Adele lança "30", álbum mais pessoal de sua carreira

Adele lança "30", álbum mais pessoal de sua carreira

Cantora conta detalhes sobre motivos de sua separação e evolução pessoal como mulher, artista e mãe

Lucas Eliel

Adele em concerto para promover o novo disco

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Depois de seis anos desde o último disco, Adele lançou nesta sexta-feira seu aguardado novo álbum, “30”. O trabalho é bastante pessoal e aborda as razões que a levaram a se separar de seu ex-companheiro, Simon Konecki, com quem teve um filho, Angelo, hoje com nove anos. Além disso, a cantora faz várias reflexões e conta mais detalhes da sua evolução como mulher, artista e mãe. 

Em entrevista para a revista Vogue em outubro, a voz de hits como “Rolling in the Deep” e "Someone Like You”, já havia deixado bem claro que o álbum iria ser bastante revelador para os fãs sobre a sua jornada de vida. “Meu filho tem muitas perguntas boas e inocentes para as quais eu não tenho resposta como 'por que vocês não podem viver juntos?'. Simplesmente senti que queria explicar a ele, com este álbum, para que ouça, quando seja maior, quem sou e porque decidi voluntariamente desmantelar toda sua vida em busca de minha própria felicidade”, destacou. 

Tamanha pessoalidade fez com que a cantora decidisse quase não lançar o disco, conforme ela explicou em conversa com a Apple Music esta semana. “Houve momentos que eu estava escrevendo essas músicas – e mesmo quando eu estava mixando e coisas do tipo – que eu pensei: talvez eu não precise lançar esse álbum. Tipo, talvez eu deva escrever outro”, afirmou. 

No álbum, Adele não abre mão da sonoridade já conhecida pelo público, mas experimenta outros estilos. O disco começa com a cinematográfica “Strangers By Nature”, onde a cantora fala sobre como o destino pode unir duas pessoas em versos como “Sempre te conheci, mesmo quando não / Cada gota de lágrima caiu tão forte / Machucada como o inferno, mas o céu me enviou você”.

Em seguida, está o carro-chefe do álbum, “Easy on Me”, lançado como primeiro single do disco em 14 de outubro. A música é um verdadeiro desabafo da cantora, onde ela pede ao ex-marido que “pegue leve” com ela após o término. Isso fica bem claro nos versos “Pega leve comigo, querido / Eu ainda era uma criança / Não tive a oportunidade de sentir o mundo ao meu redor / Não tive tempo para escolher o que escolhi fazer”.

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A música bateu recorde no Spotify quando foi lançada, se tornando a mais escutada em 24 horas na história do aplicativo. Até agora, a canção tem mais de 277 milhões de reproduções na plataforma. E o clipe, dirigido por Xavier Dolan, acumula mais de 164 milhões de views no Youtube. 

“My Little Love”, outra faixa do álbum, é cheia de ternura, uma carta aberta da artista ao filho Angelo. A música, inclusive contém diálogos de Adele com o pequeno. Em “To be Loved”, a artista fala sobre o sofrimento pós-término e como não havia outro caminho a ser trilhado que não fosse esse: “Ser amada e amar mais que tudo significa perder todas as coisas que não posso viver sem / É um sacrifício, mas não posso viver uma mentira”.

O álbum termina com a faixa “Love is a Game”, em que a cantora é bastante honesta sobre o amor e seus medos sobre relações futuras: “Não aguento outra derrota / Uma próxima vez seria meu fim”. A música, no entanto, termina em um tom mais feliz, com Adele ressaltando a importância do autocuidado: “Eu posso amar, eu posso amar de novo / Eu me amo agora, como amo a ele”. 

Ao todo, “30” tem 12 faixas. O álbum vai na contramão dos lançamentos atuais e tem 58 minutos de duração. “To Be Loved” chega a ter 6 minutos e 42 segundos. Em outra entrevista para a Apple Music este mês, Adele afirmou que a duração mais longa do disco é proposital.  “Se todo mundo está fazendo música para o TikTok, quem está fazendo a música para a minha geração? Quem está fazendo a música para os meus pares? Eu vou fazer esse trabalho com prazer”, destacou. 

Até o momento, “30” é o disco mais aclamado de Adele. Ele está com pontuação 89 de 100 no Metacritic, site que reúne críticas dos principais veículos do mundo da música. A revista Rolling Stone deu nota máxima ao novo trabalho da cantora, enfatizando o poder do álbum. “Adele nunca pareceu mais feroz do que em ‘30’ - mais viva para seus próprios sentimentos, com mais intenção em transformá-los em canções no tom de sua própria vida. É seu álbum mais difícil e poderoso até então”, destaca a publicação.


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