"Pacarrete" é ovacionado no 47º Festival de Cinema de Gramado
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"Pacarrete" é ovacionado no 47º Festival de Cinema de Gramado

Filme foi exibido nessa terça-feira no evento serrano

Por
Adriana Androvandi

Equipe do filme "Pacarrete" no tapete vermelho

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O filme “Pacarrete” foi aplaudido por vários minutos ao final da sessão do filme nessa terça-feira à noite, como pouco se viu nos últimos anos no Festival de Cinema de Gramado. Longa-metragem de estreia do diretor Allan Deberton, a história se passa na cidade de Russas, Ceará.

A protagonista, Pacarrete, é uma senhora que foi professora e bailarina. Viveu em Fortaleza, mas retornou a Russas para cuidar da irmã doente. Grande parte do filme se passa na casa das irmãs. A narrativa começa em um tom cômico. Mas uma atmosfera melancólica começa a crescer no filme a medida que o espectador percebe que Pacarrete não é compreendida. Ela quer se apresentar nas festividades de aniversário da cidade, mas é desdenhada.  

É uma artista sem palco, que vive em um lugar que prefere forró a balé clássico. A personagem, com a interpretação marcante de Marcélia Cartaxo, conquistou público e crítica, de maneira que a equipe do filme foi ovacionada ao sair do cinema e é cumprimentada pelas ruas de Gramado por artistas, jornalistas e espectadores.

Ao lado de Pacarrete, está sua irmã, Chiquinha (Zezita Matos) e a empregada da casa (Soia Lira), formando um potente trio de atuação. O único amigo da professora é um dono de bodega, vivido com docilidade pelo ator João Miguel.

O diretor conta que a personagem é inspirada em uma mulher que realmente viveu na sua cidade, Russas. “Ela era tida como louca. As crianças apertavam a campanhia da casa dela para provoca-la. Pesquisei sobre ela e descobri que ela tinha uma história de vida muito interessante”, explicou Deberton.

Alguns filmes que lhe servem como referência são “Crepúsculo dos Deuses”  (1950), por tratar de uma artista saudosista, e “O Fabuloso  Destino de Amélie Poulain” (2001), para a parte referente ao amor à cultura francesa que Pacarreta alimenta.

Além de ser muito bem realizado, em termos técnicos, “Pacarrete” emociona por falar de incompreensão, solidão e arte. Desde já se firma como um forte concorrente para a grande noite de premiação, no próximo sábado, especialmente na categoria de atuação.