Há 100 anos, Agatha Christie lançava seu 1º livro, recusado por seis editoras

Há 100 anos, Agatha Christie lançava seu 1º livro, recusado por seis editoras

"O Caso Misterioso de Styles" nasceu de um desafio feito pela irmã da escritora

AE

Agatha Christie escreveu 65 romances policiais e 14 coletâneas de contos, além da peça "A Ratoeira"

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Foi em outubro de 1920, há 100 anos, que Agatha Christie lançou seu primeiro livro: "O Caso Misterioso de Styles". A obra, que ela começou a escrever a obra como uma espécie de resposta a um desafio feito pela sua irmã Madge, que apostou que ela não conseguiria escrever uma boa história de detetive, saiu primeiro nos Estados Unidos e só no ano seguinte o romance policial foi publicado na Inglaterra, país da autora.

"O Misterioso Caso de Styles" foi publicado em 1920, pela The Bodley Head, mas sua história começou anos antes, ainda durante a Primeira Guerra Mundial, quando Agatha Christie trabalhava na botica do hospital e tinha bastante tempo livre para imaginar - diferentemente de sua experiência anterior, como enfermeira voluntária no conflito.

"Eu comecei a pensar em que tipo de história de detetive eu poderia escrever. Já que eu estava rodeada de veneno, talvez fosse natural que a morte por envenenamento fosse o método escolhido. Eu me decidi por um fato que parecia levar a várias possibilidades. Brinquei com a ideia, gostei dela e finalmente a aceitei. Depois fui para os personagens. Quem seria envenenado? Quem o envenenaria? Quando? Onde? Por quê? E todo o resto", escreveu Agatha Christie em sua autobiografia.

Pessoas que passavam por ela serviam de inspiração, mas ainda era preciso inventar seu detetive. Não queria nada como Sherlock Holmes, que apareceu pela primeira vez em uma história de Arthur Conan Doyle em 1887. Era preciso criar um detetive dela, com características inventadas por ela. A ideia de Hercule Poirot surgiu depois que uma pequena colônia de refugiados belgas chamou sua atenção.

Por sugestão de sua mãe, Agatha Christie usou duas semanas de suas férias, em 1917, para se concentrar em seu primeiro livro policial - ela já tinha escrito poemas e um romance, mas nada de tanto fôlego ou no gênero que a distinguiria como The Mysterious Affair At Styles. Ela já estava na metade do processo quando foi passar uma temporada em Dartmoor, no Moorland Hotel.

Voltou de lá com a primeira versão quase pronta. Cortou aqui, revisou ali, colocou o ponto final e contratou um digitador para preparar os originais. Tudo pronto, e o livro foi mandado para editoras. E rejeitado por seis. Agatha Christie continuou tentando até que a The Bodley Head aceitou publicar - não sem antes pedir alguns ajustes na história e em seu final.

Assim, quatro anos depois de a história começar a ser imaginada, Agatha Christie finalmente se tornava uma escritora publicada e Poirot trilhava o caminho que o levaria a ser um dos principais detetives da literatura mundial. Pouco depois, Agatha Christie já era a Rainha do Crime.

Nascida em Torquay, em 15 de setembro de 1890, Agatha Christie publicou, então, seu primeiro livro aos 30 anos. No meio século que se seguiu ao lançamento de "O Misterioso Caso de Styles", ela escreveu outros 65 romances policiais e 14 coletâneas de contos, além da peça "A Ratoeira" (The Mousetrap). Muitos de seus títulos foram adaptados para o cinema e televisão - a mais recente adaptação, de "A Morte no Nilo", com Gal Gadot e Kenneth Branagh, deve chegar aos cinemas em dezembro. Uma das maiores best-sellers da história da literatura, com um bilhão de exemplares vendidos em língua inglesa e outro bilhão em traduções, segundo dados de seu espólio, Agatha Christie morreu em 12 de janeiro de 1976, aos 85 anos.

 


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