Série "Irmandade", sobre a ascensão de uma facção criminosa, estreia dia 25 na Netflix

Série "Irmandade", sobre a ascensão de uma facção criminosa, estreia dia 25 na Netflix

Com grande elenco, produção terá inicialmente oito episódios

AE

Seu Jorge e Naruna Costa estarão em cena em "Irmandade"

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Com um grande elenco, liderado pelo cantor e ator Seu Jorge - de, entre outros, "Cidade de Deus" (2002) e "A Vida Marinha com Steve Zissou" (2004) - estreia em 25 de outubro, no serviço de streaming Netflix, a série "Irmandade", em oito episódios. A história gira em torno dos personagens Edson (Seu Jorge) e Cristina (Naruna Costa), moradores de uma favela de São Paulo, irmãos que se separam após Edson ser preso ainda muito jovem, em meados da década de 1970, por tráfico de drogas.

Enquanto Cristina batalha para se tornar uma advogada respeitada e entrar para o Ministério Público, seu irmão mais velho, preso há 20 anos, se organiza no presídio e lidera a criação de uma violenta facção criminosa, batizada de "Irmandade", com o intuito de manter os direitos mínimos dos colegas de cárcere e lutar contra a tortura que corre solta no local, estabelecida pelos agentes da lei.

Cristina acaba, ao tentar ajudar Edson, se complicando no Ministério Público e é presa. Ela é, então, cooptada por um detetive da polícia nada ortodoxo, Andrade - papel de Danilo Grangheia -, que propõe, em troca de sua liberdade, que ela colabore para desmantelar a organização do irmão. Para isso, a advogada terá de se infiltrar na Irmandade, arriscando a própria vida.

As semelhanças levam o espectador mais informado a pensar na história do Primeiro Comando da Capital (PCC), também criado na década de 1990, como a Irmandade. No entanto, Pedro Morelli, criador e diretor geral da atração, explica, com exclusividade para a Agência Estado, que nenhum personagem foi inspirado em uma pessoa real. "A série não é inspirada no PCC. A Irmandade é uma facção criminosa fictícia que criamos a partir de muita pesquisa sobre várias facções reais de todos os cantos do Brasil. Existem alguns conceitos recorrentes e os usamos na concepção da Irmandade. O ponto em comum é que todas elas nasceram como uma resposta a uma repressão violenta do Estado no sistema carcerário", afirma Morelli.

Segundo ele, o crime organizado no país é gigantesco e está fora de controle. "Se tivessem condições decentes de vida dentro das prisões desde o começo, talvez isso (o surgimento de facções criminosas) não houvesse acontecido dessa forma." Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista que Morelli concedeu à Agência Estado:

AE: Que tipo de fonte foi usada para municiar a história? Algum livro serviu de mote para o roteiro? Integrantes de alguma facção criminosa foram entrevistados? Teve a consultoria de procuradores, advogados e de policiais envolvidos no combate e na defesa de organizações criminosas?

Pedro Morelli: Lemos muitos livros sobre o tema e também tivemos uma pesquisadora, Claudia Belfort, e sua assistente, Tatiana Merlino, que fizeram uma vasta pesquisa. Entrevistaram ex-presidiários, procuradores, policiais, pessoas de todos os cantos desse espectro que estamos abordando, exatamente para decodificar esse universo para nos aprofundarmos e termos propriedade para falar desse mundo.

AE: Quais foram as locações usadas?

Pedro Morelli: Filmamos em mais de 40 locações, quase todas em São Paulo. A única fora de São Paulo foi a prisão, que é perto de Curitiba, em Piraquara.

AE: Qual foi o dia mais intenso de gravação, que exigiu mais concentração e energia?

Pedro Morelli: Foi o dia em que filmamos a rebelião, porque estávamos em um presídio de verdade. Apesar de filmarmos em uma ala desativada, as outras alas estavam ocupadas. E ao filmarmos a rebelião, subimos no telhado, colocamos fogo, tinha bandeiras. Foi muito intenso.

AE: O que você fez no primeiro dia depois que terminaram as gravações para se livrar da carga desse assunto tão pesado?

Pedro Morelli: Eu dormi muito! Fui para casa e fiquei assistindo a séries menos politizadas.


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