Finlândia inaugura mostra de arte de Michael Jackson apesar de polêmica
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Finlândia inaugura mostra de arte de Michael Jackson apesar de polêmica

Exposição conta com 90 trabalhos que retratam o impacto do cantor americano na cultura popular

Por
AFP

"Michael Jackson: On The Wall" reúne obras retratam o impacto do cantor na cultura popular

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Uma exposição de arte inspirada em Michael Jackson foi inaugurada nesta terça-feira, em Helsinque, na Finlândia, com os organizadores fazendo questão de esclarecer que não se trata de uma celebração ao polêmico cantor, ainda envolvido em acusações de abuso sexual uma década depois de sua morte.

"Michael Jackson: On The Wall" reúne obras antigas e novas que retratam a icônica estrela pop e seu impacto na cultura popular, por artistas como Andy Warhol, o fotógrafo americano David LaChapelle e o oleiro britânico Grayson Perry. 

A mostra que conta com 90 trabalhos foi exibida pela primeira vez na National Portrait Gallery, em Londres, em 2018, com ampla aclamação da crítica. Depois, chegou a Paris e Bonn, seguindo para Helsinque.

As exibições alemã e finlandesa acontecem depois de uma série de acusações de que Michael abusou sexualmente de crianças revividas e detalhadas no documentário "Deixando Neverland". 

Significado na cultura

Embora a exposição na capital finlandesa tenha sido mantida como planejado, os organizadores fizeram questão de colocar um texto na entrada, reconhecendo que "as notícias atuais podem ter mudado a forma como a exibição é interpretada". "Não podemos fugir desses assuntos difíceis mas, é claro, condenamos qualquer tipo de abuso", disse à AFP a curadora-chefe do Museu de Arte Moderna de Espoo, Arja Miller. 

"Também queremos fornecer uma plataforma para discussão aberta e para vozes dos artistas", acrescentou. "Essa exposição e esses artistas não estão celebrando Michael Jackson, mas analisando seu significado em nossa cultura", completou Miller. 

Patrocinadores espantados 

Miller disse que, mesmo sem terem visto a exposição, algumas organizações se recusaram a patrocinar a exposição, preocupados com as controvérsias em torno do cantor. "Estou convencida de que, se todos tivessem visto a exposição, teriam prazer em serem nossos parceiros, porque é muito diversificada", alegou. 

Foto: Irene Stachon Lehtikuva / AFP / CP 

Muitos dos trabalhos inspirados em Jackson circulam entre o berrante e o grotesco, incluindo uma enorme estátua de outro do megastar com seu chimpanzé de estimação, Bubbles, feita por Paul McCarthy.

Em outro canto, um retrato em tamanho real de Kehinde Wiley, encomendado pelo próprio Jackson pouco antes de sua morte em 2009, apresenta a estrela em uma armadura de joias em um cavalo cercada por querubins, depois de um retrato por Rubens do rei Filipe II da Espanha. 

A instalação do artista romeno Dan Mihaltianu se baseia no impacto do show de Jackson em uma Bucareste pós-comunista, em 1992, usando fotos de jornais ao lado de cenas de show. 

Mihaltianu disse que o interesse em sua peça, a partir de 1994, sempre cresceu todas as vezes que Michael Jackson chegou às manchetes ao longo dos anos.

"Ele vai ser lembrado como um ícone de alguma forma. Você não pode simplesmente apagá-lo", afirmou Mihaltianu à AFP. "Eu me lembro quando ele morreu. As pessoas estavam meio que 'OK, agora ele precisa descansar em paz'. Mas, dez anos depois, é uma nova história chegando", completou.