Mais felicidade no verão: sol estimula o bom humor

Mais felicidade no verão: sol estimula o bom humor

Saiba por que a estação mais quente do ano também é a mais feliz

Eric Raupp

As condições climáticas e atmosféricas do verão estimulam o organismo

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Férias na praia, churrasco na casa dos amigos e diversão na beira da piscina são cenários bastante típicos de uma tarde de verão. Na estação, há quem diga que os sorrisos se multiplicam e que um clima de alegria toma conta do ambiente. De fato, a alta incidência da luz solar no período estimula o funcionamento dos neurotransmissores, entre eles a serotonina, dopamina, noradrenalina e endorfina, responsáveis por trazerem bom humor, energia e promoverem a regulação do ciclo do sono. 

O funcionamento do humor acontece nas sinapses, zonas ativas de contato entre neurônios cerebrais, por meio da troca dos neurotransmissores - substâncias químicas responsáveis por enviar informações às células nervosas e fazer a ligação entre elas. “Há uma estabilidade nesse processo, mas o aumento ou a diminuição dos neurotransmissores vão trazer mudanças no humor”, explica o diretor da Ciulla Clínica Psiquiátrica de Porto Alegre e médico especialista na área Abelardo Ciulla. Entretanto, ele argumenta que esse efeito varia nas pessoas, porque há casos em que a produção desses elementos já é bastante alta, então a luminosidade não vai ter uma influência tão grande.

O psiquiatra Jackson Rodrigues conta que as condições climáticas e atmosféricas do verão estimulam o organismo e influenciam no fato das pessoas saírem mais e terem mais condições de se exercitarem. “Os exercícios físicos melhoram a circulação cerebral e o funcionamento neuronal, então nos encontramos em um ciclo de qualidade de vida, porque uma coisa leva à outra”, elucida. Além disso, as atividades, aeróbicas ou anaeróbicas, aumentam o nível de neurotransmissores, como a noradrenalina e a dopamina, que produzem uma sensação de relaxamento e bem-estar.

O consultor em desenvolvimento humano Rodrigo Silveira trabalha com os princípios da medicina tradicional chinesa, técnica terapêutica milenar que se baseia em conceitos energéticos e naturais. Ele explica que os raios solares são responsáveis por produzir entre 80% e 90% da vitamina D que o corpo necessita. “Sem luz solar, o organismo tem dificuldades de sintetizar essa substância, que desempenha um papel essencial no desenvolvimento dos ossos, e também na produção de serotonina”, argumenta. A vitamina D também funciona com um regularizador do sono ao liberar um hormônio que relaxa as células nervosas.

A falta de exposição à luz solar e consequente redução de vitamina D no organismo inibem a produção de cortisol, capaz de gerar a sensação de prazer, calma e relaxamento. É nesse sentido que surge a constatação de que as pessoas são mais felizes no verão: “pegar um sol” torna-se um ato natural e quase involuntário, uma vez que a incidência dos raios ultravioletas na estação é a maior em qualquer época do ano. Por mais que uma pessoa fuja do sol, bastam dez minutos sob a grande estrela para que os processos previamente citados aconteçam. Assim, a uma hora a mais de sol por causa do horário de verão traz benefícios que vão além da diminuição dos gastos de energia.

Luz artificial x luz solar

De acordo com a mestre em Feng Shui Marilda Romero, ambientes como residências, escolas e escritórios podem ter uma iluminação ineficiente. Além disso, as luzes artificiais não reproduzem com precisão as cores do sol.

Lâmpadas incandescentes emitem uma luz predominantemente laranja-avermelhado, com ausência significativa dos tons de alta frequência: verde, azul e violeta. Além disso, a iluminação incandescente desperdiça em torno de 70 a 80% da energia elétrica em forma de calor inútil. Já a luz fria, com a dominância do verde azulado pode ser deficiente dos tons violetas e vermelho.

Marilda afirma que a luz é considerada um sistema biodinâmico que afeta o sistema endócrino e todos os sistemas biológicos. “Longos períodos distantes da luz solar podem afetar indivíduos em sua criatividade, causar sonolência pela manhã e dificuldades em conciliar o sono”, conclui.

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