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Atentado terrorista em Christchurch vai virar filme

Para o cineasta Moez Masoud, longa é "um passo no processo de cura, para que todos possam entender as causas profundas do ódio, do racismo e da supremacia"

Por
Correio do Povo

Longa se chamará "Hello Brother", as últimas palavras do home que abriu as porta de mesquita ao atirador

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Um filme sobre o atentado em Christchurch, na Nova Zelândia, no qual 51 pessoas morreram, está em fase de produção pelo cineasta egípcio Moez Masoud, de acordo com a revista especializada Variety. O título do longa será “Hello, Brother”, palavras ditas por Hati Mohammed Daoud Nabi, um senhor afegão de 71 anos responsável por abrir a porta da mesquita de Al Noor ao homem que promoveria a partir daquele momento a carnificina que chocou o mundo. Os personagens centrais são “uma família que enfrenta a morte e a destruição no Afeganistão, que escapam com suas vidas”.

Masoud anunciou o filme no Festival de Cinema de Cannes, onde a produtora Acamedia está à procura de patrocinadores. Outros membros da equipe estão visitando a cidade neozelandesa para conhecer funcionários e famílias das vítimas do tiroteio, além de sobreviventes e possíveis parceiros. “Em Christchurch, no dia 15 de março, o mundo testemunhou um crime indescritível contra a humanidade. A história que ‘Hello, Brother’ trará para o público é apenas um passo no processo de cura, para que todos possamos nos entender melhor e as causas profundas do ódio, do racismo, da supremacia e do terrorismo”, disse o prolífico escritor e ativista, atualmente número 31 da lista de 500 muçulmanos mais influentes do mundo.

Ele acrescentou que queria “reunir pessoas de todo o mundo para discutir esse dia e continuar um diálogo positivo para um futuro baseado na compreensão mútua genuína”. Ele co-escreveu o roteiro com Rick Castañeda. Mohamed Hefzy, cujo “Yomeddine”  competiu no Festival de Cannes em 2018, e Eric Lagesse, cujo “The Wound” esteve em Sundance em 2017, serão produtores. Por sua vez, a Associação Muçulmana de Canterbury, a região de Christchurch, pediu no Facebook respeito à dignidade e privacidade da comunidade, em reação ao filme.

Pelo Twitter, Masoud já havia anunciado sua intenção de uma produção sobre o ataque. "O que aconteceu e está acontecendo na Nova Zelândia merece história e documentação humana. Vale a pena que todos reconsiderem o seu (o outro) longe da ignorância, do fanatismo e do extremismo que não é o monopólio de ninguém. Em breve, se Deus quiser, vamos embarcar na produção de um filme global da humanidade. Seu nome é 'Hello Brother'", escreveu no dia 23 de março.