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Situação no Complexo Cultural Porto Seco é de completo abandono

Desfile das escolas de samba de Porto Alegre ocorrerá nos dias 15 e 16 de março

Por
Felipe Samuel

Desfile das escolas de samba de Porto Alegre ocorrerá nos dias 15 e 16 de março

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Faltando um pouco mais de uma semana para o desfile de Carnaval de Porto Alegre, o Complexo Cultural Porto Seco está em completo abandono. Falta coleta de lixo e segurança, além de não haver iluminação pública na área ao redor dos barracões devido ao furto da fiação elétrica, que ainda não foi reposta. As escolas de samba têm dificuldade até em utilizar seus equipamentos de solda, entre outras máquinas necessárias para a confecção das alegorias e fantasias. Ao chegar no complexo, é possível ver portões abertos, que dão acesso à pista do desfile e aos barracões das entidades carnavalescas, sem nenhum tipo de segurança.

“Com relação à segurança, acho que seria muito simples e até não muito oneroso para a prefeitura manter duas guaritas com guardas municipais, por exemplo, que hoje já fazem parte da folha de pagamento do município”, comentou o diretor de Destaques da Império da Zona Norte, Leandro Martins.

Também é possível ver lixo espalhado pelo local, mas em uma quantidade pequena pois, devido à falta de estrutura, muitas agremiações suspenderam as atividades. Já as que estão produzindo suas fantasias e alegorias acumulam seus resíduos nos barracões. “A prefeitura não está dando nenhum suporte, nem o suporte que, no caso, seria obrigação, como a coleta de lixo” diz o carnavalesco da União da Tinga, Reynaldo Oliver. O lixo acumulado nos barracões é levado pelos próprios colaboradores das escolas para algum lugar que tenha contêineres ou então os resíduos são queimados, dependendo do volume.

“Estamos tentando, num acordo de cavalheiros, cuidar do espaço onde a gente está,” complementa Oliver. “A prefeitura fez a concessão do complexo para as próprias escolas de samba, mas como poder público, como agente garantidor da cultura, da segurança, da ordem pública é zero. Não temos nada, nenhum tipo de apoio.” finaliza Martins. O desfile das escolas de samba de Porto Alegre ocorrerá nos dias 15 e 16 de março.

Faltando pouco mais de uma semana para os desfiles, Complexo Cultural Porto Seco está abandonado | Foto: Guilherme Almeida


Finanças 

Ao lembrar das finanças combalidas da prefeitura, o secretário adjunto da Cultura, Leonardo Maricato, explica que os seguidos furtos de cabos de energia e disjuntores obrigaram a prefeitura a recalcular os valores para custear a reposição dos equipamentos. Para esta edição, ele afirma que as escolas de samba que estão organizando o Carnaval, de forma independente, vão arcar com gastos para estrutura e geradores nos dias dos desfiles. "Sabemos da importância do Carnaval, é uma manifestação cultural importante, mas não temos condições de viabilizar esses recursos. Estamos entregando o que podemos", destaca. O secretário ressalta que trocar um sistema de média e alta tensão de energia, como o instalado no Porto Seco, demanda tempo e dinheiro.

"Não é simples a troca de cabos. Fizemos estudos por um determinado valor, que projetava investimentos para 800 metros de cabo que foram cortados. Com a proximidade do Carnaval, cabos e disjuntores foram furtados novamente", ressalta. Conforme Maricato, os organizadores vão fazer essas melhorias "com a venda dos espaços para arquibancada e camarotes". "A realização do Carnaval é relevante. E feita pelos carnavalescos, mais ainda, pois mostra a força deles", observa. Mesmo com a frequência de furtos no local, o secretário garante que a Guarda Municipal faz uma ronda na região três vezes ao dia.

O secretário reforça que os organizadores assinaram um termo de permissão de uso que oferece autonomia para que eles possam gerir o espaço, cabendo à prefeitura entrar com serviços complementares. Se por um lado o Poder Público vai ficar de fora da organização, por outro o Executivo municipal vai auxiliar na realização do evento fazendo a capina, nos próximos dias, do Porto Seco, na orientação do trânsito na região com os agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e na instalação de um posto médico da Secretaria Municipal da Saúde.