Grupos protestam contra Polanski na entrada da cerimônia do Prêmio César

Grupos protestam contra Polanski na entrada da cerimônia do Prêmio César

Com escândalo sexual no currículo, diretor lidera indicações à láurea com seu longa "O Oficial e o Espião"

Correio do Povo

Diretor não comparece à cerimônia

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Ativistas do movimento feminista e pelos diretos da mulheres protestaram na noite desta sexta-feira em Paris, do lado de fora do Salle Pleyel, enquanto os convidados chegavam para a 45ª edição da cerimônia de premiação do César. A Academia que organiza o prêmio mais importante do cinema francês está passando por uma crise depois que todo o conselho renunciou em meio a pedidos de reforma e uma briga sobre o escândalo sexual envolvendo o diretor Roman Polanski. Nos cartazes levados à entrada da sala de concertos no 8º arrondissement da Cidade Luz, era possível ler mensagens como "O César da impunidade vai para..." e "Estupro, uma arte menor".

O filme do cineasta franco-polonês "O Oficial e o Espião" ("J'accuse", no original) lidera a lista de indicações à láurea, concorrendo em 12 categorias. Na quinta-feira, o premiado realizador informou que não compareceria à cerimônia porque temia um "linchamento público". "Lamento tomar esta decisão, a de não enfrentar um tribunal de opinião autoproclamado disposto a pisotear os princípios do Estado de direito para que o irracional triunfe novamente", afirmou o artista de 86 anos, em um comunicado.


Protesto ocorreu em frente ao Salle Pleyel | Foto: Lucas Barioulet / AFP / CP

Porta-voz da organização "Osez le Feminisme", Céline Piques, aponta que ele está protegido pelo mundo do cinema na França. "Isto é uma loucura, dois anos depois do movimento #MeToo. Enquanto nos Estados Unidos, Weinstein foi considerado culpado de violação e abuso sexual, aqui admiramos Roman Polanski". O ministro francês da Cultura, Franck Riester, considera que seria de mau tom premiá-lo como melhor diretor, mas não vê inconveniente em agraciá-lo em outras categorias.

A estreia do longa-metragem no fim de 2019 na França foi marcada por pedidos de boicote depois que uma fotógrafa francesa, Valentine Monnier, afirmou à imprensa que Polanski a estuprou em 1975, quando ela tinha 18 anos. O diretor negou a acusação. As polêmicas continuaram quando "O Oficial e o Espião", que também recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza.


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