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"Se é pra emocionar, vamos emocionar então", comenta Maurício de Souza na Guaíba

Entre quadrinhos, revistas, desenho e filme, cartunista sorri ao lembrar do Cebolinha do Grêmio: "Um presente que ganhei"

Por
Correio do Povo e Rádio Guaíba

Criador exaltou 60 anos das criações de seu estúdio

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O caturnista Maurício de Souza, aclamado criador da Turma da Mônica, participou de um bate-papo no Set Guaíba, nesta sexta-feira. Ele falou sobre a criação dos personagens, os 60 anos da Maurício Produções e a trajetória com o novo filme "Turma da Mônica - Laços", que estreou no final de junho e já vem agradando aos fã de todo Brasil. Meio esquivo, Maurício de Souza, completando 60 anos de Maurício Produções, diz não querer falar do seu vídeo emocionado, que viralizou nas redes sociais, "não gosto de me ver chorando". Mas, quando lembrado de que ele emociona ainda milhares de brasileiros, ele afirma: "Se é pra emocionar, vamos emocionar, então".

Embalado de emoções, Maurício comentou as experiências com a obra cinematográfica, a qual confessou já ter assistido cinco vezes. Ele conta que, no ínicio, achou que o projeto não sairía do campo das ideias, pelas dificuldades enfrentadas. Até encontrar Daniel Rezende, diretor do filme, o qual se propôs e afirmou: conseguiria. 

E conseguiu, escolhendo os atores que, segundo Maurício, "realmente cumpriram com o prometido". Para ele, os intérpretes "se transformaram nos personagens, viveram os personagens e viraram a Turma da Mônica da vida real", complementa. Sobre a atuação das crianças, o cartunista também atribui o mérito ao diretor, que usou uma técnica de direção diferente, onde os atores não decoraram as falas. Segundo ele, Rezende explicava "a coisa" e eles falavam "com a língua deles, do jeito de se comunicar deles, de criança", explica. "Foi também uma vitória também, para que tudo corresse naturalmente, com crianças falando igual crianças". 

Saudosamente, ele lembra do seu primeiro personagem, o Bidu, e de como foi a criação dos próximos a ilustrar os quadrinhos. Inspirados nas pessoas do seu vínculo pessoal, Maurício diz sempre "transportar emoções" durante o desenvolvimento e que, por isso, cada um transmite uma "humanidade" que faz com que o público se conecte:  reconhecem em Mônica, Magali, Cebolinha e Cascão, além de muitos outros, pessoas que estão ao seu redor. "Como eles são seres humanos", ele explica, "conseguímos chegar ao público de uma maneira tão forte que isso já dura 60 anos".

Quando perguntado sobre a adaptação das histórias para o mundo moderno, Maurício conta que prefere não inserir totalmente a tecnologia em seus quadrinhos. "Isso leva o nosso leitor, criança ou adulto, a um momento que todos eles quiseram ter", explica enquanto dá o exemplo das histórias do Chico Bento, personagem que vive na simplicidade do interior. Segundo ele, os leitores sentem uma "nostalgia da infância que eles não tiveram".

Sobre a homenagem que receberá no 47° Festival de Cinema de Gramado, pela contribuição às animações brasileiras, ele se diz "realmente envaidecido". "Pulei de alegria quando soube disso" e diz que receberá o Troféu Cidade de Gramado pessoalmente, também para "matar a saudade da cidade que eu adoro".  Ele lembra que vem também para Porto Alegre, no dia 1º de novembro, com o musical "Brasilis – Um Espetáculo do Circo Turma da Mônica", que ocorrerá no Teatro Bourbon Country. 

Falando do Sul, Maurício conta alegremente sobre o apelido do craque do Grêmio e da Seleção, que acabou batizado com o nome do seu personagem. Sim, o Everton Cebolinha, atacante do Tricolor. "Foi um presente que eu ganhei", o cartunista fale entre risadas, e diz que sempre que o vê jogar se sente orgulhoso, porque o lembra do personagem.