"Eduardo e Mônica" chega aos cinemas trazendo nostalgia e romance imperfeito

"Eduardo e Mônica" chega aos cinemas trazendo nostalgia e romance imperfeito

Longa dirigido por René Sampaio estreia nesta quinta-feira

Lou Cardoso

Alice Braga e Gabriel Leone interpretam Mônica e Eduardo

publicidade

“Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? Quem um dia irá dizer que não existe razão?” Os versos do Legião Urbana já foram cantados, desde 1986, por gerações que nunca deixaram a simpática canção "Eduardo e Mônica" cair no esquecimento. Agora, assim como "Faroeste Caboclo" (2013), este outro hino da banda brasiliense, uma segunda letra escrita por Renato Russo (1960-1996) também ganha vida nos cinemas.

Dirigido por René Sampaio, que também comandou a história de João de Santo Cristo, "Eduardo e Mônica" é um dos filmes mais românticos dos últimos tempos, por não vender a ideia do casal perfeito. Pelo contrário, o roteiro escrito por Gabriel Bortolini e Jessica Candal aproveita as referências vindas da composição musical, como já era de se esperar, mas também sabe caminhar com as próprias pernas proporcionando a sua originalidade e identidade nas telas.

Interpretada por Alice Braga, Mônica exala toda a independência e autenticidade imaginada a partir da canção, tornando-se já uma imagem difícil de desassociar da personagem. Passando por um período frágil na vida, ela conhece Eduardo (Gabriel Leone) em uma festa estranha com gente esquisita, mas que desta vez, ao contrário do que vemos em "Somos Tão Jovens" (2013), que direciona a frase para um evento elitista, aqui o ambiente é recheado de jovens alternativos e expressivos dos anos 1980.  A partir daí, o casal começa um relacionamento que viverá seus altos e baixos, mas, acima de tudo, valoriza a individualidade de cada um.

Complemento

Este é o grande triunfo de "Eduardo e Mônica" por refletir como ambas personalidades tão contrárias são complementares. A sensibilidade do jovem universitário de arquitetura se alinha com a firmeza imposta pela médica recém-formada que corre atrás do que acredita, mesmo que para isso, precise abrir mão de certas coisas.

O diretor René Sampaio parece ter tomado mais liberdade criativa em cima desta versão cinematográfica do que em "Faroeste Caboclo" (2013) que, mesmo sendo um ótimo filme, possui muitas expectativas quanto à sua migração para as telas, visto que a extensa canção perpetua o imaginário de muito fã. Em "Eduardo e Mônica", o cineasta estende os capítulos, os elementos da música e as personalidades nesta história para que eles possam ir além deste icônico casal imortalizado na música, mas também um exemplo de que tudo tem o seu tempo. Até mesmo para amar.

Alice Braga e Gabriel Leone possuem uma química impressionante em cena. Ela é sedutora, mesmo quando não tenta ser; e inspiradora por tudo que luta e acredita. Já Gabriel conquista pela sua ingenuidade e sinceridade que surgem espontaneamente. É bonita a forma como o casal constrói a relação a partir do amadurecimento que cada um desenvolve a partir de cada conflito que naturalmente surgem ao longo do relacionamento. E mesmo que seja ambientado em uma outra época, a história de Eduardo e Mônica ainda se mantém atemporal para qualquer pessoa que procura razão pelas coisas feitas pelo coração.


Mais Lidas


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895