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Porto Alegre, quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

  • 26/06/2018
  • 12:31
  • Atualização: 12:46

Rede de proteção a mulheres vítimas de violência, ocupação Mirabal conquista nova sede

Após muita luta, mulheres e crianças em vulnerabilidade social poderão ser acolhidas em novo prédio

Hoje, dez mulheres e quatro crianças vivem no local | Foto: Roberta Requia / Especial / CP

Hoje, dez mulheres e quatro crianças vivem no local | Foto: Roberta Requia / Especial / CP

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  • Raphaela Suzin

Ameaçada de despejo, a ocupação Mirabal - uma das principais redes de proteção a mulheres vítimas de violência doméstica em Porto Alegre – conquistou nova sede. Ainda não há previsão para a mudança, mas as integrantes do grupo devem ocupar o prédio que foi da Escola Benjamin Constant, no bairro São João.

Hoje, dez mulheres e quatro crianças vivem na ocupação, na rua Duque de Caxias, no Centro de Porto Alegre. Com o pedido da Congregação dos Irmãos Salesianos de reintegração de posse do prédio, em junho deste ano, a preocupação do Movimento de Mulheres Olga Benário, que coordena a Mirabal, era não ter um local para abrigar as vítimas de violência. Após muita luta e reuniões, o governo do Estado e a prefeitura de Porto Alegre ofereceram para a ocupação o espaço da escola, que foi fechada este ano pelo governo.

“É uma conquista ter o novo prédio. Mas é só o começo, precisamos resolver muita coisa ainda. Mas é uma conquista só por não termos mais que passar todos os dias com medo de sermos mandadas para a rua”, revela Sarah Domingues, uma das coordenadoras da Mirabal.

Na segunda-feira, o Movimento de Mulheres Olga Benário visitou as dependências do novo prédio e solicitou ao Grupo de Trabalho, que envolve o governo do Estado e a prefeitura, conserto no telhado e a ligação da energia elétrica. Os serviços devem ser realizados de forma comunitária. A estrutura é um pouco menor do que a que ocupação tem hoje, contudo as organizadoras acreditam que conseguem seguir com o trabalho no novo espaço.

Mas até que a obra seja finalizada e os trâmites burocráticos sejam concluídos, a reintegração de posse pode ser cumprida pela Justiça. Por isso, o Grupo de Trabalho solicitou aos Salesianos prazo de 90 dias para que a mudança seja realizada, evitando que a ocupação seja despejada do atual local. A reportagem procurou a congregação, mas até a publicação da matéria não obteve retorno.

Foto: Roberta Requia / Especial / CP

Ocupação já acolheu cerca de 200 mulheres

A ocupação nasceu em novembro de 2016 e desde então acolheu cerca de 200 mulheres e abrigou mais de 70, além de seus filhos. “Nosso foco é ser centro de referência e o abrigamento é feito em último caso”, explica Sarah.

A rede de apoio às mulheres vítimas de violência, como a Mirabal, é apontada pelo Atlas da Violência, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), como uma das principais formas de reduzir o número de feminicídios no Brasil. “Muitas (mortes) poderiam ser evitadas, impedindo o desfecho fatal, caso as mulheres tivessem tido opções concretas e apoio para conseguir sair de um ciclo de violência”, destacam os pesquisadores no Atlas.

Em dez anos, o número de mulheres assassinadas teve alta de 90,1% no Rio Grande do Sul, passando de 162 casos, em 2006, para 308, em 2016. Em todo o País, a alta no período foi de 15,3%, passando de 4.030 homicídios para 4.645. Por isso, a importância de que movimentos, como a Mirabal, persistam no Estado: para acolher mulheres e evitar que sejam assassinadas por motivos fúteis, como o de gênero.