Bando de Brincantes lança “Akin, uma Viagem Sobre Diásporas e Infâncias!”

Bando de Brincantes lança “Akin, uma Viagem Sobre Diásporas e Infâncias!”

Projeto de teatro on-line visa dialogar com crianças de lugares e situações distintas, em especial de grupos refugiados

Vera Pinto

Henrique Rosa Juguero protagoniza espetáculo

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Nesta segunda-feira, o canal do Bando de Brincantes no Youtube, estreia “Akin, uma Viagem Sobre Diásporas e Infâncias”, produção de teatro digital que aborda questões urgentes da atualidade, como raça, gênero, migração e pluralidade cultural. Com roteiro e direção de Viviane Juguero, o trabalho quer dialogar com crianças de distintos lugares e situações sociais, em especial aquelas integrantes de grupos refugiados. Ele foi financiado pelo FAC Difgital, da Secretaria de estado da Cultura do RS. 

“Akin” é um nome próprio, em iorubá, que significa guerreiro, e um adjetivo, em inglês, que pode ser traduzido como semelhante ou parente. Em português, não está associado a um gênero definido, o que também amplia as possibilidades de entendimento da proposta. Estas percepções nortearam as escolhas de construção estética, relacionadas aos materiais disponíveis no contexto de isolamento social, devido à pandemia Covid-19, em apenas dois meses. O espetáculo foi integralmente filmado na sala do apartamento onde reside a família de artistas, composta por Vivian Juguero, Éder Rosa e seu filho Henrique Rosa Juguero. A edição, realizada em um celular, apresenta painéis de pano, máscaras de cascas de árvore e bibelôs artesanais, junto a técnicas de chroma key e stop motion, além de diversos efeitos elaborados com base em fotos de objetos disponíveis no apartamento ou no pátio do prédio onde mora o trio. A música original, criada por Everton Rodrigues, mistura instrumentos acústicos com tecnologia e foi produzida em home studio, respeitando o distanciamento imposto pela quarentena. 

Akin é uma criança que, após deixar o seu país, encontra-se na fronteira de um lugar no qual somente quem se submete à cultura dominante tem autorização para entrar. A jornada do personagem mostra sua trajetória em direção ao amadurecimento e revela a força que ganha quando apreende as diferentes culturas que aparecem em seu caminho, em diálogo com a sua ancestralidade. Ele vivencia diferentes aventuras: materializa um lenço em seu amigo imaginário Zhorobodingon e, após muitas situações, passa a usar esse adereço na cabeça, como fazia a figura materna, Dodá, no princípio da narrativa. Akin vê Dodá ser presa junto a outras pessoas que se negaram a se transformar. Elas são enclausuradas na maleta do Oppressor, que domina a entrada da cidade, cujo portão é vigiado por uma cobra que segue suas orientações. Este animal é mandado em busca de Akin, quando ele foge da captura do Oppressor. No caminho, Akin encontra Sosen no Ki e é iniciado em um ritual cultural, que o enche de energia e coragem. Após vencer uma luta com a cobra, o protagonista desfaz a dominação que existia sobre o animal, que consegue voltar a ser Yakto, uma referência à Oxumaré e à potência fértil da diversidade. 

 


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