Andréa Beltrão protagoniza longa "Hebe - A Estrela do Brasil"
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Andréa Beltrão protagoniza longa "Hebe - A Estrela do Brasil"

Filme dirigido por Maurício Farias foi exibido no 47º Festival de Cinema de Gramado

Por
Adriana Androvandi

Andréa Beltrão protagoniza o longa "Hebe - A Estrela do Brasil"

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“Hebe – A Estrela do Brasil”, dirigido por Maurício Farias, foi o longa-metragem brasileiro exibido na mostra competitiva na quarta-feira à noite no Palácio dos Festivais no 47º Festival de Cinema de Gramado. A protagonista é interpretada por Andrea Beltrão.

Com roteiro assinado por Carolina Kotscho, a produção optou por um recorte da vida da apresentadora Hebe, focando no período em que ela muda de emissora, da Band para o SBT. “A estreia de Hebe no rádio foi aos 14 anos e ela ficou 60 na TV, então há muito a ser contado, mas focamos em um período de transformação da sua vida”, explicou a roteirista.

O longa-metragem começa no período da constituinte no Brasil, na década de 80. A apresentadora passa a criticar deputados e é pressionada pelo governo. “A censura não terminou no Brasil?”, questionou a personagem. 

Sua maneira de conduzir seu programa diverge da orientação da direção da Band na época, sintetizada na figura de Walter Clark, por sua vez pressionado pelos censores. Por isso ela decide sair da emissora.

Após convite de Silvio Santos (Daniel Boaventura), ela começa um novo programa no SBT. “Muita gente tem uma ideia preconcebida da Hebe, mas, à sua maneira, ela se posicionou de maneira firme pelo que acreditava”, disse Maurício. 

A roteirista resgatou a posição de Hebe: “Não é questão de ser de direita ou de esquerda, mas de caráter". Neste sentido, o filme mostra, baseado em fatos reais (documentados em jornais ou imagens de arquivo), que ela foi a primeira apresentadora a expor o tema da AIDS na televisão, entrevistando um médico sobre o tema. 

Isso porque ficou sensibilizada por uma pessoa próxima contrair o vírus, o seu cabeleireiro Carlucho, vivido pelo ator Ivo Müller.  “É o momento em que ela deixa de ser uma ‘boneca’ no palco e se dá conta da responsabilidade de ter um microfone na mão”, disse Carolina. Temas como economia e política também passaram a ser abordados em seu programa, além do entretenimento.

“Sou do Rio de Janeiro e não assistia ao SBT. Ao fazer o filme da Hebe, descobri uma pessoa diferente da minha visão simplista. Ela não tinha vergonha de mudar de opinião. É um exemplo de profissional, como comunicadora, pois era aberta ao diálogo”, contou Farias, ressaltando que no atual clima polarizado do País nem sempre as pessoas querem ouvir umas às outras.

Além da parte profissional, o filme também mostra a vida familiar de Hebe na época. Casada com o empresário Lélio Ravagnini (vivido por Marco Ricca), enfrentava o ciúme dele quando entrevistava astros como Roberto Carlos. 

A relação com filho, Marcelo, era complicada e, muitas vezes, ausente. Neste sentido, o longa mostra uma das contradições de Hebe: era uma das maiores comunicadoras do Brasil, mas tinha dificuldades de se comunicar com o próprio filho.