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  • 14/03/2018
  • 00:51
  • Atualização: 11:00

Morre o cosmologista Stephen Hawking, aos 76 anos

Uma das maiores mentes científicas modernas, cientista ajudou a desvendar buracos negros

Uma das maiores mentes científicas modernas, cientista ajudou a desvendar buracos negros | Foto: Niklas Halen / AFP / CP

Uma das maiores mentes científicas modernas, cientista ajudou a desvendar buracos negros | Foto: Niklas Halen / AFP / CP

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  • Correio do Povo e AFP

Um dos maiores nomes da física moderna, Stephen Hawking morreu aos 76 anos. A família do cosmologista divulgou nota, na madrugada desta quarta-feira, lamentando o falecimento do homem que colocou novas perspectivas para interpretar o Universo, ajudando a desvendar a evolução dos buracos negros e mergulhar  nos mistérios do espaço-tempo.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, comunicado assinado pelos filhos do cientistas – Lucy, Robert e Tim – confirmou o falecimento. "Estamos profundamente entristecidos pela passagem de nosso amado pai. Ele era um grande cientista e um homem extraordinário, cujo legado viverá por muitos anos", escreveram. De acordo com o comunicado, o cientista morreu em sua casa, em Cambridge, nas primeiras horas desta quarta-feira.

O físico britânico, era o cientista mais popular desde Albert Einstein e um gênio que desvendou segredos do universo enquanto lutava contra uma terrível doença. Hawking tinha o status de um astro do rock e sua vida foi retratada no filme "A Teoria de Tudo", de 2014, que deu o Oscar de melhor ator a Eddie Redmayne.

Hawking nasceu em 8 de janeiro de 1942 em Oxford, na Inglaterra, 300 anos após a morte de Galileu. Aos 8 anos se mudou para St. Albans, cidade localizada a cerca de 30 quilômetro de Londres. Estudou na University College, de Oxford. Pretendia se dedicar à Matemática, mas como esta não integrava a grade da universidade, escolheu a Física e se graduou em 1962.

Professor emérito em Cambridge

Em 1965 recebeu sua primeira premiação, na licenciatura em Ciências Naturais. Emigrou de Oxford para Cambridge visando a Cosmologia, onde se tornou doutor na área. Foi professor de Matemática em Cambridge, professor lucasiano emérito - mesma posição ocupada por cientistas como Charles Babbage, Isaac Newton e Paul Dirac, e dirigiu o departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica da mesma universidade. Em 1974, tornou-se um dos mais jovens membros da Royal Society, com apenas 32 anos. Suas principais áreas de especialidade eram cosmologia teórica e gravidade quântica. "Meu objetivo é simples. Entender completamente o Universo, por que é, como é, e simplesmente seu motivo de existir".

Muitos de seus trabalhos se concentraram em alinhar a relatividade à teoria quântica para explicar a criação e o funcionamento do Universo. Hawking testou as teorias de Newton em 2007, quando aos 65 anos realizou um voo em gravidade zero nos Estados Unidos, e esperava fazer um voo suborbital. "Penso que a raça humana não tem futuro senão no espaço". "Acredito que a vida na Terra está diante de um risco cada vez maior de ser destruída por um desastre, como uma guerra nuclear repentina, um vírus geneticamente criado ou outros perigos".

Autor de livros 

Hawking também foi o autor de 14 livros, como "O universo em uma casca de noz" e "Uma nova história do tempo". Aos 21 anos foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença que acaba com os neurônios motores, as células nervosas responsáveis pelos movimentos do corpo, perdendo progressivamente sua capacidade de se mover, falar, engolir e até respirar. Hawking acabou confinado a uma cadeira de rodas e dependente de um sistema de voz computadorizado para se comunicar, mas derrubou todos os prognósticos médicos sobre sua expectativa de vida.

"Tratei de levar a vida mais normal possível e de não pensar na minha doença ou lamentar as coisas que não posso fazer, que não são tantas", escreveu certa vez.

Jane e o enigma

O gênio se casou em 1965 com Jane Hawking, com quem teve seus três filhos, separando-se em 1991. Quatro anos depois se casou com a enfermeira Elaine Mason, de quem se divorciou em 2006. Certa vez disse que o único enigma que não conseguiu desvendar foram "as mulheres". "Um mistério total". O astrofísico prosseguiu trabalhando até o fim, sem perder sua curiosidade e sua humildade diante dos mistérios da ciência. "Parece que acabo de perder 100 dólares", admitiu em 2012 após a descoberta do bóson de Higgs, a partícula proposta Peter Higgs e considerada como o Santo Graal da cosmologia.

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