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Porto Alegre, quarta-feira, 21 de Novembro de 2018

  • 22/09/2018
  • 10:21
  • Atualização: 12:46

Recebi ameaça e não quero pagar para ver, diz professor vítima de racismo no Rio

Thiago dos Santos Conceição espera que alunos envolvidos no caso tenham orientação pedagógica

Professor de Língua Portuguesa também declarou que se desligou da escola após o ocorrido | Foto: Reprodução/ Record TV Rio / CP

Professor de Língua Portuguesa também declarou que se desligou da escola após o ocorrido | Foto: Reprodução/ Record TV Rio / CP

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Humilhado, ameaçado de morte e agredido de forma racista por alunos de 17 e 18 anos, quando tentava aplicar uma prova na última terça-feira, o professor de Língua Portuguesa Thiago dos Santos Conceição teme pela vida. "No vídeo (gravado por um estudante durante o episódio de agressão), dá para ouvir claramente um garoto dizer: 'Esse aí veio da Nigéria'. Fazem como se fossem brincadeiras. Mas não são. Tem um ditado popular que diz: 'Quem ameaça faz'", disse Conceição, que é negro.

Ele já se desligou do Ciep Mestre Marçal, em Rio das Ostras, a 150 km do Rio, onde ocorreu a agressão. E deixou o município definitivamente. Conceição, de 31 anos, dez de profissão e há sete meses na unidade de ensino, tem enfrentado dificuldade para dormir. Chora e se sente impotente por não conseguir exercer sua profissão como gostaria.

Conceição enxerga os alunos, que estão no 9° ano, como vítimas de um contexto social difícil. "Eu tenho esperança de que esse cenário pode mudar. Acredito na Educação." A seguir, a entrevista.

Como tudo começou?

Eu estava dando a prova, e os alunos resolveram agir daquela forma, com toda aquela agressividade. Estavam transtornados. Não teve discussão, nada antes. Eu lido com aquele contexto. Eles foram para a sala já com aquele objetivo. Não queriam fazer a prova. Eu pedia para ficarem sentados e em silêncio.

Esse comportamento desrespeitoso e violento é rotineiro?

No telefone do garoto tem toda a filmagem dessa e de outras brutalidades que eles vêm fazendo. Já aconteceu confusão com funcionário da escola em que o guarda deu tapas no rosto de um garoto, e ele revidou. Entrei em fevereiro no Ciep, como temporário. Sabia que seria um ambiente difícil, mas no meio do caminho percebi que seria pior.

Já tinha sido agredido?

Não. Mas aconteceram violências. Teve o furto de um lanche da minha bolsa. O sumiço de um telefone de um aluno - alguém pegou e ainda não devolveu. Ouvi palavras ofensivas, sofri preconceitos.

Teme voltar à sala de aula?

Eu fui empurrado, recebi ameaça direta. No vídeo você ouve dizer: 'Vou matar'. Não quero pagar para ver. Saí de Rio das Ostras e não volto. Mas não quero que (os alunos envolvidos no incidente) sejam expulsos. Tem de haver ação pedagógica, isso sim. São diversos fatores que levaram àquela situação, questão social, negligência dos pais. Não adianta transferi-los de escola, e outro colega passar pelo que passei. Vou continuar lecionando. Agora, quero conseguir uma bolsa para fazer mestrado, continuar a minha formação, talvez na área de políticas públicas em educação, que é minha paixão.