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  • 19/08/2018
  • 20:40
  • Atualização: 20:54

Entrada de venezuelanos diminui após confronto na fronteira

Moradores em Roraima atacaram acampamentos de imigrantes

Moradores em Roraima atacaram acampamentos de imigrantes | Foto: Isaac Dantes / AFP / CP

Moradores em Roraima atacaram acampamentos de imigrantes | Foto: Isaac Dantes / AFP / CP

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O fluxo de venezuelanos viajando para o Brasil diminuiu neste domingo após um dia de tensão vivido no município fronteiriço de Pacaraima, no estado de Roraima, onde moradores atacaram dois acampamentos improvisados de imigrantes, forçando-os a voltar para seu país. No sábado, depois que dezenas de brasileiro de incendiaram as tendas de campanha e pertences dos imigrantes que acampavam perto da fronteira com a Venezuela, cerca de 1.200 venezuelanos retornaram a seu país.

Em média 500 venezuelanos cruzam a fronteira terrestre com o Brasil. Pacaraima, com 12 mil habitantes, tem sentido o impacto da onda migratória nos últimos três anos, com um aumento de 10% da população, a maioria em situação de rua. O Brasil não é o principal destino escolhido pelos venezuelanos, mas é um dos poucos países na região que não exige passaporte para eles ingressarem.

O presidente Michel Temer convocou uma reunião de emergência neste domingo para avaliar a situação na fronteira com a Venezuela. O Executivo resolveu enviar um contingente de 120 efetivos da Força Nacional para reforçar a segurança e 36 voluntários para atender a área de saúde.

A situação em Pacaraima, próxima à venezuelana Santa Elena de Uairén, estava tranquila na manhã deste domingo, de acordo com a Polícia Militar. "A cidade parece deserta hoje. Está muito tranquila, porque chegou reforço policial, e os mercados estão reabrindo", disse um morador que pediu anonimato.

O ataque aos venezuelanos aconteceu no sábado, depois que se espalhou a notícia sobre uma tentativa de assalto a um comerciante brasileiro que foi ferido em sua casa. Os familiares responsabilizaram os venezuelanos e, em represália, dezenas de residentes do município foram às ruas, onde perseguiram os imigrantes até a linha da fronteira.  "Foi terrível, queimaram as barracas e tudo o que havia dentro", contou Carol Marcano, venezuelana que trabalha em Boa Vista e que estava na fronteira voltando de seu país. "Houve tiros, queimaram pneus", disse.

A governadora do estado de Roraima, Suely Campos, reiterou que deveriam fechar temporariamente a fronteira, porque as autoridades estão sobrecarregadas, especialmente na capital Boa Vista, e pediu a Brasília reforços para "enfrentar o aumento da criminalidade".