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Livro com fotos inéditas detalha relação artística e pessoal de Andy Warhol e Basquiat

Mais de 400 fotografias ilustram a amizade e parceria de trabalho dos artistas

Por
Correio do Povo

Os dois tornaram-se bons amigos e colaboradores constantes, criando obras de arte vibrantes e brilhantes

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Mais de 32 anos após a morte de Andy Warhol, centenas de fotos tiradas pelo ícone da pop arte – até agora inéditas – revelam as minúcias de sua amizade com Jean-Michel Basquiat, capturando muitos momentos deles juntos. Um vislumbre “voyerístico” do mundo de dois dos maiores artistas do final do século 20 é revelado em um livro que traz à luz algumas das mais de 130 mil fotografias que Warhol fez para documentar todos os aspectos de sua vida. Ele as capturou através das lentes de sua câmera de 35mm, mas imprimiu apenas uma pequena parcela dos negativos.

A obra "Warhol on Basquiat. The Iconic Relationship Told in Andy Warhol’s Words and Pictures" ("Warhol sobre Basquiat. A relação icônica contada nas palavras e imagens de Andy Warhol", em tradução literal) foi produzida em colaboração com a The Andy Warhol Foundation e a propriedade de Basquiat. O livro explora a complexa relação pessoal e profissional dos artistas através de cerca de 400 fotografias, trechos do lendário Andy Warhol Diaries, material de arquivo raramente visto e exemplos de suas obras colaborativas. Está à venda na Amazon por 40 libras

De acordo com o texto de apresentação, o "complexo relacionamento de Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat cativou o mundo da arte naquela época e agora". "Numa época em que Warhol já era mundialmente famoso e o mais velho estadista de Nova Iorque, Basquiat era um talento do centro da cidade que subia rapidamente da cena do graffiti. Juntos, eles forjaram uma parceria pessoal e profissional eletrizante", diz a seção de abertura da publicação.

Os dois tornaram-se bons amigos e colaboradores constantes, criando obras de arte vibrantes e brilhantes. Durante a ascensão dos movimentos de hip-hop, punk e arte de rua do final dos anos 1970, Basquiat começou também sua escalada à fama. O florescente movimento artístico foi uma saída importante para ele, que faria de sua visão excêntrica uma marca indelével. Sua carreira decolou nos anos 1980, quando participou de inúmeras galerias. Durante este tempo, conheceu Warhol através do negociante de arte Bruno Bischofberger e os dois continuariam sua amizade até a morte de Warhol, em 1987.

Mesmo que alguns críticos não apreciassem o relacionamento – alguns alegam que Basquiat era um sanguessuga faminto por fama tentando superar a reputação de Warhol enquanto outros afirmavam que Warhol era um oportunista que estava usando o talento de Basquiat para seus próprios fins – a verdade parece mostrar que a amizada era genuína. Ronny Cutrone, um amigo dos dois, foi citado em uma biografia de Andy Warhol dizendo: “Era como um casamento maluco no mundo da arte e eles eram o casal estranho. A relação era simbiótica. Jean-Michel achou que precisava da fama de Andy e Andy achou que ele precisava do sangue novo de Jean-Michel. Jean-Michel deu a Andy uma imagem rebelde”.

Rumores de intimidade sexual entre os dois foram deixados de lado por amigos e familiares. Um notório ícone gay, Andy pode ser visto flertando com Basquiat em filmagens raras dos anos 80, e é claro que o par tinha uma conexão. “Andy, como muitas pessoas, foi muito seduzido e enamorado por Jean-Michel. Acho que ele provavelmente tinha uma queda por ele”, conta a ex-namorada de Basquiat, Suzanne Mallouk.