Primeira noite de desfiles em SP tem protestos e fantasias luxuosas

Primeira noite de desfiles em SP tem protestos e fantasias luxuosas

Enredos citam Marielle Franco, a escravidão e recriam "O Grande Ditador" de Chaplin

Por
R7

Tom Maior e Mancha Verde prometem disputa acirrada para carnaval deste ano


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A primeira noite de desfiles do grupo especial de São Paulo foi marcada por fantasias e alegorias luxuosas. Tom Maior e Mancha Verde foram os destaques da sexta-feira e mostraram que, mais uma vez, o resultado do Carnaval promete ser apertado.

A Dragões da Real enfrentou problemas depois de desfilar no Sambódromo do Anhembi. Já na dispersão, o carro abre-alas da escola ficou preso em fios de eletricidade e provocou um atraso de mais de uma hora no início do desfile da Mancha.

Barroca Zona Sul

A escola, que voltou ao grupo especial em 2019, fez uma homenagem à líder e rainha quilombola Tereza de Benguela, que lutou contra a escravidão por décadas. O desfile marcou a estreia da musa Renata Spallici como rainha de bateria.

Escola homenageou rainha quilombola Tereza de Benguela e abordou escravidão | Crédito: Nelson Almeida / AFP / CP

Com 36 metros de comprimento, o carro abre-alas simbolizou a tristeza com a escravidão. Ao longo do desfile, a agremiação transitou pelos principais momentos da vida da rainha.

A agremiação, embora tenha enfrentado dificuldades no fim do desfile, conseguiu cumprir o tempo exigido pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo.

Tom Maior

Com o enredo É Coisa de Preto, a Tom Maior entrou na avenida exaltando o povo negro e a importância da miscigenação para a construção e crescimento do Brasil. Um dos pontos altos do desfile foi o quinto carro, que debateu a luta por justiça.

Tom Maior homenageou Marielle Franco e exaltou povo negro | Crédito: Nelson Almeida / AFP / CP

A alegoria trouxe uma escultura gigante de Marielle Franco, assassinada em 2018, no Rio de Janeiro. De acordo com a escola de samba, a ideia foi simbolizar o quanto a morte da vereadora foi importante para despertar movimentos sociais de luta por igualdade racial e de gênero.

Dragões da Real

Vice-campeã no ano passado, a Dragões da Real enfrentou problemas com a dispersão de alguns carros alegóricos. O abre-alas ficou enroscado na rede elétrica e, por isso, acabou atrasando a entrada da Mancha Verde na avenida do Anhembi. A escola, no entanto, terminou o desfile dentro do prazo regulamentar.

Agremiação desfilou em cinco alegorias exaltando o poder do riso | Crédito: Nelson Almeida / AFP / CP

Com o enredo A Revolução do Riso: A arte de subverter o mundo pelo divino poder da alegria, a agremiação, ao longo de cinco alegorias, exaltou o poder do riso e da alegria. Um dos destaques foi o carro Humor em Tempos de Cólera, que trouxe uma representação de O Grande Ditador, filme clássico com Charles Chaplin.

Mancha Verde

A verde, branco e vermelho, campeã do carnaval 2019, entrou na avenida mais de uma hora após o horário programado. O atraso aconteceu porque a Dragões da Real enfrentou problemas com a dispersão de carros alegóricos que ficaram presos na rede elétrica.

Com 3 mil integrantes, a agremiação apresentou um enredo inspirado na passagem bíblica do livro de Lucas, capítulo 23, versículo 34, em que diz Pai, perdoai, eles não sabem o que fazem. Viviane Araújo, rainha de bateria da agremiação, foi um dos principais destaques do desfile.

Com 3 mil integrantes, escola de samba se inspirou em passagem bíblica para tema do enredo | Crédito: Nelson Almeida / AFP / CP

Acadêmicos do Tatuapé

Quinta escola da primeira noite de desfiles, a Acadêmicos do Tatuapé, da Zona Leste, levou para a avenida uma homenagem à cidade de Atibaia. Da origem rural ao desenvolvimento econômico da região, a agremiação passou pelos momentos mais importantes do município paulista.

A segunda alegoria foi um dos principais destaques do desfile. O carro trouxe a reprodução de uma maria-fumaça e, ainda, abordou a utilização da mão de obra escrava no processo de desenvolvimento da região.

Império Casa Verde

A escola homenageou o Líbano com o enredo Marhaba Lubnãn. O carro abre-alas, O Império Marítimo, retratou o fundo do mar mediterrâneo da costa do Líbano. Valeska Reis foi a rainha de bateria da escola. A assistente de palco do programa A Hora do Faro, da Record TV, ostentou uma costeira poderosa.

Com integrantes que pertencem à colônia libanesa em São Paulo, a comissão de frente celebrou os Guardiões da Ancestralidade Libanesa. O carro alegórico Heranças Culturais: O Berço Sagrado trouxe o Gênio da Lâmpada como destaque, remetendo ao famoso personagem das histórias de Alladin. Sem contratempos, a escola terminou o desfile dentro do prazo determinado.


X-9 Paulistana

A escola entrou na avenida embaixo de chuva e com o dia claro. Por desfilar de manhã, a escola dispensou luzes de led e apostou em espelhos para manter o brilho nos carros alegóricos.

Com enredo que celebra a miscigenação e batucada brasileira, a escola também precisou escolher bem as cores das alegorias e carros para não passar despercebida na avenida. Por isso o verde e o laranja predominaram em todas as alas.

Pouco antes da metade do desfile, um carro acoplado da X-9 teve problemas. Após a ligação se romper, um dos integrantes caiu, mas não chegou a se machucar e ainda ajudou a empurrar a alegoria. Apesar disso, não houve atraso.

Entre os famosos que desfilaram pela agremiação estavam Juju Salimeni e Daniele Hypolito. X-9 Paulistana tenta ser campeã novamente depois de 20 anos. O último título da escola foi em 2000.