“Hebe - A estrela do Brasil” retrata trajetória e força política da comunicadora
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“Hebe - A estrela do Brasil” retrata trajetória e força política da comunicadora

Cinebiografia estreia nesta quinta-feira e é dirigida por Maurício Faria

Por
Marcos Santuario

Hebe é interpretada pela atriz Andréa Beltrão

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Dirigido por Maurício Faria, chega aos cinemas nesta quinta-feira a cinebiografia de uma das maiores comunicadoras que o país já teve. “Hebe - A estrela do Brasil”, vivida na tela pela atriz Andréa Beltrão, mostra momentos marcantes da mulher que se consagrou como uma das apresentadoras mais emblemáticas da televisão brasileira. Sua carreira passou por diversas mudanças ao longo dos anos, mas foi durante a década de 80, no período de transição da ditadura para a democracia, que Hebe, ao 60 anos, tomou uma decisão importante.

A apresentadora passou a controlar a sua carreira e, ignorou críticas do marido ciumento (vivido na produção pelo ator Marco Ricca) e dos chefes poderosos. Ganhou a aura de mulher extraordinária, capaz de superar qualquer crise pessoal ou profissional e seguir em frente. 

Na tela, diante das tentativas do governo federal de controlar o que apresentadora diz e faz em seu cada vez mais popular programa de televisão, Hebe indaga: “A censura acabou ou não, no Brasil?”. E assim, o filme começa com o impasse, que motivou sua saída da Rede Bandeirantes, em meados dos anos 1980, para ser acolhida, em seguida, pelo SBT de Silvio Santos.

Ao fazer o filme, Maurício Farias disse ter aprendido muito sobre quem era a verdadeira Hebe. “Descobri uma pessoa diferente da minha visão simplista. Ela não tinha vergonha de mudar de opinião. É exemplo de profissional, como comunicadora, pois era aberta ao diálogo”, observou em coletiva de imprensa, durante a edição 2019 do Festival de Cinema de Gramado. Para ele, Hebe mostrou que “uma democracia só se consolida no convívio com as diferenças”.

Farias apresenta ângulos de câmera diferentes aos já mostrados nos programas de TV. Com isso, a personagem é constantemente vista de costas, como na sequência de abertura, sentada no camarim, imóvel, recusando-se a entrar no palco. 

Na tela, está o momento de vida de Hebe em 1985, 27 anos antes de sua morte, com roteiro assinado por Carolina Kotcho, nome de outras seis cinebiografias – da dupla Zezé Di Camargo e Luciano a Paulo Coelho. Ela se baseou não somente em cenas dos programas de televisão, mas também em mais de 3 mil reportagens que foram feitas sobre a artista. 

A atriz Andréa Beltrão, que só acompanhou a exibição do filme em Gramado, sem dar entrevistas, foi a primeira escolha de Carolina para viver a personagem. “Escrevi para ela. O que acho mais fascinante é que não é a Hebe, não é uma imitação da Hebe, mas ocupa este lugar. Ela enche a tela com esta força, isto é muito raro”, comentou Carolina.

Ela revelou não se sentir para nada parecida fisicamente com Hebe e tentou não imitar ou fazer papel de sósia, mas sim mesclar trejeitos incorporados a uma interpretação mais pessoal. Hebe Camargo morreu em 2012, aos 83 anos, deixando uma vasta biografia a ser explorada, apresentada em pequena parte no filme de Farias.