Filme de Polanski estreia em meio a polêmica envolvendo acusações de crimes sexuais
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Filme de Polanski estreia em meio a polêmica envolvendo acusações de crimes sexuais

"O Oficial e o Espião" venceu o prêmio do Grande Júri no Festival de Veneza e teve grande destaque no último César

Por
Marcos Santuario

Novo filme de Polanski chega hoje aos cinemas brasileiros

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O cenário que o diretor Roman Polanski, de 86 anos, escolheu para seu novo filme “J'accuse”, traduzido como “O Oficial e o Espião”, pode ser visto a partir de hoje nos cinemas. A trama que mescla o universo militar da França do final do século 19 ganhou o prêmio do Grande Júri no Festival de Veneza, e coloca em cena o julgamento do militar judeu Alfred Dreyfus, acusado de traição, com provas duvidosas.

A produção, em sua estreia na França, conviveu com pedidos de boicote ao cineasta franco-polonês, acusado de crimes de estupro. O mesmo aconteceu na recente entrega dos Prêmios César, o Oscar do cinema francês. Na cerimônia, centenas de feministas protestavam contra o cineasta, nos arredores da Sala Pleyel, em Paris.

Polanski, que não esteve na cerimônia, foi premiado como Melhor Diretor. Com tudo isso ou, apesar disso, o filme parece ter tido uma estreia melhor do que a esperada pelos produtores. Até então, suas melhores estreias na França tinham sido “O Último portal”, “Oliver Twist” e “O Pianista”. 

No novo filme de Polanski, o perseguido, acusado e condenado Alfred Dreyfus, de alguma forma remete ao que o próprio diretor enfrenta, no tribunal das mídias e dos países que analisam as acusações que recaem sobre ele. A história já relatou que no caso Dreyfus, em que o oficial francês é acusado erroneamente de espionagem, é o capitão Picquart (vivido na tela pelo excelente ator Jean Dujardin) quem desenterra o caso.

A sentença já é dada nos primeiros minutos de “O Oficial e o Espião”, mas o que realmente pode envolver na trama é o intrincado número de interesses que desejam manter o erro sem corrigir a injustiça. O caso durou 12 anos. Neste tempo, abalou profundamente a França. Tornou-se um grande e vergonhoso escândalo. Um gigantesco erro judiciário que desacreditou a Justiça.

O que aconteceu é contado, no filme de Polanski não pelo ponto de vista de Dreyfus (a vítima que foi desterrada, obrigada a viver isolada da sociedade), mas no do coronel Picquart, um oficial que, acompanhou o julgamento e, depois, ganhou a missão de renovar os serviços de contraespionagem do país.

Antissemita, Picquart causa surpresa ante seus pares, ao tornar o caso público e tentar refazer a justiça. Longe de querer ser uma marionete nas mãos dos poderosos, se rebela e expõe erros, maldades e incompetências. Trava uma briga contra as ideias pré-concebidas e os pensamentos formatados. O escritor Émile Zola também entra na trama para defender os injustiçados, enquanto se percebe uma violência sutil que transpassa a narrativa. 

A trama expõe a dor dos injustiçados que não conseguem e, provavelmente, nunca conseguirão defender-se. Enquanto isso, fora das telas, Polanski, que aparece em cena do filme, segue sendo considerado fugitivo da justiça dos EUA, onde em 1977 foi acusado de estuprar uma menor de 13 anos. Em 2018 foi expulso da Academia de Cinema de Holllywood. Agora, o diretor enfrenta outra acusação, que indignou seus colegas franceses. 

Confira com mais detalhes as estreias desta quinta-feira: