Bob Dylan interpreta clássicos da música americana em "Triplicate"

Bob Dylan interpreta clássicos da música americana em "Triplicate"

Cantor lançou álbum triplo e se apropriou, com uma genial simplicidade, de canções eternas

Marcos Santuário

Um ano após "Fallen Angels" Dylan navega pelo songbook americano e reinterpreta 30 canções

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Pouco tempo depois de ter seu nome divulgado como ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2016, Robert Allen Zimmerman, ou simplesmente Bob Dylan, apresenta seu novo trabalho sonoro: “Triplicate”.

Trata-se de um álbum triplo com 30 versões de clássicos da música norte-americana, que mostra um Dylan de 75 anos talentoso na voz, nos arranjos e na liderança do grupo de trabalho. Firmeza e sensibilidade unidas para, novamente, editar versões de clássicos.

É que, em 2016, Dylan surgiu com “Fallen Angels”, indicado na categoria de Melhor Álbum Tradicional de Pop Vocal do Grammy deste ano. E até o eterno Frank Sinatra já foi homenageado por Dylan, que lançou “Shadows in the Night”, composto em sua totalidade por canções interpretadas pelo célebre “olhos azuis”. Aliás, o anúncio de “Triplicate” foi acompanhado da divulgação da canção “I Could Have Told You”, de Sinatra, que está na segunda faixa do CD “Til The Sun Goes Down” (segundo do box “Triplicate”). Na verdade, são muitas as composições do novo trabalho de Dylan que ficaram marcadas na voz de Sinatra. Mas há outras interpretações marcantes lembradas pelo talento de outros gênios da música, como é o caso de “That Old Feling”, eternizada também pela já marcante “melancolia inconfundível” de Chet Baker.

“Triplicate” é o primeiro trabalho de Dylan lançado depois de o artista ser alçado à condição de Nobel de Literatura.Aliás, Dylan não tinha comparecido à cerimônia solene de entrega do prêmio, no dia 10 de dezembro de 2016. Em meio à polêmica de sua indicação, enviou apenas um discurso de agradecimento. No início deste mês, uniu o útil ao agradável e, com show marcado em Estocolmo, aproveitou para receber medalha, diploma e os 8 milhões de coroas suecas (quase R$ 3 milhões).

Perto de chegar aos 80 anos, fã confesso dos filmes de John Ford, Dylan já chegou a escrever episódios para “Os Simpsons” e para a cultuada série “The Walking Dead”, além de vários outros programas de TV. Ecletismo é pouco para definir este multiartista que tem feito da poesia força inexorável na construção de imaginários e na mobilização afetiva (e por vezes efetiva) de gerações.

Dylan é para ver, ler, ouvir, se emocionar e refletir. Os 95 minutos totais de “Triplicate” devem ficar marcados na história da música mundial, elevando o artista que tem transitado entre o jazz, o folk e o rock, para resumir escolhas. Surge aqui a apropriação necessária de uma obra extensa, melódica e poética, com a genialidade simples ou a simplicidade eloquente deste que tem transposto gerações, modas, tendências e definições passageiras. Ao ouvir este seu 38º disco de estúdio, nos deparamos com o jazz e o traditional pop, e com as deliciosas “Stormy Weather”, “As Time Goes By” (do filme “Casablanca”), “The Best Is Yet to Come”, “Stardust” e o tempo desaparece.

Trinta tons de Dylan

“Triplicate” apresenta 30 músicas compostas por alguns dos mais louvados e influentes criadores. O álbum é dividido em três discos: o primeiro é “Til the Sun Goes Down”, que traz dez canções; “Devil Dolls” é o segundo CD, com outras dez composições, iniciando com “Braggin”, de Henry Manners; e o terceiro trabalho se denomina “Comin’ Home Late”, com outras dez músicas.

O resultado inclui composições cultuadas como “Once Upon a Time”, de Charles Strouse e Lee Adams; “Stormy Weather”, de Harold Arlen e Ted Koehler; “As Time Goes By”, de Harold Hupfield; e “The Best is Yet to Come”, de Cy Coleman e Carolyn Leigh, entre várias outras facilmente reconhecíveis pelos fãs.



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