Histórias infantis originais, em leituras dramatizadas com músicas e desenhos

Histórias infantis originais, em leituras dramatizadas com músicas e desenhos

Ambientado nos anos 1990, “Nefelibato” dialoga com Brasil atual

Vera Pinto

Luiz Machado interpreta homem que perdeu tudo e oscila entre a lucidez e a loucura

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A partir de material pré-filmado, “Nefelibato”, que há 4 anos vem percorrendo o Brasil, tem sessões neste sábado e no próximo, às 21h, pela plataforma IClubbe. Fernando Philbert dirige o espetáculo, com supervisão artística de Amir Haddad, sobre um homem que vai morar na rua após os efeitos devastadores da crise econômica dos anos 1990. Protagonizado por Luiz Machado, o espetáculo dialoga muito bem como Brasil de hoje, 

Pelas ruas da cidade, Anderson oscila entre a lucidez e a loucura – ele hoje é apenas a sombra de um homem outrora bem-sucedido, mas que perdeu tudo: sua empresa, todas as suas economias, o grande amor da sua vida e um parente querido. Na fronteira com o delírio, esta pungente figura ainda capaz de lampejos de sabedoria. Em cena, os efeitos devastadores do Plano Collor, que levaram o personagem central a se tornar morador de rua. O país voltava a ter um governo eleito democraticamente e a inflação galopante exigia medidas drásticas. A saída da nova equipe econômica foi confiscar parte da caderneta de poupança da população, o que levou milhares de brasileiros ao desespero e à bancarrota. Muitos enlouqueceram, como Anderson, que ainda amarga outras perdas em sua vida. 

Com 25 anos de carreira, incluindo teatro, TV e cinema, Luiz Machado tem em “Nefelibato”, o primeiro monólogo. “Anderson é alguém que vive situações limite. Um equilibrista no fio tênue entre lucidez e loucura, vida e poesia”, diz o ator. O quanto de loucura é necessário para o ser humano não perder a própria vida? Essa pergunta acompanhou o diretor Fernando Philbert ao longo do processo da montagem. “Quis tratar do instinto de sobrevivência que o ser humano tem e esquece que tem. Viver na rua é o caminho que ele encontrou para continuar vivo”, destaca o diretor.
 


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