Estação da Acessibilidade promove inclusão de leitores na Feira do Livro
capa

Estação da Acessibilidade promove inclusão de leitores na Feira do Livro

Espaço foi criado em 2013 e oferece diversos serviços para pessoas com deficiência

Por
Correio do Povo

Espaço está localizado na parte central da Praça da Alfândega, ao lado do balcão de informações

publicidade

Andar pela Feira do Livro, muitas vezes lotada, pode ser um desafio para pessoas com deficiência. Pensando nisso, desde 2013 a Estação da Acessibilidade tem espaço garantido para acolher e proporcionar a inclusão no evento.

O projeto surgiu pela iniciativa da consultoria em inclusão Desenvolver e conta com a colaboração da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) e de outras seis instituições. A coordenadora Deise Zanin conta que o trabalho é justamente fazer com que este público se sinta incluído de verdade dentro da Feira e desfrute livremente das atividades. "Proporcionar que as pessoas participem deste evento grandioso é básico e fundamental", afirma.

Segundo Zanin, a cada ano a demanda aumenta e mais pessoas conhecem o espaço, que atualmente está localizado na parte central da Praça da Alfândega, ao lado do balcão de informações. E é lá que são oferecidos os serviços de empréstimo de cadeiras de rodas (manuais e motorizadas), intérprete de libras, visitas guiadas para pessoas com deficiência visual e mapeamento de vagas de estacionamento acessíveis.

Nesta edição, a Estação da Acessibilidade também conta com a comercialização de 22 títulos de audiolivros de diversos gêneros literários. Além disso, os voluntários também contabilizaram e mapearam 59 bancas que oferecem materiais específicos para pessoas com deficiência.

Programação inclusiva

Além da Estação, a acessibilidade também está na programação, que conta com o Ciclo Inclusivo. Neste ano, serão apresentados espetáculos de dança, música, teatro e contação de histórias, todos desenvolvidos por pessoas com deficiência. As atividades ocorrem neste sábado durante todo o período da manhã, das 9h40min às 12h, no Teatro Carlos Urbim.

Para Zanin, o Ciclo Inclusivo possibilita que os artistas se sintam parte de um todo. Contudo, ela destaca que a atração também é importante “para que as pessoas ditas 'normais' percebam que as dificuldades, as deficiências, existem, mas não são impeditivo para que as pessoas tenham uma vida, tenham uma rotina, uma atividade, um lazer".

Acessibilidade arquitetônica como maior obstáculo

Mesmo com todas estas ações, a Câmara do Livro reconhece que ainda há muito trabalho a ser feito. "Nós estamos continuamente tentando procurar mais soluções porque é muito grave que eles sejam excluídos. Eles precisam ser incluídos", ressalta Sônia Zanchetta, membro da comissão executiva.

De acordo com a instituição, a principal dificuldade está na acessibilidade arquitetônica, já que as pedras do chão da Praça da Alfândega são tombadas pelo patrimônio histórico e não podem ser modificadas. "A condição ideal seria, por exemplo, ter toda a Feira coberta por um tablado, como nós tínhamos quando a Feira se estendia até o Cais do Porto, onde funcionava a área infantil, de 2005 a 2012. Mas isso não é mais possível por questões financeiras", pondera Zanchetta.

Outro ponto importante para este público é a altura das bancas de livros. A medida deveria ser de 60 centímetros, no máximo, para que os itens ficassem acessíveis, principalmente para os cadeirantes. Em relação a isto, Zanchetta destaca a importância do Prêmio Jacarandá, que foi entregue na noite dessa terça. Um dos critérios para concorrer à láurea era que o estande estivesse dentro dos padrões de acessibilidade. "Estamos muito contentes com a criação desse prêmio porque sabemos que ele vai servir para incentivar outros expositores a adequarem suas barracas para atender às necessidades nos próximos anos", projeta.