Em defesa da literatura infantil e juvenil

Em defesa da literatura infantil e juvenil

Escritor Antonio Schimeneck participou do Encontro com o Autor na manhã desta terça pela 66ª Feira do Livro

Luiz Gonzaga Lopes

Antonio Schimeneck: "Não há muito espaço na mídia e nas livrarias para a literatura infantil e juvenil

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A primeira atividade da 66ª Feira do Livro de Porto Alegre nesta terça-feira foi o Encontro com o Autor, com o escritor e distribuidor gaúcho Antonio Schimeneck. Com mediação da atriz, produtora e escritora Adriane Azevedo, o autor começou a falar de sua carreira e principalmente do momento de muita produção literária por causa da pandemia, sempre fazendo a defesa da literatura infantil e juvenil. “Eu sou um cara que produzo pouco em relação a outros escritores, porque não sou disciplinado e tenho a distribuidora (Ama Livros), mas este foi o ano que mais produzi. Na Feira, estou lançando junto com a a escritora paulista Rosana Rios, o ‘Palas-Atena’, o primeiro de sete livros da coleção Diários Perdidos dos Jovens Deuses. Pensamos em contar como seria o dia a dia dos filhos dos deuses gregos numa escola olímpica e começamos a pensar como seria a juventude de Palas-Atena, a deusa da sabedoria de deusa da estratégia, da guerra”, contou Schimeneck. A parceira Rosana Rios foi muito citada na conversa por sua disciplina para escrever e pelos seus ensinamentos. Ele lembrou que a ideia de escrever esta coleção surgiu durante uma feira de uma escola em Nova Bassano. “Esta andança em escolas acaba gerando as narrativas. Foi assim com outro projeto que vou lançar em 2021, junto com a Ana Claudia Ramos. Nós estávamos em São Leopoldo, numa escola de um bairro afastado e uma menina perguntou qual a diferença entre uma lenda urbana e uma lenda rural. E aí pensamos que daria uma história misturar as lendas. As lendas estão reunidas num casarão abandonado. Não conseguem mais assustar e precisam pensar numa estratégia, pois as crianças estão sempre no celular e existe uma campanha para que não se acredite nas lendas”, explicou.

O escritor também falou do novo grupo criado por seis escritores, o 6+1, ideia do Caio Riter, que tem conversas pela internet desde abril, todas as terças à noite. O grupo já começou a gerar uma narrativa e discute mensalmente temas como a ilustração, por exemplo. É formado por Schimeneck, Caio, Alexandre Brito, Glaucia de Souza, Laura Castilhos e Christian David. O autor lembrou que o momento está sendo muito propício para a leitura e que o mercado do livro virtual aumentou, mas houve muita queda da venda de livros infantis por causa da pandemia e de grande parte das escolas estarem funcionando de modo remoto. “As vendas da minha distribuidora, que representa 20 editoras, caíram 90% desde o início da pandemia, mas aumentou muito o mercado virtual e do livro eletrônico. O que não concordamos é com a profusão de PDFs piratas. Precisamos valorizar os autores e seus livros pensados para as crianças. Se a leitura for em PDF, os autores não irão conseguir se manter”, revelou. Adriane Azevedo lembrou que os artistas precisam se apoiar e não disseminar a pirataria de nenhuma maneira.

Com um público predominantemente formado por professores, escritores e alunos do Ensino Fundamental e Médio, Schimeneck respondeu a perguntas sobre as suas principais obras. Muitas perguntas se dirigiram ao livro “7 Histórias de Gelar o Sangue”. “Este livro surgiu na casa da minha avó, com recordações da infância, não tinha luz elétrica, aí era lampião e fogão à lenha, e muitas histórias de assombrar. Resolvi contar e incrementar estas histórias. Este livro terá um segundo volume”, destacou. Outros livros também foram citados, como “Horas Mortas”, “A Verdade em Preto e Branco” e “Por Trás das Cortinas”, um livro sobre a ditadura militar. “Esta história também foi gerada a partir de uma pergunta de um aluno, sobre o que seria a ditadura militar. Gosto de escrever livros com fundo histórico e amor pela democracia me levou a escrever esta obra. Os jovens estão lendo mais. Talvez não seja aquilo que a gente queria que eles lessem. A literatura infantil precisa de mediação. Talvez não tenhamos o espaço na mídia e nas livrarias. Temos quatro ou cinco livrarias conceituais em Porto Alegre, mas nenhuma coloca a literatura infantil em destaque”, finalizou Schimeneck, lembrando também do conto “O Colecionador”, sobre um colecionador de caixa de fósforos e que ele começou a publicar profissionalmente em 2005, com a escrita do conto “A Sorte Muda”, publicado no livro “Modos para o Oxigênio” (Zouk), resultado de uma oficina de Escrita Criativa de Luiz Antonio Assis Brasil. O Encontro com o Autor segue até 13 de novembro na Feira do Livro com duas edições diárias, às 9h e 14h. Nesta segunda, 14h, o convidado é Alexandre Brito.  Transmissão pelo www.feiradolivropoa.com.br.

     




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