Sarau das Gurias movimenta hoje Feira do Livro
capa

Sarau das Gurias movimenta hoje Feira do Livro

Encontro com grandes escritoras gaúchas ocorre a partir das 19h, no Teatro Carlos Urbim

Por
Nereida Vergara

Lélia Almeida é uma das escritoras que estará no Sarau das Gurias

publicidade

Textos de grandes escritoras do RS farão parte desta sexta-feira de um programa já tradicional na Feira: o Sarau das Gurias. O encontro acontece às 19h, no Teatro Carlos Urbim (rua Cassiano Nascimento, na entrada da feira pela rua Sete de Setembro). Nesta terceira edição, estarão reunidas as escritoras Cíntia Moscovich (patrona da 62ª Feira), Jane Tutikian, (patrona da 57ª Feira), Cláudia Tajes e Lélia Almeida. As leituras de textos e poesias serão feitas pela atriz Vika Schabbach, entremeadas por canções na voz de Loma Pereira e piano de Dionara Fuentes. A mediação fica a cargo da professora Márcia Ivana de Lima e Silva, professora titular do Instituto de Letras da Ufrgs.

O sarau foi criado em 2017 pela escritora e professora Jane Tutikian, uma das patronas mais queridas da história da feira, e que vê no encontro uma oportunidade rara de interação das escritoras com o público. Jane destaca que desde a primeira edição o evento tem lotação esgotada e público predominante de mulheres, mas também com presença masculina. 

“Me parece natural que as mulheres busquem mais a literatura de gênero, porque, afinal, o feminismo ainda não se fechou, ainda ganhamos 26% menos que os homens e poucas de nós ocupam cargos de comando. É natural querer ler o que as outras têm a dizer”, destaca a escritora, com livros premiados desde 1978, nas categorias infantojuvenil, adulto, contos e romances. Jane analisa, também, que o mercado editorial está ruim para todos os escritores, independente de gênero. “A crise pegou todo mundo, editoras, livrarias e escritores. Por incrível que pareça, as empresas pequenas é que estão conseguindo se sair melhor”, comenta.

Lélia Almeida, escritora, professora e pesquisadora de literatura feminina há 35 anos, selecionou para o sarau o seu texto “Uma plantação de mulheres tristes”. Autora de romances, crônicas e ensaios, Lélia coordena grupos de estudo de literatura e entende que os escritos femininos ainda não estão na lista de prioridades de leitura dos homens. 

Lélia ressalta que, aos poucos, se desperta o interesse por esta literatura, que não é necessariamente boa em sua totalidade apenas por que é escrita por mulheres, mas que pode surpreender pela originalidade e pelo tipo de observação que caracteriza o feminino. “Houve mesmo um crescimento do interesse nestes últimos anos, em especial com a popularização de escritoras africanas, asiáticas e árabes das quais não se tinha conhecimento. Resta saber quais as que irão se perpetuar, por que o ofício de escritor é muito difícil”, reflete.