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Obra-prima de Gabriel García Márquez, “Cem anos de solidão” vai virar série na Netflix

Família do escritor exigiu que a produção seja em espanhol e que as gravações ocorram na Colômbia

Por
Marcos Santuario

Publicado em 1967, livro causou enorme impacto na América Latina

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No dia em que se relembra o nascimento do escritor Gabriel García Márquez, popularmente conhecido como Gabo, a Colômbia amanheceu com a notícia de que seu livro “Cem Anos de Solidão”, uma das obras mais importantes da literatura universal, teve os direitos adquiridos pela plataforma de conteúdos Netflix para transformá-la em série televisiva.
A confirmação foi dada por um dos filhos do autor, Rodrigo García Barcha, que também informou que família exigiu que a produção seja em espanhol e as gravações ocorram no país latino. É a primeira vez o título ganhará qualquer versão em vídeo.

Rodrigo, que será produtor executivo ao lado do irmão Gonzalo, afirmou que os familiares querem que o conteúdo tenha vida própria. “Não queremos que isso seja um obstáculo para os artistas, diretores e equipe”, revelou. Como isso, o que se reconhece na obra de Gabo como o realismo mágico, considerada entrada ao universo especial e fantástico de muitas de suas narrações, poderá chegar ao público que consome a plataforma. O que há hoje disponível em Netflix é o documentário “Gabo, a Magia do Real”, de 2015, com depoimentos sobre o escritor, morto em 17 de abril de 2014.

Publicado em 1967, “Cem Anos de Solidão” causou um enorme impacto na América Latina, que estava pontilhada de ditaduras. A narrativa em tom quase mítico versa sobre os Buendía e apresenta o universo da fictícia Macondo, onde se passa o romance. É lá que o leitor acompanha diversas gerações dessa família, assim como a ascensão e a queda do vilarejo. A trajetória daquele vilarejo e daquele clã se confunde com a história do próprio continente, marcada, no período, por um sentimento geral de opressão e de impotência, com as denúncias de corrupção, exploração, genocídios e totalitarismo. O livro atingiu a marca de 50 milhões de exemplares vendidos, em 25 línguas, sendo 440 mil do Brasil, onde foi publicado pela Editora Record.

García Márquez é um dos principais expoentes do movimento literário e cultural latino-americano realismo mágico, ou realismo fantástico, ao lado do peruano Manuel Scorza e dos argentinos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges. Iniciou a carreira como jornalista, em 1948, e trabalhou como correspondente em Roma, Paris, Havana, Nova Iorque, Barcelona e na Cidade do México. Entre suas principais obras também estão "Crônica de uma Morte Anunciada", "O Amor nos Tempos do Cólera", "Ninguém Escreve ao Coronel", "Notícia de um Sequestro" e "Memórias de Minhas Putas Tristes". No dia 21 de outubro de 1982, o colombiano foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura por conta de sua grande e frutífera produção.