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Porto Alegre, domingo, 20 de Janeiro de 2019

  • 11/01/2019
  • 23:31
  • Atualização: 11:14

Trump recua da ideia de declarar emergência nacional para fazer muro

Presidente avalia outras estratégias, enquanto paralisação do governo dos EUA segue

Presidente avalia outras estratégias, enquanto paralisação do governo dos EUA segue | Foto: Brendan Smialowski / AFP / CP

Presidente avalia outras estratégias, enquanto paralisação do governo dos EUA segue | Foto: Brendan Smialowski / AFP / CP

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A Casa Branca recuou nesta sexta-feira, da possibilidade de declarar emergência nacional para conseguir verba para erguer um muro na fronteira com o México. O presidente Donald Trump não descartou a ideia, mas afirmou que, ao menos agora, não deverá realizar a manobra - o que faria com que os recursos direcionados a outras áreas do governo fossem usados para a construção do muro à revelia do Congresso.

O impasse em torno do tema faz a paralisação parcial do governo americano, chamada de "shutdown", ter chegado ao 21º dia, alcançando a mais longa parada da história dos Estados Unidos. Ao menos 800 mil servidores federais são afetados - cerca de 420 mil trabalham sem receber salários e os demais estão em casa, também sem receber o pagamento.

O recuo na ameaça de declarar emergência nacional e confrontar diretamente os democratas foi estimulado pela resistência que Trump enfrentou no próprio Partido Republicano. Não há sinal, contudo, de como Trump e os democratas chegarão a um acordo sobre a exigência de US$ 5,7 bilhões no orçamento federal para a construção do muro. A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, afirmou que não tem sofrido pressão de seu eleitorado para ceder. Segundo ela, os eleitores democratas pedem que o partido siga firme.

Enquanto deixa o terreno preparado para uma eventual declaração de emergência, a Casa Branca estuda usar os fundos destinados para desastres naturais como opção de financiamento do muro fronteiriço. Duas fontes ouvidas pelo jornal Washington Post disseram hoje que o governo pediu ao Corpo de Engenheiros do Exército que determine como contratos imediatos podem ser assinados para o uso dessa verba, destinada, por exemplo, para locais afetados por incêndios e tufões, para a construção do muro. O governo quer que a construção seja iniciada dentro de 45 dias.

A verba atual no fundo aprovada pelo Congresso no ano passado é de US$ 13,9 bilhões. O dinheiro, que não foi usado, estava destinado a projetos de construção civil, como formas de contenção de inundações.

Os EUA já sentem os efeitos da paralisação do governo com serviços federais suspensos ou com atendimento reduzido - isso inclui, por exemplo, serviços de patrulha nos parques federais e no atendimento em aeroportos. Um terminal do Aeroporto Internacional de Miami, na Flórida, ficará fechado de hoje até segunda-feira para compensar a ausência de alguns trabalhadores da Administração de Segurança dos Transportes. Agentes de imigração que trabalham nos aeroportos têm se queixado a passageiros sobre estarem trabalhando sem receber o salário.

Os principais sindicatos do transporte aéreo, entre eles os de pilotos, tripulação e controladores aéreos, denunciaram que a situação está piorando, e advertiram sobre o risco que isso impõe à segurança do país.

Na quinta-feira, servidores federais protestaram do lado de fora do Capitólio e da Casa Branca - as manifestações ocorreram também em outras cidades. Os cartazes dos manifestantes traziam imagens pedindo "Congresso, faça o seu trabalho para que possamos fazer o nosso", " Trump, encerre o shutdown" e "Meu locador está ligando e eu preciso pagar o aluguel".