Prefeitura lançará edital para terceirizar administração da Cinemateca Capitólio
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Prefeitura lançará edital para terceirizar administração da Cinemateca Capitólio

Secretaria de Parcerias Estratégicas também vai repassar administração da Pinacoteca Ruben Berta e do Atelier Livre

Por
Rádio Guaíba e Correio do Povo

Prefeitura quer lançar edital para administração da Cinemateca Capitólio

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Até fevereiro, a Prefeitura de Porto Alegre lançará um edital para terceirizar a gestão da Cinemateca Capitólio, no Centro Histórico. Os trabalhos ficarão a cargo de uma organização da sociedade civil. Se por um lado a Associação dos Amigos da Cinemateca Capitólio (AAMICA) adverte para a possível precarização do serviço com a terceirização, a Secretaria de Parcerias Estratégicas assegura que atendimento ao público vai melhorar.

Em entrevista ao Esfera Pública, da Rádio Guaíba, o secretário da Pasta, Thiago Ribeiro, disse que a entidade contratada fica incumbida de oferecer maior conforto durante a exibição de filmes e de garantir a gratuidade de 30% das sessões das salas multimídia.

O contrato previsto é de cinco anos, com possibilidade de renovação por mais cinco. Além disso, anualmente, a Prefeitura vai poder dispor de 90 sessões. A metodologia é semelhante à adotada pela administração do Auditório Araújo Vianna, onde o gestor libera determinadas datas para exploração da gestão municipal.

“Não haverá nenhuma redução em nenhum dos parâmetros entregues ao público, seja no número de sessões de cinema, nos turnos da sala de multimídia, no programa de alfabetização ou no acervo digital. Tudo será contemplado”, garantiu Ribeiro.

O secretário de Parcerias Estratégicas explicou, ainda, que a organização da sociedade civil também fica responsável pelos trabalhos de manutenção elétrica e de infraestrutura, instalação de câmeras de segurança e de sistema de bilhetagem eletrônica.

Além disso, o edital estabelece que é de responsabilidade dos próprios servidores da Cinemateca fiscalizar as contrapartidas em prestação de serviço público. Ligados à Secretaria de Cultura, os trabalhadores, porém, podem ser realocados, em parte, em outras atividades.

Em caso de descumprimento dos acordos firmados, o Executivo pode quebrar o contrato. Além da Cinemateca Capitólio, a Prefeitura também pretende lançar editais de terceirização da Pinacoteca Ruben Berta e do Atelier Livre da Secretaria da Cultura.

Local de referência em preservação e exercício da cinefilia 

A Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (Accirs) divulgou em nota que está preocupada com o processo de transferência da gestão da Cinemateca para uma organização social. 

"Lembramos que iniciativas semelhantes têm dado resultados negativos do ponto de vista financeiro (como ocorreu com o Museu de Arte do Rio de Janeiro, o MAR) ou de programação (como ocorreu com a Cinemateca Brasileira), o que, caso se repita com a Capitólio, trará consequências desastrosas para a nossa cultura", alerta a Accirs. 

A Accirs lembra que, desde a inauguração da Cinemateca, em 2015, o local se consolida como uma referência em preservação e o lugar por excelência do exercício da cinefilia em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul.

"As dificuldades financeiras que afetam equipamentos culturais e a própria produção artística do país inteiro têm sido dribladas, na Capitólio, graças a um trabalho competente que alia a guarda da memória audiovisual com a programação de filmes importantes, das mais variadas épocas e procedências, alguns deles raros e até mesmo inéditos nas salas da cidade, do Estado e do país", diz o texto. 

"Os projetos implementados incluem iniciativas de formação de plateias, festivais, mostras, cursos e encontros nos quais são debatidas questões prementes da nossa sociedade", destaca a Accirs.

"Em nome da continuidade de um modelo que mantenha a excelência da Cinemateca tal qual ela se apresenta hoje, e vislumbrando o aprimoramento dos resultados conquistados nesses quase cinco anos de atuação, a Accirs firma posição contrária às mudanças na forma como elas estão anunciadas e pede que a Prefeitura ouça os apelos da comunidade artística e cinéfila gaúcha antes de prosseguir com o projeto nos moldes em que ele está sendo divulgado à sociedade", conclui a nota. 

Cinemateca Brasileira nega resultados negativos 

Em contato com o Correio do Povo nesta sexta-feira, a Cinemateca Brasileira nega o trecho citado pela nota da Accirs que aponta de que houve "resultados negativos de programação" no local com as seguintes informações: 

• Em 2017 a instituição teve 51.930 frequentadores. 
• Em 2018, sob administração da ACERP, teve 54.270 frequentadores
• Em 2019, a Cinemateca Brasileira recebeu 55.800 pessoas.