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  • 28/08/2018
  • 19:43
  • Atualização: 19:59

Temer decreta uso das Forças Armadas para segurança em Roraima

Presidente garantiu que decisão é para "complementar ações humanitárias" com venezuelanos

Presidente garantiu que decisão é para

Presidente garantiu que decisão é para "complementar ações humanitárias" com venezuelanos | Foto: Mauro Pimentel / AFP / CP

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* Com informações da Agência Brasil

O presidente Michel Temer anunciou nesta terça-feira que serão enviados militares das Forças Armadas para controlar a crise imigratória no Estado de Roraima. A medida será tomada por meio de um decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). "Decretei hoje o emprego das Forças Armadas para a Garantia da Lei e da Ordem no Estado de RR para oferecer segurança aos brasileiros e aos migrantes venezuelanos que fogem do seu país em busca de refúgio no Brasil", afirmou Temer. O decreto deve ser publicado no Diário Oficial da União nesta quarta.

De acordo com o presidente, a decisão vai "complementar as ações humanitárias que o governo federal promove há vários meses em Pacaraima e em Boa Vista". Temer ainda aproveitou o anuncio para criticar o governo venezuelano de Nicolás Maduro. “A onda migratória em Roraima é resultado das péssimas condições de vida a que está submetido o povo venezuelano”, afirmou ele, que completou dizendo que é preciso “encontrar urgentemente um caminho para mudar essa situação”.

Segundo o presidente, o Brasil vai realizar “todos esforços” e atuar, inclusive, em foros internacionais para “alterar esse quadro dramático”, que “ameaça a harmonia de vários países do continente”. Informações da OIM (Organização Internacional das Migrações) apontam que 2,3 milhões de pessoas deixaram a Venezuela desde 2013. Destes, 50 mil migraram para o Brasil.

Segundo o ministro da Defesa, general Silva e Luna, não houve pedido da governadora do estado, Suely Campos, para edição desse decreto. A GLO, período em que os militares têm poder de polícia, terá validade de 29 de agosto até 12 de setembro. Ao final do período, será avaliada a continuidade ou não da medida. O efetivo utilizado será aquele que já atua na região. O emprego militar se dará em um perímetro que engloba as cidades de Pacaraima, que faz fronteira com a Venezuela, e Boa Vista, que têm acolhido os migrantes que vão além de Pacaraima.

Críticas ao governo de Maduro

Em seu pronunciamento, o presidente criticou o governo do presidente Nicolás Maduro por não "cuidar do seu povo" e, com isso, criar uma situação "trágica" em todo o continente. "A onda migratória em Roraima é resultado das péssimas condições de vida a que está submetido o povo venezuelano. É isso que cria essa trágica situação que afeta quase toda a América do Sul. O Brasil respeita a soberania dos estados, mas temos de lembrar que só é soberano um país que respeita e cuida do seu povo". Temer afirmou ainda que buscará a solução para a crise na Venezuela em "todos os foros internacionais": "Por isso é preciso encontrar urgentemente um caminho para mudar essa situação. A crise avançou pela fronteira de vários países e ameaça a harmonia de todo o continente".

Venezuelanos no Brasil

Em Boa Vista, ainda vivem nas ruas cerca de dois mil venezuelanos e outros seis mil estão em abrigos no estado. A Polícia Federal estima que entraram no país quase 130 mil venezuelanos, de 2017 até junho deste ano. Desses, cerca de 60% já deixaram o território brasileiro. Os dados atualizados de ingresso de venezuelanos no país devem sair nos próximos dias. Na semana passada, moradores de Pacaraima expulsaram venezuelanos de barracas e abrigos e atearam fogo a seus pertences, em um protesto contra a presença deles na cidade. O motivo do conflito foi o assalto e espacamento de um comerciante local, supostamente cometido por quatro venezuelanos, que provocou a revolta dos moradores da cidade.