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Porto Alegre, segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

  • 12/06/2018
  • 09:12
  • Atualização: 09:34

Assinamos acordo com Coreia do Norte, mas sanções seguem em vigor, diz Trump

Presidente afirmou que deixará de realizar exercícios militares na região, como gesto de boa vontade

Assinamos acordo com Coreia do Norte, mas sanções seguem em vigor, diz Trump  | Foto: Saul Loeb / AFP / CP

Assinamos acordo com Coreia do Norte, mas sanções seguem em vigor, diz Trump | Foto: Saul Loeb / AFP / CP

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  • AE e AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que teve um dia "muito intenso", no encontro com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, em Singapura. Trump disse que as duas partes assinaram "um documento muito abrangente", que prevê o fim das armas nucleares na Península Coreana, mas ressaltou que por enquanto as sanções contra o regime de Pyongyang seguem em vigor.

"Estamos preparados para iniciar um novo capítulo entre nossas nações", disse Trump durante entrevista coletiva, ainda em singapura. Segundo ele, o governo americano segue atento aos passos da Coreia do Norte, mas o acordo é um esforço válido para buscar a paz. Trump ainda comentou que a Guerra da Coreia "em breve será encerrada".

O confronto entre as Coreias, que foi de 1950 a 1953, terminou em um armistício, não com um acordo de paz formal, o que o presidente americano sugeriu que pode agora conseguir. O líder americano afirmou que, como um gesto de boa vontade com a Coreia do Norte, os EUA deixarão de realizar exercícios militares na região, uma demanda antiga do regime norte-coreano.

Ele admitiu que esses exercícios são "uma situação de provocação" e disse que o fim deles permitirá economizar milhões de dólares, mas ressaltou que não será reduzida a capacidade nuclear. Lembrou ainda deseja retirar soldados do exterior e levar de volta aos EUA, mencionando os milhares de militares americanos atualmente na Coreia do Sul. Trump enfatizou que o acordo com a Coreia do Norte será alvo de verificações, que devem contar com a participação de americanos e de especialistas de outros países.

"Kim iniciará um processo que tornará as pessoas muito felizes e seguras", disse. O presidente norte-americano anunciou que o regime norte-coreano já concordou em destruir um grande local de testes de motores de mísseis e em fechar seus locais de testes nucleares.

Sem prazo 

Questionado sobre prazos, Trump apontou que isso não está ainda fechado. Segundo ele, os norte-coreanos começarão "imediatamente" a destruir suas armas nucleares. Trump disse que cientistas explicam que esse processo pode levar bastante tempo, mas que as sanções podem começar a ser retiradas assim que a Coreia do Norte chegar a um ponto em que não possa mais recuar da iniciativa. "Vamos retirar sanções assim que percebermos que as armas nucleares já não têm efeito."

O presidente disse também que não houve "tempo" no dia de hoje para fechar um acordo sobre detalhes para acabar com as armas nucleares com Kim. De acordo com Trump, será provavelmente necessário realizar mais um encontro com o líder norte-coreano para tratar de detalhes da iniciativa. Ele disse ainda que, na próxima semana, autoridades americanas devem discutir com Pyongyang como colocar as mudanças em prática. "Não se pode garantir nada, mas posso dizer que a Coreia do Norte quer fazer o acordo."

Trump também reforçou que desenvolveu uma relação "muito boa" com Kim, durante o encontro. Além do que consta no documento final assinado, outros temas foram negociados, explicou. Trump agradeceu aos líderes de Coreia do Sul, Japão e China por seu envolvimento para que houvesse avanços no diálogo com Pyongyang. Perguntado sobre a questão dos direitos humanos na Coreia do Norte, inicialmente Trump disse que o tema foi levantado "de modo relativamente breve" com Kim. 

Coreia atende demanda antiga do Japão 

Mais adiante, afirmou que o tema foi discutido de maneira mais prolongada, notando que a situação no país "é bastante dura, sem dúvida". De acordo com Trump, a Coreia do Norte concordou em devolver os restos mortais de pessoas mortas em conflitos, como na Guerra da Coreia. Ele lembrou que essa é uma demanda antiga do Japão e que ouve frequentemente esse pedido de familiares de militares que morreram em território norte-coreano. Sobre os custos do processo de desnuclearização, Trump disse que a Coreia do Sul e o Japão terão de ajudar e que os EUA também devem colaborar. Segundo ele, a Coreia do Norte possui um arsenal "substancial" de armas nucleares.

Trump disse que pode ser que a tentativa de paz fracasse, mas se disse otimista quanto ao compromisso do regime do país asiático. A respeito do futuro da Coreia do Norte, Trump afirmou que caberá aos norte-coreanos decidir que modelo pretendem seguir, citando que o país tem praias e poderia construir hotéis e receber clientes da região. "Pense nisso da perspectiva imobiliária", comentou ele, que fez sua carreira nos negócios como empresário no setor.

O presidente americano revelou que, na semana passada, estavam prontas novas sanções contra a Coreia do Norte, mas ele optou por não impô-las. O argumento foi de que seria "desrespeitoso" fazer isso às vésperas da cúpula com Kim. Trump afirmou ainda que os EUA impuseram "sanções brutais" contra o Irã, após os americanos abandonarem o acordo internacional sobre o programa nuclear de Teerã. Para Trump, isso pode levar os iranianos a negociar um acordo melhor que o atual, fechado durante o governo do ex-presidente Barack Obama. "O Irã é um país diferente agora do que há três ou quatro meses, não estão tão confiantes", avaliou.