Obra antissemita que provocou polêmica em feira de arte contemporânea na Alemanha será coberta

Obra antissemita que provocou polêmica em feira de arte contemporânea na Alemanha será coberta

Exposta na Documenta de Kassel, uma feira de arte contemporânea que expõe durante 100 dias obras de mais de 1.500 artistas e atrai um milhão de visitantes

AFP

Uma obra classificada como antissemita, exposta na Documenta de Kassel será coberta após pedidos de Israel

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Uma obra classificada como antissemita, exposta na Documenta de Kassel, uma feira de arte contemporânea, será coberta após pedidos de Israel e representantes judeus para que fosse retirada, anunciaram os organizadores nesta segunda-feira, dia 20.

É um novo golpe para esta feira que acontece a cada cinco anos e foi criticada nos últimos meses por antissemitismo.

A embaixada de Israel e os representantes dos judeus da Alemanha pediram nesta segunda-feira aos organizadores da feira que retirassem a obra.

A feira, que começou no sábado, contém uma obra que mostra um soldado com uma cabeça de porco, uma estrela de Davi e a inscrição "mossad" em seu capacete, em referência aos serviços secretos de Israel.

A obra também apresenta um homem com dentes grandes, cabelos encaracolados, um chapéu com inscrição nazista da SS e um cigarro na boca, lembrando caricaturas antissemitas de judeus ortodoxos. 

A obra "apresenta claramente motivos antissemitas", disse no Twitter o diretor do Centro Anne Frank e professor da Universidade de Frankfurt, Meron Mendel. 

Em comunicado, a embaixada israelense em Berlim observou que "elementos presentes em algumas das obras lembram a propaganda de Goebbels" difundida "no momento mais sombrio da história alemã".

"Devem ser retirados imediatamente da exposição", pediu.

"A liberdade artística termina onde começa a misantropia", disse por sua vez Josef Schuster, presidente do Conselho dos Judeus da Alemanha. 

A ministra alemã da Cultura também criticou a mostra. 

O coletivo palestino The Question of Funding, altamente crítico da ocupação israelense, faz parte da mostra deste ano. 

Mas o grupo é acusado de estar ligado ao movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), que pede boicote a Israel por sua ocupação de territórios palestinos. 

O BDS foi rotulado como "antissemita" pelo parlamento alemão em 2019 e não pode receber financiamento público. Metade do orçamento da Documenta vem do governo federal.

Documenta, um dos maiores eventos de arte contemporânea junto à Bienal da Veneza, expõe durante 100 dias obras de mais de 1.500 artistas e atrai um milhão de visitantes.


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