Paulo Miklos dá vida a Chet Baker em peça em Porto Alegre
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Paulo Miklos dá vida a Chet Baker em peça em Porto Alegre

Apresentação será no Theatro São Pedro, no sábado e no domingo

Por
Vera Pinto

Na peça, Paulo Miklos interpreta o astro do jazz norte-americano

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Tocando em paralelo a carreira na música, cinema e teatro, Paulo Miklos chega a Porto Alegre com “Chet Baker, Apenas um Sopro”, dirigida por Zé Roberto Jardim. No trabalho de estreia nos palcos, o ex-Titã vive o astro do jazz, em um momento de fragilidade, após um trágico incidente. As apresentações serão no Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/n°) somente neste sábado, às 21h e domingo, 18h. 

Em Curitiba há pouco mais de um mês e meio, filmando “Jesus Kid”, a partir do livro de Lourenço Mutarelli, Miklos lembra sua estreia como ator, em “O Invasor” (2001). Desde então atuou em muitos longas, novelas e minisséries, mas faltava encontrar o público no teatro. Seu desejo foi concretizado com “Chet Baker, Apenas um Sopro”, em que vive o trompetista e cantor norte-americano, após ter sido espancado por traficantes, no episódio ocorrido nos anos 1960, que lhe acarretou a perda de alguns dentes superiores e a interrupção da carreira.

A peça mostra o ensaio de lançamento de um disco, após o acidente, em que o músico encontra com seus quatro companheiros de estúdio, reunidos por um produtor, que aposta em seu retorno. “É uma situação muito familiar para mim. O autor conseguiu delinear bem a relação dos músicos. A peça é dramática, com um personagem denso e conturbado. Ali a gente fica diante da insegurança deste grande artista e a expectativa do público, após ele sofrer a agressão”, afirma Miklos sobre a trama escrita por Sérgio Roveri. 

Harmonia entre música e atuação

Com um elenco de músicos-atores – Anna Toledo (voz), Jonathas Joba (baixo), Piero Damiani (piano e direção musical) e Ladislau Kardos (bateria) – o espetáculo conta com muita música ao vivo, mas não é um musical. Depressão, alcoolismo e drogas são temas abordados, de forma sensível, na montagem que estreou em 2016, em São Paulo e percorreu Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Nesta volta, passou por Vitória, Salvador e Curitiba e daqui segue para São Paulo e Recife. 

História

Chet Baker (1929-1988) influenciou a bossa nova, por sua forma de tocar e cantar, sendo o ídolo de João Gilberto e Carlos Lyra. “É diferente do jazz Bebop nova-iorquino, mais urbano e nervoso. É música lírica, muito sensível e suave, o cool jazz”, fala Miklos, grande fã de Chet. Entre a glória e os descaminhos causados pelo vício, especialmente em heroína, e as inúmeras prisões, Miklos lembra de um fato inusitado. “Quando detido na Itália, as pessoas se amontoavam na prisão para ouvi-lo tocar de dentro de sua cela’.