Literatura indígena é tema de debate na rede Beabah

Literatura indígena é tema de debate na rede Beabah

Rede de bibliotecas comunitárias promove hoje, 19h, uma aula pública com o tema “Literatura Indígena: como chegar ao leitor?”

Camila Souza

Escritora Telma Pacheco é indígena da etnia Tremembé, do Ceará

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A rede de bibliotecas comunitárias Beabah promove hoje, às 19h, uma aula pública com o tema “Literatura Indígena: como chegar ao leitor?”, com a presença da escritora Telma Pacheco Tremembé. A conversa é gratuita e será transmitida pelo Instagram. Telma é indígena da etnia Tremembé do Ceará, escritora, artesã, militante da causa indígena e da natureza, contadora de histórias e mediadora de leitura pela Fundação Demócrito Rocha, universidade aberta do nordeste. No bate-papo, que terá mediação de Vitória Sant’Anna, Telma vai trazer suas narrativas e vivências enquanto escritora mulher e indígena. Ela é autora do livro “Raízes do meu ser: meu passado presente indígena”, fruto de uma pesquisa realizada sobre seu passado. Nessa autobiografia, Telma relata como a cultura indígena fez parte de sua história mesmo quando ela não vivia com seu povo. “A frase que me descreve muito bem é ‘quando eu não estava na aldeia, a aldeia estava em mim’, por conta dos costumes e espiritualidade muito aguçados desde sempre”, destaca.

A autora pretende debater a forma correta de identificar os indígenas. “Fazem a pergunta ‘você é indígena de verdade?’, mas a forma correta é perguntar de que povo nós somos, quais são os rituais que fazemos na aldeia, por exemplo. Nós temos museus nas aldeias, escolas indígenas, temos a educação diferenciada do povo. E a literatura é uma das formas mais corretas de se conhecer a nossa cultura”. Ela também vai fazer a leitura de um texto de sua autoria e dar espaço para o público fazer perguntas. “Isso nos importa: entender o que as pessoas querem saber de nós”, explica.

Telma recebeu com muito entusiasmo o convite para participar da live. Para ela, o trabalho das bibliotecas comunitárias é diferenciado. "Eu acredito que essa parceria vai fortalecer muito a cultura indígena. O conhecimento da nossa cultura precisa chegar até as pessoas e eu acredito que através da bibliotecas comunitárias podemos fazer isso de forma bem eficaz”, diz. O Beabah existe há 12 anos para descentralizar a cultura e democratizar o acesso ao livro e à leitura. Dez bibliotecas comunitárias integram a rede em quatro cidades: Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Esteio e Porto Alegre. Em 2019 foram emprestados quase sete mil livros, com alcance de mais de nove mil leitores.

*Supervisão de Luiz G. Lopes


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