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  • 14/08/2018
  • 08:32
  • Atualização: 09:24

Anistia Internacional pede às autoridades resposta sobre caso Marielle

ONG diz que impunidade no crime silencia defensores dos direitos humanos

Anistia Internacional pede às autoridades resposta sobre caso Marielle | Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / CP

Anistia Internacional pede às autoridades resposta sobre caso Marielle | Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil / CP

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  • Agência Brasil

A Anistia Internacional, no dia em que se completa 5 meses das mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista, Anderson Gomes pede respostas às autoridades da área de segurança sobre os mandantes e responsáveis da execução. Os dois foram brutalmente executados no bairro do Estácio, região central do Rio, quando Marielle retornava de um encontro com mulheres negras, na Rua dos Inválidos e foi vítima junto com o motorista, quando ia para casa, no bairro da Tijuca. Após cinco meses, às vésperas de se iniciar o processo eleitoral, não há respostas sobre os autores, os mandantes e a motivação do assassinato de Marielle, a quinta vereadora mais votada da cidade nas eleições de 2016.

Em nota, a diretora executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck diz que "cinco meses depois do assassinato de Marielle Franco ainda não temos respostas sobre quem a matou. É grave que se inicie um processo eleitoral sem que se descubra quem são os responsáveis pelo assassinato de uma vereadora em pleno exercício de seu mandato e quais foram as motivações. O início do período de campanha eleitoral levanta a preocupação de que o caso seja negligenciado", cobrou.

A diretora da Anistia Internacional disse ainda que as autoridades e instituições do sistema de justiça criminal devem garantir que as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco não sejam colocadas de lado durante o período de campanha eleitoral. "Marielle era defensora de direitos humanos e vereadora na segunda maior cidade do país. Sua execução na vigência de seu mandato parlamentar significa não só um ataque aos direitos humanos, mas também um ataque às instituições democráticas. Seu assassinato não pode ficar sem uma resposta adequada", avaliou Jurema.

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A Anistia Internacional continua reiterando a urgência do estabelecimento de um mecanismo externo e independente de monitoramento das investigações, formado por especialistas no tema e que não tenham conflito de interesses em relação ao caso. Este mecanismo deverá acompanhar as investigações, o cumprimento das diligências e verificar se está havendo algum tipo de influência indevida ou negligências.

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A ONG diz também no documento que o fato de uma defensora de direitos humanos e vereadora com a visibilidade de Marielle ser executada sem que haja uma resposta contundente do Estado brasileiro é muito preocupante e deixa outros defensores de direitos humanos expostos a maior risco, gerando medo e silenciamento. De acordo com Jurema Werneck, "no Brasil, dezenas de defensores de direitos humanos são assassinados todos os anos. A grande maioria destes crimes não é investigada. A resolução correta desse caso é fundamental para que se rompa um ciclo de impunidade e violência contra defensores de direitos humanos no Brasil", finalizou.

Ofício às autoridades

Nesta terça-feira às 9 horas, a Anistia Internacional e os familiares de Marielle Franco entregam ofício ao secretário de Segurança Pública, general Richard Nunes, na sede da secretaria, no prédio da Central do Brasil. Cópias do documento serão entregues ao ministro da Justiça, Torquato Jardim, ao interventor da segurança no Rio, general Braga Netto, entre outras autoridades.