"Dunkirk" é uma experiência sensorial de sobrevivência
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"Dunkirk" é uma experiência sensorial de sobrevivência

Novo filme do diretor Christopher Nolan estreia nesta quinta-feira em Porto Alegre <br />

Por
Lou Cardoso

Novo filme do diretor Christopher Nolan estreia nesta quinta-feira em Porto Alegre

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O mais novo filme do diretor Christopher Nolan, "Dunkirk", chega nas salas de cinema no Brasil nesta quinta-feira, e antes mesmo da sua estreia, já era um dos mais aguardados pelos cinéfilos e fãs do realizador. Baseado na Operação Dínamo que resgatou mais de 330 mil homens da cidade que dá nome ao filme, durante a Segunda Guerra Mundial, a história mostra a luta pela sobrevivência da Força Expedicionária Britânica e de outras tropas aliadas no porto de Dunkirk, que estavam encurralados pelos nazistas. As autoridades já calculavam que seria uma missão impossível tirar o exército inglês daquele local, mas no final, acabou se tornando uma verdadeira vitória para uma nação que precisava ganhar esta batalha.

Christopher Nolan já pode ser considerado um grande mestre do cinema por entregar um filme, que pode ser considerado, no mínimo, perfeito. A execução do longa surpreende desde dos primeiros minutos com impactantes embates que não se cansam de se repetir durante a projeção. Com isso, a experiência de conferir Dunkirk nos cinemas é única e incrível devido à capacidade de transmitir cada sentido que transcorre na tela. Se alguém que não possui conhecimentos em edição e mixagem de som, poderá sentir todo o trabalho feito pela grande equipe sonora do longa que provoca toda a tensão e nervosismo do filme. Claro, tudo isso com um adicional da trilha sonora assinada por Hans Zimmer, provando ser um verdadeiro maestro na categoria. A direção de fotografia de Hoyte Van Hoytema é de uma extrema competência que nos permite viajar, lutar e salvar os soldados britânicos. Digo isso pois cada enquadramento é uma viagem aos nossos olhos e sem precisar de qualquer óculos 3D, a miragem de cada lugar que Nolan direciona a história é tão fascinante que nos coloca sob mesmo ângulo que os personagem e torna realística cada cena.

Sem serem devidamente apresentados, o elenco que não chega a ser tão surpreendente quanto o resto do filme. Mas claro, nada que seja decepcionante. Começando por Tommy (Fionn Whitehead), que é quem conduz inicialmente a história, mostra toda frieza traumática que a guerra pode deixar em um jovem. Seu rosto triste e desolador, faz com que conquiste rapidamente nossa torcida, que claro, aumenta quando se junta a Gibson (Aneurin Barnard), e ao Alex, interpretado por Harry Styles. O cantor que estreia em uma ficção nos cinemas não decepciona na sua atuação discreta, mas que também não passa despercebido. Quem também chama atenção é o ganhador do Oscar de ator coadjuvante em 2015 por "Ponte dos Espiões", Mark Rylance, que integra uma das histórias paralelas ao ser o civil que não quer ficar de braços cruzados esperando a guerra chegar na sua cidade. Ao contrário da aflição que se encontra nos outros núcleos, o seu personagem é o equilíbrio necessário para os sem esperanças. Tanto que magistralmente é a firmeza necessária naquela maré. Repetindo a parceria, Nolan trouxe Tom Hardy, com quem trabalhou em "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" (2012), e Cillian Murphy, que foi o Espantalho em "Batman Begins" (2005), para completar o elenco.

Dunkirk é tão sensacional que é capaz de instigar nossa mente com a forma que o roteiro funciona com as três versões não-lineares do mesmo fato. Mas claro, para complicar mais um pouquinho, a tragédia na cidade varia entre uma semana, um dia e uma hora no longa, e também é narrada por vias diferentes como na praia, no mar e no céu. Em cada parte, a sobrevivência é o maior objetivo dos envolvidos e olha, não foi nada fácil. Com Nolan, nada é tão simples assim, não é mesmo? Então para não apenas mexer com nossas sensações, o diretor nos prende com este roteiro não tão simples assim, para não ser apenas uma história com início, começo e fim, mas para que fosse muito mais atraente do que isto. Nolan transformou, por completo, uma página com aparência de derrota em uma verdadeira obra de sobrevivência.

Veja o trailer: