Carnavais que foram e os que virão

Carnavais que foram e os que virão

Mostra na Casa de Cultura Mario Quintana e lives com blocos esquentam a folia virtual em PoA

Mostra lembra do Carnaval de Rua dos anos 1960 e dos dias atuais

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A mostra “Aos Carnavais que Virão” ganha duas ações virtuais, além de poder ser conferida presencialmente na Sala Radamés Gnattali da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas 736), mediante agendamento pelo e-mail visitaccmq@gmail.com. De quarta-feira, 17, até sábado, 20 de fevereiro, às 21h (sábado, às 17h), pelo Instagram @ccmarioquintana, o jornalista Diego Vacchi, curador da mostra - que reúne registros fotográficos e documentos históricos sobre os carnavais de rua de Porto Alegre - conduz as lives "De Bloco em Bloco", com música e conversa sobre a trajetória de blocos carnavalescos atuais. Além disso, a conta (@aos_carnavais_que_virão) passa a ser alimentada pelo público com fotos que criam acervo público vivo da memória do carnaval porto-alegrense.

Conforme Diego Vacchi, o “De Bloco em Bloco” é um convite para que os foliões possam celebrar em casa o carnaval deste ano. “Quem abre esse desfile é o Turucutá - Batucada Coletiva Independente (quarta), grupo musical composto por instrumentos de percussão. Também vão estar conosco o pessoal do ‘Não Mexe Comigo que Eu Não Ando Só’ (quinta), coletivo feminino que leva o debate do respeito e da igualdade de gênero para o espaço público, e o Bloco da Diversidade (sexta). Para encerrar a folia (sábado, 17h), temos mais conversa e música com o tradicional Maria do Bairro, que, há 14 anos, deu a largada na retomada dos blocos de rua do carnaval de Porto Alegre”, detalha Vacchi.
O diretor da CCMQ, Diego Groisman, destaca o caráter de resistência e renovação das esperanças, representado pelo gesto simbólico de manter erguido o estandarte do carnaval e a batida dos tambores marcando o ritmo no qual tanto desejamos voltar a pulsar. “O carnaval é uma manifestação cultural popular importante, que precisa ser mantido e reafirmado neste momento de pandemia”, observa Groisman.
A mesma percepção tem o carnavalesco e fundador do Bloco Maria do Bairro, Zeca Brito, diretor do Instituto Estadual de Cinema (Iecine). “O carnaval é a expressão mais abrangente e democrática da cultura brasileira. É resultado do que somos, da confluência cultural, do encontro amoroso das diferenças. É a expressão da liberdade, do lirismo, da plasticidade de festejar a vida. Precisamos lembrar que não estará tudo bem enquanto não houver carnaval. Que o coração hoje é semente, que espera paciente, os carnavais que virão”, complementa Zeca.
A curadoria do jornalista Diego Vacchi, que é graduando em História da Arte, partiu de pesquisa realizada em arquivos públicos da cidade, como o Museu Joaquim Felizardo. A mostra traz parte da história dos carnavais de rua de Porto Alegre, desde a década de 1930 até os blocos mais recentes, marcados pela retomada no ano de 2007. A homenagem aos festejos, apresenta os blocos humorísticos da década de 1930, como o emblemático “Tira o Dedo do Pudim”; as tribos carnavalescas, iniciadas em 1945; o espaço de resistência do Areal da Baronesa, uma das origens dos carnavais de rua da cidade. Entre as manifestações mais recentes, a Banda DK, fundada em pleno regime de exceção, na década de 1970, e os blocos atuais.


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