Orson Welles e a brilhante versão de 'O Processo'

Orson Welles e a brilhante versão de 'O Processo'

Filme de 1962 ganha exibição hoje em canal de TV

AE - Por Luiz Carlos Merten

Cena do filme 'O Processo'

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Autor de um filme marco na história do cinema - Cidadão Kane, de 1941, que muitos críticos consideram o melhor de todos os tempos -, Orson Welles nunca mais desfrutou da liberdade de criação outorgada pela RKO, quando o estúdio lhe ofereceu um contrato excepcional, para atraí-lo a Hollywood. O fracasso de público perseguiu-o como um fantasma e, por volta de 1960, não importava quantas obras-primas já tivesse feito, ele tinha de trabalhar como ator para tentar financiar os próprios filmes.

Em 1962, radicado na Europa, Welles atracou-se com ninguém menos que Kafka e dirigiu a sua versão de O Processo. O filme passa às 22 h desta quarta-feira, 7 de outubro, no canal Telecine Cult. Começa na cara de Anthony Perkins. Ele abre os olhos para descobrir que está sendo preso, acusado de um crime que nunca saberá qual é, exatamente. Welles transforma o absurdo kafkiano em expressionismo. Portas, púlpitos, Welles joga com as dimensões do cenário e o preto e branco para esmagar o protagonista, Joseph K. É um filme brilhantemente dirigido e interpretado. Welles iniciou aqui uma parceria com a estrela Jeanne Moreau que prosseguiu em outros filmes. Ele próprio atua, contracenando com Akim Tamiroff, um de seus atores preferidos. Nem o reforço de Romy Schneider e Elsa Martinelli tornou o filme atraente para o grande público. Mas é um clássico.


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