Começa em Nova Iorque julgamento de Weinstein por agressão sexual

Começa em Nova Iorque julgamento de Weinstein por agressão sexual

Se considerado culpado, ex-produtor pode ser condenado à prisão perpétua

AFP

Harvey Weinstein chegou ao julgamento utilizando andador

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O julgamento contra o ex-produtor americano de cinema Harvey Weinstein por agressões sexuais teve início nesta segunda-feira, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Se for considerado culpado, Weinstein pode ser condenado à prisão perpétua. O processo deve durar em torno de seis semanas. À frente da equipe de cinco advogados da defesa, Donna Rotunno garante que seu cliente será absolvido.

O famoso ex-produtor de Hollywood entrou na Suprema Corte de Manhattan com a ajuda de um andador. Depois de sofrer um acidente de automóvel em agosto passado, Harvey precisou se submeter a uma cirurgia nas costas. A audiência desta segunda será para definir aspectos logísticos do julgamento e deve ser breve.

A primeira batalha será a seleção do júri, que começa nesta terça-feira e pode durar até duas semanas. Este processo começa mais de dois anos depois da explosão do escândalo que gerou o movimento #MeToo e derrubou dezenas de homens poderosos denunciados por agressões sexuais. Quase 90 mulheres, incluindo atrizes famosas como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow, denunciaram o ex-produtor por assédio, agressão sexual, ou estupro, desde que o jornal The New York Times revelou várias acusações contra ele em 5 de outubro de 2017.

Weinstein está sendo julgado na Suprema Corte de Nova Iorque apenas por agressões contra duas mulheres, já que os demais crimes prescreveram. Uma das acusadoras é a ex-assistente de produção Mimi Haleyi, segundo a qual o produtor de "Pulp Fiction - tempo de violência" praticou sexo oral nela contra sua vontade no apartamento do réu, em Nova Iorque, em julho de 2006.

A segunda acusadora permanece no anonimato. Ela afirma que Weinstein, cofundador da produtora Miramax Films, a violentou em um quarto de hotel de Nova Iorque em março de 2013. A acusação foi modificada em agosto para incluir o depoimento da atriz da série "Família Soprano" Annabella Sciorra, que relata ter sido violentada por Weinstein no inverno de 1993-1994.

A acusação espera que seu testemunho ajude a convencer o júri de que Weinstein é um predador sexual em série. Ao todo, 25 mulheres que denunciaram Weinstein, incluindo as atrizes Roseanna Arquette e Rose McGowan, divulgaram um comunicado na sexta-feira. Nele, exigiram justiça e descreveram Weinstein como um "abusador sem arrependimentos"."Este julgamento é crítico para mostrar que os predadores terão de enfrentar sua responsabilidade estejam onde estiveram e que denunciá-los pode resultar em uma mudança real", destacaram.

Várias destas mulheres convocaram uma entrevista coletiva para hoje, diante da Suprema Corte, reunidas em meio a cartazes com as inscrições "Justiça para as sobreviventes" e "Vergonha". Weinstein insiste em que todas as suas relações sexuais foram consensuais.

O único outro julgamento penal desta mesma natureza no horizonte é o do cantor de R&B R. Kelly. No ano passado, ele foi acusado de vários ataques contra jovens. O comediante americano Bill Cosby foi sentenciado a três anos de prisão por agressão sexual em setembro de 2018. Seu julgamento começou no final de 2015.

 


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