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  • 13/03/2018
  • 15:21

Líder comunitário é morto a tiros no Pará

Vítima era conhecida por denunciar crimes ambientais na região

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  • Agência Brasil

O líder comunitário Paulo Sérgio Almeida Nascimento, de 47 anos, foi morto a tiros, na madrugada dessa segunda-feira, na zona rural de Barcarena, na região metropolitana de Belém do Pará. Representante da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), Nascimento era conhecido por denunciar crimes ambientais e agrários. Tudo o que se sabe até o momento é que ele foi baleado por um homem ainda não identificado poucas horas após chegar à sua casa, em uma área do distrito de Vila dos Cabanos ocupada por sem-terras.

Segundo testemunhas, o líder comunitário foi alvejado por volta das 3h30, quando se levantou para ir ao banheiro, instalado fora da casa de madeira. O autor do crime fugiu pela mata. O assassinato está sendo investigado pela Delegacia de Vila dos Cabanos, com o apoio da Divisão de Homicídios de Belém. Oito pessoas próximas a Nascimento devem prestar depoimento ainda nesta terça-feira. Ontem, policiais que estiveram no local do crime conversaram com pessoas que viviam perto do líder comunitário ou o viram em suas últimas horas de vida para tentar remontar os passos da vítima e tentar descobrir o que ocorreu.

Há tempos, Nascimento e outros integrantes da Cainquiama questionavam as operações de empresas como a mineradora Hydro AluNorte, cujos resíduos tóxicos atingiram igarapés e rios da região no mês passado. Em nota, o Ministério Público do Pará confirmou que, em janeiro deste ano, integrantes da associação comunitária denunciaram que estavam sendo ameaçados por policiais militares. Após a denúncia, a Promotoria de Justiça Militar solicitou à secretaria estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) que adotasse as providências necessárias para garantir a integridade e a segurança dos denunciantes. O secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Luiz Fernandes Rocha, disse na noite dessa segunda-feira que o pedido do promotor de Justiça Militar Armando Brasil envolvia disponibilizar proteção policial para algumas das lideranças comunitárias de Barcarena que afirmavam que suas residências tinham sido invadidas por policiais militares.

O secretário afirma ter respondido ao promotor que os pedidos de proteção a pessoas ameaçadas deviam ser encaminhados primeiramente à Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), responsável por encaminhá-los para a avaliação do Conselho do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Estado. Ainda de acordo com Rocha, outro caminho seria o próprio Ministério Público estadual, que tem assento no conselho estadual, apresentar a denúncia à Secretaria de Justiça.

Segundo Rocha, o pedido nunca chegou à Sejudh. "O que será feito de imediato por nós, para que a Sejudh faça a análise e avalie se cabe a proteção (para outros membros da Cainquiama) e, em caso positivo, em qual programa será feito o ingresso dos envolvidos", declarou o secretário a jornalistas após o assassinato de Nascimento.

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar já instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as denúncias de que policiais militares teriam ameaçado e invadido as residências das lideranças comunitárias. Em nota, a Hydro AluNorte informou que condena qualquer ação violenta e repudiou qualquer associação entre suas atividades e represálias aos moradores, comunidades e lideranças comunitárias.