uma reunião foi realizada na tarde desta segunda-feira para levantar os problemas das instituições e medidas para solucioná-los.

O secretário estadual Victor Hugo destaca que existem cerca de 150 prédios públicos tombados pelo Instituto de Patrimônio do Estado (Iphae) e que nem todos abrigam museus. “Temos políticas de financiamento contínuas como a Lei de Incentivo à Cultura (LIC), que asseguraram restauros como o da Igreja das Dores, da Casa Vidal em Taquara, do Casarão dos Veronese, em Flores da Cunha. Neste momento, temos três ações efetivas a tomar. A primeira é uma instrução normativa da Sedactel dando rito especial para análise do Conselho Estadual de Cultura na LIC aos projetos de restauro do patrimônio histórico de bens tombados, que apresentem laudo técnico de risco iminente de sinistro ou dano”, aponta.

A segunda medida destacada por Victor Hugo é a assinatura de um termo de cooperação técnica com a Secretaria de Obras para um check-up anual dos prédios históricos do RS. “Outra ação efetiva será o encaminhamento de projeto de lei à Assembleia Legislativa, solicitando que os bens tombados que apresentem este risco iminente possam ter isenção de 100% no ICMS à empresa que incentivar pela LIC, retirando aqueles 5% de contrapartida”, revela o titular da Sedactel, lembrando que alguns prédios históricos do Estado, como Biblioteca Pública e Palacinho ainda não têm o Plano de Prevenção e Combate a Incêndio, por questões burocráticas e grande volume de demandas no Corpo de Bombeiros, mas têm rede elétrica renovada, por exemplo. “Os nossos servidores de prédios públicos e históricos também farão o treinamento de brigadistas de incêndio dos Bombeiros”, finaliza.

Dos museus públicos estaduais, cinco estão localizados em Porto Alegre: Museu Julio de Castilhos, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, Museu Antropológico do Rio Grande do Sul. Na Capital estão ainda o Memorial e o Arquivo Histórico do RS, que guardam documentos, mapas, gravuras, fotos, livros, objetos diversos, imagens iconográficas e depoimentos importantes sobre os principais fatos ocorridos no Estado.

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Coordenador à Memória Cultural do município de Porto Alegre, Eduardo Hahn garante que, apesar de alguns problemas, a situação do Museu Joaquim José Felizardo, instituição pública da Capital, pode ser considerada boa. "A gente está tentando fazer todas as revisões necessárias para deixar ele dia", afirmou. Entre as medidas está o encaminhamento ao Ministério do Turismo de um projeto de revisão e ampliação da rede elétrica, vista como prioritária. O projeto, segundo ele, prevê a instalação de ar condicionado e iluminação do pátio do museu.

Ainda conforme Hahn, os extintores de incêndio do local estão em dia e a situação do PPCI será verificada. Quanto à estrutura, uma ação de manutenção de pintura externa está sendo feita, com lavagem das parades. "A gente está fazendo um trabalho de zeladoria, que é o que falta aqui no Brasil. Um dos grandes problemas das instituições brasileiras é que se aplica uma grande quantidade de recursos na restauração desses bens e depois, o trabalho de zeladoria, aquele diário, muitas vezes não é feito dentro do serviço público. E isso a gente está tentando fazer agora ali no Museu Joaquim José Felizardo", considera. "Isso significa, desde a troca da lâmpada, a pintura das paredes, observar a situação da rede elétrica e limpar adequadamente as nossas instituições", finaliza.