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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

  • 03/08/2018
  • 12:58
  • Atualização: 14:33

Reitor da Ufrgs adverte para “desmonte da pós-graduação” com cortes na Capes

“Governo estaria atingindo corações e mentes da área de pesquisa”, alerta Rui Oppermann

Reitor da Ufrgs, Rui Vicente Oppermann | Foto: Gustavo Diehl / Divulgação / CP

Reitor da Ufrgs, Rui Vicente Oppermann | Foto: Gustavo Diehl / Divulgação / CP

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  • Raphaela Suzin

O alerta da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do possível corte de cerca de 200 mil bolsas de programas de pós-graduação e de formação de professores em 2019 pode pôr em risco o desenvolvimento da pesquisa em todo o País. Para o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Rui Vicente Oppermann, o quadro de “redução drástica nos auxílios-bolsa” é inédito e, caso se concretize, “será um grande desastre”.

“Se esse cenário for efetivado, será um desmonte na pós-graduação do Brasil. Isso é impensável já que a pós é a sustentação de toda a formação de quadros profissionais de grande qualidade e de pesquisadores de grande qualidade”, defendeu o reitor.

• Ministros devem discutir nesta sexta-feira cortes de bolsas da Capes

Do total de bolsas que podem ser afetadas, 93 mil são destinadas para mestrado, doutorado e pós-doutorado e 105 mil para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), o Programa de Residência Pedagógica e o Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor).

“O governo estaria atingido corações e mentes da área de pesquisa, tecnologia e inovação do nosso País, bem como, e muito mais preocupante, em relação à formação dos professores da área básica”, ressaltou Oppermann. O reitor explicou que a formação de professores é a “resposta das universidades públicas para a resolução do crônico problema da educação básica”. “Os alunos merecem professores de qualidade e ensino de qualidade”, destacou.

De acordo com a Capes, caso haja cortes na verba prevista para o programa, o dinheiro para pagar bolsas pode acabar a partir de agosto do ano que vem. O presidente Michel Temer tem até o próximo dia 14 para sancionar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) referente a 2019, que definirá o recurso para a Capes.

No RS, 11,1 mil recebiam o benefício em 2016

O número de bolsas em 2018 destinadas a estudantes e professores de universidades públicas e particulares do Rio Grande do Sul não foi divulgado pela Capes. Os dados mais atuais disponíveis no site do programa são de 2016 e apontam que, na época, 11.198 alunos e professores recebiam o benefício.

Do total de bolsas, 5.087 foram destinadas ao mestrado e 5.106 ao doutorado. As demais ficaram divididas entre pós-doutorado, iniciação científica e professor, coordenador-geral e coordenador-pedagógico do programa Idiomas sem Fronteiras.

Em 2016, a área de pesquisa que mais recebeu bolsas no Estado foi Ciências Humanas com 1.702, seguida por Ciências Agrárias (1.552), Saúde (1.477), Sociais Aplicadas (1.156), Ciências Biológicas (1.031), Multidisciplinar (1.018), Engenharias (941), Ciências Exatas e da Terra (859), Linguística, Letras e Artes (561), sendo que 901 bolsas não foram informadas para qual área foram destinadas.

A Ufrgs foi contemplada com a maioria dos auxílios (3.526), seguida pela Federal de Santa Maria (1.670), PUCRS (1.343), Federal de Pelotas (1.203) e a Federal de Rio Grande (789).

Posicionamento da PUCRS

A PUCRS manifesta preocupação em relação à nota emitida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a qual refere a possibilidade de suspensão de bolsas de mestrado, de doutorado e de pós-doutorado a partir de agosto de 2019, e o prejuízo dos programas de cooperação internacional, devido à redução do orçamento. A pesquisa no Brasil ocorre, primariamente, nos Programas de Pós-Graduação e o corte de verbas colocaria em risco não apenas as ações de pesquisa e ensino no nível de pós-graduação, mas, sobretudo, a possibilidade de desenvolvimento econômico e social em nosso País.