Documentário sobre a arte de Mestre Churrasco tem pré-estreia neste domingo

Documentário sobre a arte de Mestre Churrasco tem pré-estreia neste domingo

Curta-metragem "Berimbauzeiro" destaca o grande mestre de capoeira, que vem inovando na criação de berimbaus originais no RS

Correio do Povo

Mestre Churrasco se identifica como “Berimbauzeiro” para apresentar suas experimentações, estéticas e sonoras, com berimbaus diferenciados que cria com conhecimento da flora nativa gaúcha.

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 Um dos mais antigos mestres em atividade na capoeira angola do Rio Grande do Sul, líder e fundador da Associação de Capoeira Angola Zumbi do Palmares (ACAZUP) e grande referência no sul do Brasil, Mestre Churrasco tem sua arte retratada no documentário  “Berimbauzeiro”, que ganha pré-estreia neste domingo, 26 de setembro, às 19h. O trabalho ficará disponível até as 19h30min da próxima tera, dia 28, quando haverá uma live no Instagram @berimbauzeiro_filme. Participam da proposta, o protagonista do filme e seus realizadores, Magnólia Dobrovolski, Marco Poglia e Mário Eugênio Saretta. A mediação é da jornalista e produtora cultural Silvia Abreu.

Mestre Churrasco vivenciou a capoeira desde a infância nas ruas de Porto Alegre, observando a essência desta arte com marinheiros e no aprendizado  com o Mestre Cau, com quem iniciou-se nesta prática.  É, também, um grande artífice de instrumentos musicais artesanais, especialmente o berimbau. Ele se identifica como “Berimbauzeiro” para apresentar suas experimentações, estéticas e sonoras, com berimbaus diferenciados que cria com conhecimento da flora nativa gaúcha.

É na relação com a natureza, no seu corpo, na sua musicalidade e nos papéis assumidos na vida que o documentário acontece. A produção evidencia o lúdico e o belo no trabalho guiado pelo berimbau, um poderoso instrumento.  “Berimbauzeiro” tem foco na criatividade e originalidade de Mestre Churrasco, que associa saberes tradicionais, ecologia e arte na elaboração de berimbaus singulares e na prática da capoeira como filosofia de vida. Os diretores escolheram abrir mão de uma narrativa biográfica e linear em favor de abordar o espírito inventivo de um personagem em constante transformação, cuja incessante criatividade se expressa na sua relação com os berimbaus e na prática da capoeira centrada em seu fundamento, mas sempre aberta a novas maneiras de se relacionar com o mundo.

Segundo os realizadores, trata-se de uma obra de caráter mais afetivo, poético,  que documental, caráter priorizado em outros trabalhos, a exemplo do projeto Angola Poa [https://www.angolapoa.com.br/mestre-churrasco], dos mesmos diretores. As locações de filmagem foram escolhidas de acordo com a relação que o protagonista estabelece com espaços públicos da cidade de Porto Alegre, como o lago Guaíba, a Redenção e o Mercado Público Municipal, além de matos urbanos e sua residência em Caxias do Sul, onde construiu um espaço cultural voltado para a capoeira, o qual deve ser inaugurado após a pandemia. A trilha sonora resulta de performances de Mestre Churrasco e conta, ainda, com a participação do músico nigeriano Idowu Akinruli, a partir de toques percussivos da cultura iorubá. O filme apresenta recursos de acessibilidade, como audiodescrição, LSE e legendas em inglês.

Sobre Mestre Churrasco:
Mestre Churrasco (Jean Batista Cleber Teixeira dos Santos) é de família descendente da antiga Colônia Africana de Porto Alegre (hoje bairro Mont’Serrat) e desde criança tem contato com expressões culturais de matriz africana. Conheceu a capoeira angola no início dos anos 1970, ainda na adolescência, em Porto Alegre, e hoje é um dos mais antigos representantes desta arte em atividade no estado do RS, sendo grande referência para a capoeira gaúcha de forma geral. É líder e fundador da Associação de Capoeira Angola Zumbi do Palmares (ACAZUP) e atualmente mora em Caxias do Sul. Já residiu em Salvador e no Rio de Janeiro, em busca de pesquisar e conhecer com profundidade os fundamentos da capoeira. 

É também, um grande artífice de instrumentos musicais artesanais, especialmente o berimbau, sendo um profundo conhecedor de madeiras e plantas nativas do estado do RS utilizadas para a fabricação dos seus instrumentos, além de um exímio tocador de berimbau. Por meio da capoeira, foi um dos primeiros a desenvolver trabalho com crianças em situação vulnerabilidade social em Porto Alegre, ainda nos anos 1980. Já foi agraciado com diversas homenagens e distinções honoríficas, como Amigo de Porto Alegre (1996); Honra ao Mérito (2005 e 2009) e Mestre da Cultura Popular Caxiense (2010), dentre outros. Atua ainda realizando oficinas e palestras sobre capoeira e culturas de matriz africana. Em 2018, participou como mestre convidado da disciplina Encontro de Saberes da Ufrgs. 


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