Bienal do Livro de SP será adiada para 2021 por causa da pandemia

Bienal do Livro de SP será adiada para 2021 por causa da pandemia

A Bienal de São Paulo está programada para ser aberta em 4 de setembro do próximo ano e vai até 5 de dezembro

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AE/R7

Bienal será adiada para 2021 por causa da pandemia


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Repetindo o ocorrido na 22ª edição da Bienal de Arte de São Paulo, transferida de 1993 para 1994 com o intuito de não prejudicar a Bienal de Veneza, realizada em anos ímpares, a 34ª edição, que deveria ser realizada em setembro, foi adiada para 2021 por causa do coronavírus. Só que agora ela volta a acontecer no mesmo ano da mostra italiana. A Bienal de São Paulo está programada para ser aberta em 4 de setembro do próximo ano e vai até 5 de dezembro. O anúncio foi realizado em teleconferência à imprensa ontem com a participação do presidente da Fundação Bienal de São Paulo, José Olympio Pereira, e do curador-geral Jacopo Crivelli Visconti.

Olympio Pereira justificou o adiamento pela impossibilidade de realizar a montagem neste momento crítico, devido à pandemia do coronavírus, que fugiu ao controle no País. A Bienal correria o risco de expor os montadores e seus colaboradores. Além disso, lembrou o presidente, as viagens internacionais para trazer as obras e os artistas estão temporariamente suspensas.

Por outro lado, o adiamento, segundo o curador Jacopo Crivelli Visconti, vai permitir que as obras selecionadas para a Bienal sejam vistas de outra maneira daqui a um ano, passada a pandemia, ganhando uma interpretação ancorada não no momento presente, mas aberta a outra realidade. O mote da Bienal, extraído de um poema de Thiago de Melo, Faz Escuro, mas Eu Canto, é uma representação alegórica de um tempo de escuridão, mas prenuncia uma possibilidade de esperança no amanhã. Usando a metáfora, Visconti afirmou que pensa a mostra "como um poema que vai se fazendo aos poucos".

A 34ª edição da Bienal, originalmente projetada em parceria com outros espaços expositivos de São Paulo, terá algumas mostras remanejadas e poderão ser inauguradas até antes da abertura oficial.

Visconti mencionou alguns nomes representados na 34ª Bienal, sendo o mais conhecido o do pintor italiano Giorgio Morandi (1890-1964). Ele foi escolhido junto a outros artistas contemporâneos - como Beatriz Santiago Munhoz - por sua obra estar em sintonia com o tema do confinamento espelhado num dos segmentos da mostra. "Pedimos a alguns artistas que refletissem sobre questões como o enclausuramento e a resistência, dois temas que ganharam relevância com o isolamento social provocado pela quarentena do coronavírus, mas, claro, antes mesmo dele, artistas como Morandi lidaram com o confinamento", justificou, referindo-se aos dois pequenos ateliês que o reservado pintor italiano mantinha, um em Bolonha e outro no campo.

Obras como as de Morandi reverberam no momento presente, levando o espectador a refletir sobre a interação silenciosa entre o artista e o mundo que o cerca. O presidente da Fundação Bienal completou a observação de Visconti sobre essa reverberação, lembrando que "vivemos um momento extremamente difícil", mas que a equipe da Bienal está empenhada em continuar a luta. O impacto da pandemia no orçamento da Bienal foi grande, especialmente porque parte dos recursos da mostra vem do aluguel do pavilhão no Ibirapuera, inviabilizado pela suspensão temporária de atividades por causa da pandemia.

Entre os artistas citados pelo curador Visconti, a produção de alguns deles está diretamente relacionada ao momento político atual, caso da norte-americana Deana Lawson, de 41 anos, baseada no Brooklin, em Nova York, cuja obra lida com o tema da identidade dos afrodescendentes. A questão dos negros escravizados e da diáspora é forte na 34.ª Bienal. A luta pela liberdade também. A Bienal pretende trazer para São Paulo o histórico Sino de Ouro Preto, que tocou quando Tiradentes foi enforcado e depois esquartejado no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792, uma batida fúnebre pelo mártir da Independência.


Entre os outros objetos que a Bienal quer mostrar em 2021 está o meteorito de Bendegó, o maior sederito já achado no Brasil (mais de 5 toneladas), que resistiu ao incêndio do Museu Nacional, em setembro de 2018. "É o exemplo máximo de resistência", comentou o curador Visconti, referindo-se ao meteorito encontrado em 1784 e que tem quatro réplicas espalhadas pelo mundo. Outros dez meteoritos serão exibidos na Bienal, além de um fóssil e de um objeto de ritual indígena.