Netflix diz que "apoia fortemente a expressão artística" do Porta dos Fundos

Netflix diz que "apoia fortemente a expressão artística" do Porta dos Fundos

Empresa manifestou-se através do Twitter sobre a decisão da Justiça do Rio de Janeiro

Por
Correio do Povo

Gregório Duvivier protagoniza o especial "A Primeira Tentação de Cristo"


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A Netflix se manifestou, nesta quinta-feira, através do Twitter sobre a decisão da Justiça do Rio de Janeiro de retirar do catálogo o especial de Natal do Porta dos Fundos. A determinação ocorreu nessa quarta-feira, e também impediu a exibição do filme “A Primeira Tentação de Cristo” em qualquer outro meio. O descumprimento dessas ordens pode gerar multa de R$ 150 mil por dia de exibição.

O Porta dos Fundos também soltou uma nota, através do Facebook, onde diz que é contra qualquer ato de censura, violência, ilegalidade, autoritarismo e tudo aquilo que não esperava mais ter de repudiar em pleno 2020. “Nosso trabalho é fazer humor e, a partir dele, entreter e estimular reflexões. Para quem não valoriza a liberdade de expressão ou tem apreço por valores que não acreditamos, há outras portas que não a nossa. Seguiremos publicando nossos esquetes todas as segundas, quintas e sábados em nossos canais”, diz o texto.

“Por fim, acreditamos no Poder Judiciário em manter a defesa histórica da Constituição Brasileira e seguimos com a certeza que as instituições democráticas serão preservadas”, encerra a nota. 

O especial de Natal do Porta dos Fundos, “A Primeira Tentação de Cristo”, faz uma sátira religiosa e tem como enredo o aniversário de 30 anos de Jesus Cristo, o retratatando como um homossexual que se envolve com Lúcifer; na versão, Maria trai José com Deus. Divulgado em dezembro na plataforma de streaming, o episódio causou polêmica e foi alvo de um abaixo-assinado online que acusava o grupo humorístico de “ofender gravemente os cristãos”.

A produção também virou pretexto para um atentado contra a sede da produtora do Porta dos Fundos, no Humaitá, na madrugada de 24 de dezembro. Dois coquetéis molotov foram lançados, por um grupo que se apresentou na internet como integralista, dentro do prédio, causando um incêndio que foi controlado antes de causar danos significativos.

Um acusado pelo atentado – Eduardo Fauzi Richard Cerquise, de 41 anos – está foragido desde 31 de dezembro. Ele viajou para a Rússia antes de sua prisão ser decretada.

A decisão de tirar o especial do ar foi tomada pelo desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível, em agravo de instrumento proposto pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, um grupo religioso carioca.